quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

"Energia - Robson Pinheiro" e os dois passos para elevar suas vibrações em 2019!

Não poderia haver inspiração melhor para encerrar o ano com o pé direito, do que o livro psicografado pelo médium mineiro Robson Pinheiro. "Energia" é uma obra elaborada no mundo espiritual por entidades sábias, como Joseph Gleber, André Luiz e José Grosso, transmitidas ao médium que relata na breves páginas do livro a importância da busca constante por qualidade de vida e saúde plena. 



Por trás da busca por plenitude, um tema fundamental precisa ser compreendido: a ENERGIA. Tirar o máximo de proveito das boas vibrações de fontes naturais e terapias holísticas nos impulsiona a refletir sobre a transformação íntima que ocorre conosco, após o contato com nossa natureza, sobretudo porque ao buscarmos respeitar nossa essência energética, conquistamos a tão almejada saúde integral, ou seja, o bem estar físico, mental, social e espiritual.
É sabido que matéria é energia condensada, coagulada. Para os que creem na espiritualidade, há um consenso de que o ser humano possui corpo físico e espiritual, cada um com suas características, vibrando em dimensões diferentes. Trabalhar as energias de ambos os corpos é fundamental para obter o equilíbrio necessário a nossa saúde.
Parece uma tarefa difícil, mas as vezes uma simples oração, já é capaz de grandes milagres, seja no plano físico ou espiritual - e muitas pessoas por descrença, não se dão conta disso.
São os hábitos simples, os grandes responsáveis pelas maiores transformações em nossas vidas. O livro, nos dá dicas para realizarmos pequenas alterações de rotina no dia-a-dia, e pretendo aplicá-las em 2019, para que o ano seja proveitoso.
Buscar a excelência deve ser o alvo do ser humano em todas as áreas da vida, seja na saúde, na família, no trabalho... Se todos se ocupassem de aproveitar melhor seu tempo, evitando desperdiçá-lo com coisas banais e focando nos objetivos que realmente interessam, o mundo seria um lugar melhor! Segue abaixo os dois passos para elevar suas vibrações em 2019 e obter o maior proveito das "good vibes":

Primeiro passo:
Liste 10 coisas que você gostaria muito de fazer ou de resgatar em sua vida, mas que não faz por causa de alguém ou de algum motivo.
Em seguida, eleja um dos pontos (um por semana, ou um por mês) e permita-se realizar, viver, vibrar - desde que a vivência desse desejo não prejudique a você ou ao próximo. VIVA COM PLENITUDE!
Eu por exemplo, quero voltar a ser vegetariana!
Registre suas experiência em um diário, um  blog como esse ou em um caderno que seja - para que mais tarde, você possa lê-la e recordar-se da positividade que trouxe para sua vida.

Segundo passo:
Liste 10 coisas que não lhe agradam, em suas atitudes, que você mesmo deseja mudar. Faça uma análise de sua personalidade e firme um compromisso consigo mesmo de melhorar esses aspectos negativos.
Da mesma forma como prosseguiu com o passo acima, eleja os pontos, desenvolva-os, mas não exija demais de si mesmo - tenha paciência consigo.
Eu quero ser mais pontual, porque tenho pouca disciplina com horários...

Enfim, a vida passa e a maturidade nos traz a compreensão que só vem com as experiências. Queria ter a sabedoria de hoje, aos 18 anos de idade. Teria apreciado muito mais o bons momentos, com certeza!
Desejo a você que lê esse texto, um ótimo final de ano e um 2019 cheio de luz e transformações - pois cultivar boas energias está totalmente relacionado aos bons hábitos e à busca por evolução!

"Energia"
Autor: Robson Pinheiro
Editora: Casa dos espíritos
Páginas: 236

Avaliação: 5 estrelas


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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Ligue o FODA-SE e seja feliz - Mark Manson

Numa tarde nublada de novembro, depois de sair do trabalho com a cabeça quente que  fervilhava com os problemas típicos de um hospital militar (ou seja, um hospital que já possui uma ambiente tenso, somado a um quartel onde a rigidez do militarismo se faz presente), resolvi passar em uma livraria para esfriar a cabeça.
Logo na entrada, avistei uma mesinha cheia de livros de capa cor-de-laranja que estavam em promoção. Empolgada, peguei um exemplar e o título me agradou: "A sutil arte de ligar o foda-se"- Nossa! - pensei comigo, é disso que estou precisando. Então, me sentei no estofado da loja para ler um pouco, antes de passar no caixa e pagar.
Mark Manson me conquistou com o primeiro capítulo, onde fala de Chales Bukowski - um ícone da literatura americana que viveu seus dias com o botão do foda-se completamente travado e produziu uma arte admirada por milhões de jovens, que se identificaram com seu estilo agressivo e inconformado de escrita, em que permitia fluir através da máquina de escrever seus pensamentos, sem a menor censura.
Ler essa obra me fez repensar meus valores, questionar minha postura diante dos fatos da vida, me responsabilizar por minhas próprias escolhas, além de me fazer perceber que a vida é curta, passa rápido e por isso o medo de errar não pode me engessar ou me impedir de viver com excelência.



