quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Confissões do crematório - do pó viestes, ao pó retornarás.

A americana Caitlin Doughty além de possuir um canal no Youtube, chamado "Ask a mortician" onde discute com seu público uma variedade de temas funestos, também aventurou-se no campo da escrita e lançou o livro "Confissões do crematório" - título em português ou "Smoke gets in your eyes" - em inglês, através do qual compartilha várias de suas experiências ao longo da carreira de agente funerária.
Lançada no Brasil pela Darkside Books, a obra encanta pelo precioso trabalho de arte gráfica (como sempre a capa é linda!), e sobretudo, pelo conteúdo que apesar de parecer "pesado", se mostra completamente digerível e necessário.
Friso o necessário, porque de fato todos sabemos que a morte é inevitável e nossa única certeza enquanto seres viventes.
Caitlin utilizou seu livro, para transmitir também seu grande conhecimento em História (curso que frequentou), mais especificamente a história da morte, dos rituais fúnebres e das mudanças do comportamento humano frente a esta situação.
Nele, Doughty explicita que a modernidade trouxe consigo as facilidades dos serviços funerários - uma forma impessoal das famílias enterrarem seus cadáveres, o que nos estimulou a protelar para "nunca" as discussões sobre a morte.
A autora também participa da "The order of the god death", uma espécie de comunidade de estudiosos da morte, que compartilham da vontade de humanizar enterros, cremações, embalsamamentos e velórios - e torná-los algo mais natural, afinal a morte não precisa ser o tabu que a Indústria funerária criou, distanciando-nos dessa forma, de nossos mortos.
Me lembro de uma viagem que fiz para a Argentina, onde estive visitando o Cemitério da Recoleta, um patrimônio cultural da humanidade - no entanto me assustei ao ver que alguns túmulos era abertos e possuíam caixões expostos. O que me fez perguntar: Porque estes corpos em decomposição não cheiram mal???
Quanta ignorância não é mesmo... O fato é que todos aqueles cadáveres devem ter passados por embalsamamento com formol, uma prática muito comum na indústria funerária, atualmente. 

Precisamos entender que a natureza nos empresta seus átomos para que componham este corpo material e perecível. Porém chega a hora em que temos de devolvê-los - já que o Universo é regido pela Lei da Entropia, da decomposição... É como se a organização das moléculas em estruturas mais complexas fosse um estado temporário, e não a regra da vida (leia Origem - de Dan Brown, para entender melhor).
Independente da crença religiosa, não podemos ignorar o fato de que:

NÃO PASSAMOS DE FUTUROS CADÁVERES!!!

Toda esta narrativa me fez pensar que durante o tempo que levei para escrever este texto, 3.060 (três mil e sessenta) pessoas morriam ao redor do mundo, das mais variadas formas.
Se você é fascinado pelo tema da morte, não deixe de ler este livro, e caso seja muito sensível vá com calma... Ele fala sobre suicidas, bebês mortos e outras situações difíceis de encarar - mas como salientei acima, falar sobre o tema é um bem necessário a todos nós.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Origem, Dan Brown - De onde viemos, para onde vamos?

O talento de Dan Brown é indiscutível. E sua nova obra - Origem - evidencia ainda mais sua capacidade de nos despertar para a discussão de temas tão cruciais, tal qual nossa origem e destino, como humanidade.
Deixando as superstições e crenças religiosas de lado, o assunto é desenvolvido do ponto de vista científico, e não decepciona o leitor, seja este cético ou crédulo.

"Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete abalar os alicerces de todas as religiões e mudar para sempre a face da ciência.
O anfitrião é o futurólogo e bilionário Edmond Kirsch, que se tornou conhecido por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. O brilhante ex-aluno de Langdon está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento, algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana:
DE ONDE VIEMOS? PARA ONDE VAMOS? 
Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.
Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond.
Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo onisciente cujo poder parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo.
Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo."

Em nenhum outro livro, Dan Brown abordou tantos assuntos polêmicos ao mesmo tempo. Além de Religião e História da Arte, temas como Política e Tecnologia são pano de fundo para o desenvolvimento de um enredo envolvente, que trata dos limites de cada uma destas diferentes searas da vida. Fundamentalismo religioso, Extrema direita política e Inteligência artificial são assuntos cotidianos que nos consomem, sobretudo, porque a sociedade atual é passível de sofrer em virtude dos excessos cometidos nestas áreas.

Este livro nos convida a encontrar respostas, que muitas vezes procuramos do lado de fora, mas que sempre estarão dentro de nós.

BOA LEITURA!!!