Enumerei as lições e as descreverei abaixo para que você, ao ler esse breve resumo, sinta-se estimulado a buscar nesse livro a motivação para transformar sua vida, como eu transformei a minha:
1) Nem sempre dá para controlar o que acontece conosco, mas sempre podemos definir nossa interpretação dos acontecimentos e a nossa relação com eles;
2) Questionar a si mesmo e duvidar dos próprios pensamentos e crenças são habilidades que devemos desenvolver. Os narcisistas sempre acham que estão certos e portanto, devemos ter humildade para admitir que ás vezes estamos errados
3) Só podemos atingir a excelência em algo se estivermos dispostos a falhar. O medo de errar nos engessa. Se você recusa a correr riscos, não está disposto a ser bem sucedido.
4) Temos que fazer escolhas e nos responsabilizar por elas, não culpando os outros por nossos erros. Escolher e rejeitar caminhos, faz parte da vida e em certos momentos evitar conflitos e confrontos nos leva a uma existência sem valores, egoísta e hedonista. Dizer não é crucial pois não precisamos ficar em um relacionamento infeliz ou um emprego ruim, apenas fingindo que tudo é lindo e que não existe sofrimento.
5) A morte é inevitável. Um dia vamos morrer. E diante dessa constatação devemos optar por valores que nos libertem das ansiedades do dia a dia que nos impedem de enxergar o verdadeiro valor da vida.

Já nascemos fazendo escolhas, em função disso estamos propensos a errar. Se errarmos devemos ter a consciência de que a responsabilidade é nossa. Nada disso deve nos paralisar, pois o medo nos engessa. Entretanto, nem sempre a culpa pelas situações desagradáveis que ocorrem é nossa - e é nesse momento que apertamos o foda-se, quando entendemos que processar uma situação e reagir a ela também é nossa responsabilidade. Você escolhe se vai se importar com problemas pequenos, ou se vai viver com excelência perseguindo seus sonhos e objetivos com toda garra que possui.
Viver com o foda-se ligado significa se preocupar com as coisas que realmente valorizamos, sem deixar que as pequenas vicissitudes nos atrapalhem e nos impeçam de enxergar a grandeza da vida.

"A sutil arte de ligar o foda-se"
Autor: Mark Manson
Editora: Intrínseca
Páginas: 221

Avaliação: 5 estrelas


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domingo, 11 de novembro de 2018

Suicidas - Raphael Montes

Nove jovens são encontrados mortos no porão de uma casa de campo e os indícios apontam que eles haviam participado de uma roleta-russa. 
A delegada Diana Guimarães conduzindo as investigações sobre o caso, não consegue entender o que levou esses jovens aparentemente felizes e privilegiados, a cometer um ato tão extremo. Todos pertenciam a elite carioca e uma parte deles era composta de estudantes universitários com um futuro promissor pela frente.
As mães dos suicidas são então convocadas pela delegada, a prestar um depoimento coletivo com a finalidade de juntar as peças de um quebra-cabeças, utilizando-se de anotações encontradas na casa de Alessandro Parentoni, um dos rapazes que havia se suicidado, mas que no entanto deixara um diário onde narrou os eventos dos dias que antecederam o jogo tenebroso e derradeiro, que os levou a morte.
Emocionadas e fragilizadas pela perda, essas mães tentam recompor através de depoimentos a história sombria contida por trás dos papéis que cada um dos jovens desempenhou no planejamento e execução da roleta-russa. A narrativa contida nas anotações de Alessandro, revela que as máscaras sociais de cada um dos participantes caem aos poucos, a medida que se aprofundam no jogo.
Regada a álcool e drogas, a trama perversa mostra que por trás do papel de universitários aplicados e filhos exemplares, existem segredos e desejos reprimidos que vem a tona revelando o que há de pior em cada um dos jogadores.



Raphael Montes conquistou meu coração de leitora desde que li "O Vilarejo" - um livrinho com mais ou menos cem páginas de puro terror e criatividade!
Posteriormente li "Jantar Secreto" e "Dias perfeitos", todas estas, obras maravilhosas que nos mostram o potencial deste autor tão jovem, que já é sucesso de público e crítica aqui, e no exterior.
Temos que valorizar os autores brasileiros, sobretudo os da nova safra!
A obra mencionada acima, "Suicidas", provocou em mim a seguinte reflexão: embora tenhamos o suficiente para sermos felizes, nunca nos satisfazemos. Sempre precisamos de mais... Mas a verdadeira felicidade consiste em valorizar as coisas simples da vida. Seres humanos que crescem sem limites - que nunca escutam "NÃO" - são incapazes de lidar com as frustrações e desafios que o mundo real inevitavelmente vai impor a eles e aí, vem o desequilíbrio e a busca por uma válvula de escape - ás vezes extrema - como o suicídio.
O final desta história vai te surpreender! Recomendo a leitura desta obra, sobretudo porque é primeira do autor que foi finalista de vários prêmios de literatura nos últimos anos.

Vamos valorizar os autores brasileiros!!!

"Suicidas"
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das letras
Páginas: 430

Avaliação: 5 estrelas


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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Inveja - como ela mudou a história do mundo!

Em um rompante de empolgação adquiri dois exemplares da coleção "Os sete pecados",  respectivamente - Luxúria e Inveja - da Editora Leya, acreditando que a sequência de livros seria lançada em breve. Doce ilusão. 
Infelizmente a Leya descontinuou a coleção, sei disso, pois enviei um email indagando a Editora sobre a previsão do lançamentos dos outros livros - "Soberba, Avareza, Ira, Gula e Preguiça", mas a resposta foi uma negativa que me decepcionou bastante.
De qualquer forma ler "Inveja" já foi bem enriquecedor, tendo em vista que o autor - Alexandre Carvalho - é muito pragmático quanto aos efeitos benéficos e maléficos que esse vício da humanidade desempenhou em nosso processo evolutivo como sociedade.


Dos efeitos benéficos da inveja narrados nesse livro, podemos citar a disputa saudável entre John Lennon e Paul McCartney, que invejavam as composições musicais um do outro. 
Sem essa inveja boa, os Beatles não teriam se tornado a maior banda de rock do planeta de todos os tempos, além de não nos ter  presenteado com tantas composições marcantes e inspiradoras. A disputa de bastidores entre os dois visava tão somente elevar a qualidade de seus trabalhos, a fim de que cada um obtivesse maior número de sucessos entre as composições da banda. E deu certo, não é?
Alfinetadas podem ser observadas ao longo da carreira dos dois, pois nem tudo são flores nessa vida. A maior parte dos ataques vinham de John, que muitas vezes chamou Paul de medíocre - em uma de suas canções pós Beatles, em uma referência velada a McCartney, Lennon escreveu: "a melhor coisa q você fez foi Yesterday", menosprezando a canção mais tocada no mundo até hoje. Quanto recalque!!!
Dos malefícios oriundos da Inveja, podemos destacar a condenação à morte do filosofo Sócrates, na Grécia Antiga pelos representantes do povo. 
Sócrates era um cidadão controverso - admirado por alguns por sua sabedoria e execrado por outros por incitar a anarquia. A Grécia, como berço da democracia, através de seus representantes políticos não poderia tolerar afrontas diretas aos valores democráticos.
O filósofo, começou a incomodar os ilustres cidadãos da Pólis ao ser visto estimulando jovens a questionar essa estrutura política e social e tal conduta inflamou os ânimos dos gregos conservadores.
Entretanto, por trás da versão oficial, existe o boato de que Sócrates só foi "executado" por apresentar pensamentos muito à frente de seu tempo e ser um pensador genial, sem precedentes naquela Grécia arcaica. 
O destino do sábio foi selado com um cálice de cicuta - uma planta venenosa - que o mesmo foi obrigado a entornar, para que enfim a Grécia pudesse se ver livre do incômodo de suas pregações.

Esses são apenas dois exemplos do que a inveja fez por nós. Portanto recomendo a leitura dessa obra para que você beba desse cálice de conhecimento (e não de cicuta) que descortinará a sua frente uma realidade que muitas vezes desconhecemos: os vícios fizeram muito mais pela humanidade do que as virtudes.
Se não fosse assim, não viveríamos em função de combatê-los, e essa é também uma atitude saudável - reconhecer os erros para buscar a evolução. Sem a consciência de nossos "pecados" não haveria como buscar o aperfeiçoamento da sociedade.

"Inveja"
Autor: Alexandre Carvalho
Editora: Leya
Páginas: 256

Avaliação: 4 estrelas ( Dou quatro estrelas em virtude da não continuidade da Coleção - gostaria muito de ler as obras da sequência).


sábado, 13 de outubro de 2018

Diário de uma escrava - Rô Mierling - O livro que toda garota deveria ler!

Estatísticas revelam que todos os anos no Brasil, 250 mil pessoas desaparecem sem deixar vestígios. Desse total, 40 mil são menores de idade e um terço dessas crianças são meninas destinadas a fins sexuais. A maioria delas nunca mais é vista, enquanto outras, reaparecem contando histórias horríveis.
O livro "Diário de uma escrava" da autora gaúcha Rô Mierling, narra as desventuras de Laura, uma adolescente sequestrada por um psicopata que mostra seu lado doentio e uma visão deturpada do sexo, utilizando-se da mulher como objeto sexual.
Trata-se de uma narrativa crua e visceral, baseada em fatos reais. O "Diário de uma Escrava" teve cerca de 1 milhão de leitores só no Wattpad.



Aos 14 anos de idade, Laura foi sequestrada e jogada no fundo de um buraco por um homem que todos imaginavam ser bom. Estevão, apelidado pela garota de "Ogro" é casado, trabalhador, mas não tem filhos em virtude da esterilidade de sua esposa. Apesar disso, trata a mulher com respeito e carinho, mas guarda toda sua perversão para suas vítimas e Laura é apenas uma, das várias.
Esse homem percorre ruas e cidades em busca de jovens atraentes, pois dentro de si uma voz afirma que é delas que ele precisa. Mergulhado nessa fantasia horrenda, ele destrói vidas, deixando para trás um rastro de dor.
Narrado em forma de diário, o livro acompanha os 4 anos que Laura permanece em seu buraco em forma de "quarto". Apresenta uma mensagem dura, cruel e abominável, mas infelizmente corriqueira no Brasil e no mundo.
Os abusos sexuais e psicológicos que ocorrem dentro do buraco - que fica em uma casa afastada da cidade, para não levantar suspeitas - são intercalados com momentos em que o monstro demonstra algum carinho e ternura pela garota. Mas ela só pensa em escapar dali. São cenas chocantes e as tentativas frustradas de escape dão origem a rompantes de fúria por parte do "Ogro", que na realidade são o mais puro reflexo de sua loucura e imoralidade.
A história é baseada em fatos como os que as garotas - Jaycee Dugard, Natascha Kamputsch e as vítimas de Ariel Castro, Amanda, Gina e Michelle - vivenciaram em cativeiro, durante anos, sem a menor chance de defesa. Elas conseguiram escapar, mas quantas meninas, além destas, foram brutalmente seviciadas e assassinadas?
Indico essa leitura a todas as mulheres, sejam elas meninas ou senhoras. O mal está a espreita e é necessário que estejamos preparadas para enfrentá-lo.

Psicopatas existem. São seres plenamente conscientes do mal que praticam e sentem muito prazer com o sofrimento alheio. Para você que gosta de defender bandidos, e sobretudo estupradores, recomendo a leitura dessa obra até o final. Espero que você compreenda que além do seu mundinho cor de rosa, existe o mundo real, cheio de sombras, perversidade e sofrimento.

"O diário de uma escrava"
Autor: Rô Mierling
Editora: Dark Side
Páginas: 205

Avaliação: 5 estrelas


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domingo, 30 de setembro de 2018

Hippie - Paulo Coelho

Adquiri meu exemplar de "Hippie" do autor Paulo Coelho, em minha visita a Bienal do Livro desse ano.
Como grande fã do autor sou suspeita para falar qualquer coisa... 
Então segue abaixo a resenha do livro, para que você leitor chegue a suas próprias conclusões e decida ou não, lê-lo.



Nesse livro autobiográfico, Paulo Coelho nos leva a reviver o sonho pacifista e transformador da geração hippie a qual pertenceu.
Quando jovem, Paulo planejava ser escritor. Em busca de inspiração, o rapaz deixou os cabelos e barbas crescerem e saiu pelo mundo à procura de liberdade e do significado mais profundo da existência. Uma jornada que foi desde sua prisão como terrorista - em Ponta Grossa no Paraná - pelo regime militar brasileiro em 1968, enquanto viajava com a namorada europeia pela América do Sul, até seu encontro com Karla em Amsterdam, quando juntos resolveram ir até o Nepal a bordo do Magic Bus. 
No caminho, os companheiros não apenas viveram uma extraordinária história de amor, mas também passaram por transformações profundas abraçando novos valores para a vida.

Durante a leitura, em alguns instantes, tive a impressão de ouvir tocar em minha mente a música "Gita", composta por Paulo Coelho e Raul Seixas.
Muito do que o autor viveu, durante a viagem, foi bem transmitido posteriormente através da letra dessa linda canção... Vale a pena ler o livro ao som de "Gita" - vai ser inspirador.
Amo essa magia dos livros e das canções dessa dupla que tanto me inspirou ao longo da minha jornada pessoal. E recomendo a leitura, sobretudo àqueles que estiverem precisando tirar um tempinho para refletir sobre a vida!


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A garota do lago - Charlie Donlea

Em minha recente viagem de férias, tive como companhia durante os momentos de espera no saguão dos aeroportos, a obra do autor americano Charlie Donlea intitulada "A garota do lago".
Mais uma das minhas preciosas aquisições promocionais, comprei o exemplar em virtude da indicação de uma amiga. Entretanto, pelo título tão simples, não esperava muita coisa e acabei me surpreendendo.


Becca Eckersley é uma jovem estudante de direito da Universidade George Washington. Bonita, popular e cheia de planos, a garota tem seus sonhos e sua vida ceifados por um psicopata que a ataca durante o final de semana, em que viaja até a casa dos pais, na cidade de Summit Lake.
Becca, pretendendo aproveitar os dias de folga para estudar, se instala na casa do lago, onde pode encontrar a quietude e paz necessárias. Porém uma batida na porta a surpreende, rompendo o silêncio noturno e a jovem não imagina o que a aguarda nos minutos que se sucederão.
Kelsey Castle, uma renomada jornalista de Miami, recebe de seu editor na revista Events a missão de investigar o caso a fundo, já que a polícia - por influência do pai de Becca, um famoso advogado - faz de tudo para abafar o caso e evitar burburinhos. 
Mas o falatório é inevitável e assim que Kelsey chega a Summit Lake, encontra aliados dispostos a contribuir para a busca da verdade sobre o assassinato de garota Eckersley: o próprio delegado da cidade - que é misteriosamente afastado do caso - fornece o inquérito a Castle e ela mergulha de cabeça nesse mistério, a fim de desvendá-lo.
O Dr Peter Ambrose, médico cirurgião do Hospital que recebe Becca antes da morte - visto que ela é socorrida ainda com vida para a instituição - tem um protagonismo importante na história, pois é ele quem ajuda Kelsey a obter o prontuário da garota, onde constam os dados médicos sobre seu falecimento. 
A jovem Rae - funcionária do Café Millie - que Becca frequentava, também dá sua contribuição para a diligência da repórter. Descobre que a dona do café, tem o diário de Becca sob sua posse, afinal ela havia esquecido no local na tarde de seu assassinato. 
Com o inquérito, o prontuário médico e o diário em mãos, Castle vê diante de si a chance de fazer a justiça tão almejada para o caso. E para a jornalista, essa justiça possui sabor especial, já que algumas semanas antes de viajar para Summit Lake, a própria Kelsey havia sido vítima de um ataque brutal enquanto corria por uma trilha em Miami.
O cenário é bucólico, cheio de montanhas, trilhas, cachoeiras e um lindo lago como pano de fundo, as personagens são intensas e a narrativa é dinâmica intercalando o presente - com a investigação de Castle - e o passado - que fala sobre a vida de Becca durante os meses que antecedem sua morte.

Essa narrativa me conquistou. Me fez fechar os olhos e imaginar Summit Lake, me fez sorrir e chorar com Becca e quase me matou de infarto com as pistas falsas que o autor Charlie Donlea soube muito bem, espalhar pelo caminho.

A grande lição que tiro dessa história é que, para muitas pessoas que não conhecem limites, ouvir um não é uma contrariedade absurda.
Elas não estão preparadas para isso. 
Mantenha-se longe desse tipo de ser humano - para sua própria segurança. Pois ele não vai hesitar em te magoar, ferir ou até mesmo matar, se isso for satisfazer seus desejos  mais nefastos.

"A garota do lago"
Autor: Charlie Donlea
Editora: Faro Editorial
Páginas: 296

Avaliação: 5 estrelas


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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Bienal do livro 2018

Não perco uma Bienal do Livro em São Paulo, desde o ano de 2012. E esse ano não foi diferente, minha visita ocorreu no dia 09 de agosto, numa tarde nublada em que o pavilhão de exposições do Anhembi estava lotado! E nem era final de semana.
Li que esse ano, em torno de 680 mil pessoal visitaram a Bienal e fico muito feliz por isso, mas acho que esse público tem que se avolumar. O brasileiro infelizmente não tem o hábito de ler e isso se reflete em situações como estas. Na grande São Paulo, uma região que abriga cerca de 22 milhões de pessoas (mais do que muitos países) há uma feira internacional de livros, de enorme proporção, entretanto apenas 680 mil "criaturas de Deus" são capazes de visitá-la.

Parabéns a nós, seres capazes de tirar um tempinho para dedicar ao conhecimento e a cultura!!!


Gostei muito dos estandes promocionais de livros, os preços estavam bons mas em comparação com outros anos a variedade de títulos era menor. Comprei várias obras pela bagatela de R$10,00.
O estande da Companhia das Letras me conquistou com a promoção das obras de Paulo Coelho - livros a R$17,00 - comprei dois!!!
Também não podia deixar de dar uma passadinha na Federação Espírita Brasileira, para adquirir meus exemplares de "Nosso lar" e "A caminho da luz", todos de Chico Xavier.
Enfim, vale a pena investir em literatura, porque conhecimento é poder e quando as pessoas compreenderem essa máxima, sobretudo em nosso país, a vida será melhor e seremos finalmente livres da escravidão que nos assola - pois esta é fruto da ignorância.

Em 2020 quero ver 1 milhão de pessoas na Bienal! Vamos começar essa campanha já!!!

terça-feira, 31 de julho de 2018

A vida que enterramos - Allen Eskens

As promoções de livros nos garantem surpresas inenarráveis. Desta vez, em mais um saldão da Livraria Curitiba do Shopping Metrô Tucuruvi, garanti meu exemplar da obra de Allen Eskens, intitulada "A vida que enterramos". 


Segue a resenha:

Joe Talbert é um jovem com objetivos muito sólidos. Trabalha como segurança em um bar durante as noites, para poder bancar seus estudos numa Universidade de Mineápolis.
Uma de suas matérias da faculdade, lhe impõe um grande desafio: escrever uma biografia sobre uma pessoa conhecida. Joe logo de cara pensa em desistir. Escrever sobre sua mãe? Nem pensar. A mulher, uma bomba relógio que entre uma bebedeira e outra era trancafiada em alguma prisão por cometer pequenos delitos, só trazia desgostos para o rapaz.
Seu irmão Jeremy, um garoto autista de 18 anos, não possuía tantas histórias interessantes a relatar, por sua própria condição psicológica.
Enfim, com o prazo de entrega do trabalho iminente, Joe se decide e procura o ex-detento Carl Iverson, que se encontra internado em uma Instituição para idosos, para morrer com certa "dignidade". O homem está no estágio final de um câncer.
Carl esteve encarcerado, por cerca de 30 anos, devido a acusação e o posterior veredito de assassinato. Uma garota de 14 anos, chamada Crystal Hagen havia sido encontrada incinerada no galpão de ferramentas da casa de Iverson, pela polícia de Mineápolis.
A princípio Joe percebe uma certa resistência para a realização de seu projeto, não somente da parte de Carl, mas também das funcionárias do asilo, que nutrem por ele uma repugnância tão forte, capaz de lhe furtarem o benefício da dúvida.
A biografia, com o tempo torna-se uma investigação. Joe passa a acreditar na inocência de Carl, tendo em vista as entrevistas que tem de fazer para sua biografia. Com isso, acaba arrastando consigo sua vizinha Lila, que se interessa pela história do velho moribundo e parte nessa jornada intensa, na caça do verdadeiro assassino de Crystal.
Toda essa luta por justiça, possui uma inspiração que tem fortes fundamentos: Carl foi condenado com base em relatos do diário que a garota escrevia. Entretanto, algumas passagens escritas em código, não foram devidamente investigadas pela promotoria na época, e essa circunstância torna-se o prato cheio para o casal de detetives.
Vou dar um spoilerzinho aqui... Quem torcer para que o casal se apaixone e fique junto, vai adorar o final.
Enfim, uma obra deliciosa, instigante, de devorar páginas e páginas sem nem ver a hora passar. Se você está procurando por este tipo de distração "A vida que enterramos" é uma ótima pedida.

Narrado no tempo presente, intercala capítulos sobre as histórias vividas por Carl no Vietnã, o que traz um dinamismo maior ao enredo. 
A maior parte do livro é narrado em primeira pessoa, sobre o ponto de vista de Joe, mas os capítulos com as histórias de Carl, estão em terceira pessoa.
Todos as personagens, sem exceção, possuem perfis muito bem construídos e personalidades marcantes. Até mesmo os coadjuvantes, como no caso do amigo de Carl - chamado Virgil - que lutou ao seu lado na guerra, são capazes de nos marcar profundamente.
Para mim, a grande lição contida nas entrelinhas desta obra, está em perscrutar além das evidências e apenas um momento sequer, poder enxergar que há um ser humano por trás de uma acusação de crime. E que esse ser, pode ser inocente. Não estou a falar aqui de coitadismo ou coisa do gênero, mas nessa ânsia em que muitas vezes nos encontramos, podemos cometer injustiças por não raciocinarmos direito.
Então, muito cuidado antes de acusar alguém!!!

Essa é minha reflexão de hoje. 
Uma ótima noite a todos.

"A vida que enterramos"
Autor: Allen Eskens
Editora: Intrínseca
Páginas: 270

Avaliação: 5 estrelas

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domingo, 15 de julho de 2018

Clímax - Chuck Palahniuk

Esse ano, entre os meses de março e abril, o Grupo Escala realizou uma Feira do Livro no Shopping Metrô Tucuruvi em São Paulo... E lá fui eu, conferir!
Dentre as pérolas que encontrei - pela pechincha de dez reais - estava o livro do autor Chuck Palahniuk, intitulado "Clímax".
Antes de resenhar, recomendo a todos que visitem as feiras de livros itinerantes do Grupo Escala, que realiza parcerias com diversos shoppings a fim de democratizar a leitura. Parabéns a Editora Escala!!!



Penelope Harrigan, uma jovem originária do estado de Nebraska, tentava viver o sonho americano em Nova Iorque. A moça havia terminado a faculdade de Direito e tentava passar no exame da Ordem dos Advogados - enquanto isso estagiava num grande escritório de advocacia: o BB&B, onde realizava tarefas importantíssimas como comprar café para os advogados, além de organizar as cadeiras antes das reuniões da equipe.
Penny tinha uma auto-estima que não era lá essas coisas. Se achava uma garota comum e sem graça. Mas um belo dia, com os braços cheios de caixinhas com copos de café, ela tropeça e cai aos pés de Cornelius Linux Maxwell, um bilionário considerado papa da Informática.
Cornelius, apelidado de "Clímax", surpreendentemente a convida para um jantar e Penny acredita que talvez seja por pena, mas aceita. A garota passa então a viver um conto de fadas: jantares chiquérrimos, badalação, fotos no jornais, fama, vestidos e roupas de marca de graça!!! Mas como tudo na vida tem um preço, Penny vai arcar com um custo  bem alto.
Depois de um tempo de relacionamento, ela percebe que está sendo usada por Cornelius para testar produtos eróticos. Sim! Ele, como empresário, pretende lançar uma linha de apetrechos para as relações sexuais, testando-os em suas parceiras. Dolorosamente Penny chega a essa conclusão após pesquisar sobre os relacionamentos anteriores de Clímax, que duravam pouco (exatos 136 dias) e as ex-namoradas saiam completamente exauridas da relação. Com Penelope não é diferente, e após o termino da relação ela decide se vingar, processando Maxwell após o lançamento de sua linha de produtos eróticos chamada "Beautyful You".
O que Penny nota, é que os brinquedinhos sexuais, lançados exclusivamente para mulheres, as deixam viciadas - e ela percebe que após tantos testes em seu corpo, tornou-se viciada também.

A narrativa de dá em terceira pessoa (eba!) e se passa completamente no presente. Alguns flashbacks são necessários para a compreensão de situações atuais influenciadas por eventos passados.
As personagens são excêntricas, como por exemplo a velha sábia do Nepal, Baba Barba-Cinza. Essa senhora de 209 anos, possuía toda a sabedoria sexual que foi passada a Clímax para a criação de seus produtos eróticos.
Quem já leu outras obras de Chuck já está acostumado com seus enredos carregados de humor negro e ironia. No caso de "Clímax" há uma crítica implícita aos livros do estilo "mommy porn" que invadiram as livrarias e venderam milhões de cópias e servem única e exclusivamente para entreter as mamães entediadas. São narrativas que geralmente colocam a mulher numa posição inferior aos homem, quase de servidão sexual.
Em "Clímax", o primeiro capítulo mostra Penelope sendo estuprada em um tribunal, diante de uma plateia que assiste a tudo atônita e resignada, e que no final pede a Penny que se case com o seu agressor... Tal cena nos faz refletir sobre o potencial feminino de reação diante de situações como estas - afinal os homens conhecem o nosso poder, e por isso, sociedades inteiras buscam nos castrar, oprimir e controlar.
No final uma pergunta resta: o que seria do mundo se a mulher se emancipasse completamente?
Pense nisso!!!

Boa noite e boa leitura.

"Clímax"
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Páginas: 215

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 27 de junho de 2018

O homem de giz - CJ Tudor

Um dos meus passatempos preferidos é passear de vez em quando pela Saraiva Megastore, do Shopping Center Norte, aqui em São Paulo.
Num desses passeios, encontrei um livro em promoção: "O homem de giz" da autora britânica CJ Tudor (Sim! Mais uma autora britânica).



Segue a resenha abaixo:

Eddie Addams era apenas um garoto de 12 anos, quando junto de seus amigos encontrou partes de um corpo em um bosque, numa pequena cidade do interior da Inglaterra. O mais interessante é que a localização de cada parte do cadáver foi sinalizada por desenhos de giz.
Com o passar dos anos, Eddie e seus amigos Gavin, Hoppo, Mickey e Nick (uma garota) tentam superar o trauma, entre idas e vindas em trajetórias que se confundem.
Gavin por exemplo sofre um acidente de carro e fica paraplégico. Mickey, perde o irmão mais velho de maneira trágica, Nick sofre danos irreparáveis após uma agressão ao pai - um reverendo da Igreja Anglicana - que fica demente e é mandado a uma espécie de retiro psiquiátrico. Hoppo e Eddie, sofrem com a doença de seus pais - a mãe de Hoppo com demência senil e o pai de Eddie com Mal de Alzheimer.
Meus Deus! Quanta tragédia... Mas não para por aí, porque a questão central da história ainda precisa ser respondida: quem matou Eliza? Sim, a menina do bosque tinha nome e foi identificada... Apesar de nunca terem encontrado sua cabeça, os policiais chegaram a conclusão de que se tratava de Eliza.

A narrativa alterna-se entre passado e futuro, e em alguns momentos o leitor pode se sentir perdido (eu me senti um pouco), mas essa dinâmica é interessante pois torna a leitura mais fluida.
O narrador em primeira pessoa (mais um, heim - faz tempo que não sei o que é ler uma narrativa em terceira pessoa) apesar de subjetivo - pois é a visão de mundo de Eddie Addams que prevalece - torna o texto rico e intenso, trazendo a tona as emoções da personagem, além de ir revelando pouco a pouco, alguns de seus segredos mais sombrios e profundos.
As personagens não decepcionam. Cada uma delas, com seu perfil psicológico bem traçado que se desenvolve ao longo do enredo, revela o pior e o melhor de seu caráter - porque sim, esse é o escopo do livro: causar uma reflexão sobre o que é a bondade, traçar um paralelo entre bem e mal e mostrar o quanto estes extremos podem ser relativizados.
Algumas temáticas abordadas ao longo da história, como por exemplo estupro, aborto, relacionamento entre pessoas com diferença muito grande de idade e hipocrisia religiosa, nos fazem refletir muito sobre o quanto somos fechados e não discutimos esses tabus, nem em nossas casas e tampouco em sociedade.
Gostei muito de uma frase da mãe de Eddie - a médica Marianne - que me casou impacto, gerou um questionamento interno e muita reflexão:
"- Esse é o ponto, Eddie. Você precisa entender que ser uma pessoa boa não é cantar hinos ou orar para algum deus. Não se trata de ostentar uma cruz ou ir à igreja todo domingo. Ser uma pessoa boa tem a ver com a maneira como você trata os outros. As pessoas boas não precisam de religião, porque sabem em seu íntimos que estão fazendo a coisa certa."

Lindo... E é com essa frase que me despeço de vocês, recomendando essa obra e desejando uma boa leitura!!!

"O homem de giz"
Autora: CJ Tudor
Editora: Intrínseca
Páginas: 269

Avaliação: 5 estrelas

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quinta-feira, 14 de junho de 2018

O lar da Srta. Peregrine, para crianças peculiares - Ransom Riggs

Na "Bienal do Livro" de 2016, encontrei no estande da Editora Leya, o primeiro livro da trilogia "O lar da Srta. Peregrine, para crianças peculiares" do autor americano Ransom Riggs. A figura na capa, uma garotinha flutuando no ar - que mais tarde descobri se tratar da personagem Olive Elephanta - me atraiu logo de cara e adquiri a obra, pela bagatela de dez reais.
As duas obras sequenciais da trilogia (Cidade dos etéreos e Biblioteca de almas), ganhei de presente de Natal de minha mãe, em 2017. Entretanto, não li os livros numa tacada só. Ambos foram lidos com o espaço de mais ou menos uma ano entre eles - o que contribuiu para que eu exercitasse bastante minha capacidade de rememorar estórias.

O enredo desta obra gira em torno da descoberta do garoto Jacob Portman. Jacob, um adolescente de classe alta, que vive com os pais na Flórida, desde a tenra infância escuta estórias mirabolantes do avô, Abraham Portman, que lutou na Segunda Guerra Mundial contra monstros escabrosos e lá havia conhecido crianças com poderes sobrenaturais - os seres peculiares.
Após testemunhar o assassinato do avô, que morre pelo ataque de um monstro, o garoto é forçado pelos pais a frequentar um psiquiatra, visto que estes acreditam que sua visão do "ataque" na realidade tenha sido um surto.
Após um tempo de molho, Jake sente vontade de visitar a pequena ilha britânica de Cairnholm, onde seu avô dizia ter vivido com estas crianças. Uma caixa cheia de fotos antigas de adultos e crianças "diferentes" - flutuando, pegando fogo, cheias de abelhas, invisíveis - o estimula a buscar este "local peculiar", a fim de conhecer estes "seres peculiares" e desvendar os mistérios que rondam a morte de seu avô.
A história se passa no presente, mas a partir do momento em que o rapaz descobre fendas do tempo, onde os peculiares se escondem dos monstros denominados "acólitos" e "etéreos", a narrativa retorna ao passado. A fenda onde Abe, seu avô vivia, é uma fenda presa na época da Segunda Guerra. Lá Jacob finalmente encontra as crianças peculiares e a ymbryne Srta. Alma Peregrine, uma peculiar com poder de se transformar em ave, que havia resgatado Abe dos nazistas e o levado a salvo até a fenda.
A narrativa se dá em primeira pessoa, com Jacob narrando a história sob seu ponto de vista, o tempo todo. Nesse caso, a subjetividade da personagem ao narrar se mostra fascinante, pois mexe com a imaginação do leitor.
As personagens criadas por Ransom são riquíssimas, e cada criança ou ser peculiar que surge na estória, possui um universo psicológico interessantíssimo além dos mais variados "talentos", como o de Emma por exemplo - que possui capacidade de produzir chamas com as mãos, Millard - que é invisível, Hugh - que possui abelhas dentro do estômago e é capaz de controlá-las...
O melhor de Ransom Riggs é isso, a sua capacidade de criar estes personagens e suas respectivas histórias, a partir de fotos antigas, vindas de várias fontes - desde sua própria coleção até a de outros amigos - que vão sendo expostas ao longo do livro. Ransom é formado em cinema e sua paixão por estas fotos o conduziu a criação desta obra maravilhosa, que nos transporta para dentro das imagens, as quais passam a ter vida!
O lar da Srta. Peregrine vai mostrar - a maior parte do tempo - crianças e adolescentes em luta, unidos contra acólitos do mal, afim de libertar sua ymbryne das garras destes homens astuciosos, sedentos por poder e dominação.
É lindo poder ver que as diferenças são tratadas dentro do contexto, como algo natural, e cada um sabe conviver de maneira civilizada, aceitando e respeitando as peculiaridades do outro - e estas forças peculiares, no final, se somam para que um objetivo em comum seja atingido: libertar o "povo peculiar" da opressão.

Uma lição e tanto, por isso recomendo muito essa leitura!!!
Mamães, leiam para seus filhos : )

"O lar da Srta. Peregrine para crianças peculiares" - Livros I, II e III.
Autor: Ransom Riggs
Editora(s): Leya e Intríseca

Avaliação: 5 estrelas 

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Umbanda é coisa do capeta? - Leia ARUANDA de Robson Pinheiro e entenda essa religião maravilhosa!

O preconceito nos impede de acessar novas possibilidades, coisas maravilhosas que podem nos acrescentar muito como seres humanos.
Durante muito tempo foi esse preconceito, arraigado em mim devido a anos frequentando religiões de matrizes puramente cristãs  (estas, muitas vezes se revelam extremamente preconceituosas) que me manteve afastada do espiritismo.
No entanto, um belo dia resolvi conhecer a Doutrina de Kardec e começei a estudá-la mais a fundo, me apaixonei por seu caráter consolador e entendi, que este "Consolador" tão prometido nos Evangelhos, tinha chegado até nós a fim de mostrar a grande misericórdia de Deus para conosco.
Entendi que nada é por acaso, que nenhuma das experiências que vivenciamos é sem motivo. Se a explicação para uma vicissitude não está na vida presente, pode estar em uma existência passada.
Mas a cereja do bolo, me foi apresentada durante uma "Gira" em uma Casa de Umbanda.
Confesso que ao receber o convite para conhecer o ritual umbandista, fiquei muito apreensiva, mas aceitei e parti em busca da ajuda de que tanto precisava naquele momento.
E foi a melhor decisão que tomei até hoje - não me arrependo um segundo sequer, pois a Umbanda mudou minha vida.
Nesses três anos de convivência e aprendizado nos Centros, com os amados Pretos-Velhos, Caboclos, os temidos Exus e tantas outras Entidades que me auxiliaram a superar obstáculos, a vencer desafios e a me fortalecer para as lutas, amadureci muito.
Entendi que a Lei do Retorno rege nossas vidas e não há como escapar dela. Compreendi que muitas das situações difíceis pelas quais passei foram frutos de minha teimosia, da mania de ficar reclamando, temendo, exasperando-se frente as intempéries. 
Aprendi que um guerreiro encara as lutas de frente, de peito aberto e não teme jamais, pois sabe que está amparado por seres de luz - desde que o escopo de sua vida seja fazer o bem, é claro. 
O Livro "Aruanda", do médium Robson Pinheiro, traz ao leigo uma compreensão melhor de como funciona a realidade do mundo espiritual - que também possui suas lutas- além de expor as hierarquias e falanges espirituais, explicando a função e a especialidade de cada uma das legiões atuantes no mundo dos espíritos.
O autor, o espírito Ângelo Inácio (Robson psicografa a obra, orientado por este mentor), nos mostra ações do cotidiano destas Entidades e das lutas que travam o tempo todo em nosso auxílio (sempre que pedimos é claro... afinal eles não podem interferir em nosso livre arbítrio). As ferramentas utilizadas por eles em seu trabalho, ou seja, os elementais da natureza, também são abordados no livro, ampliando ainda mais os conceitos de magia que a Umbanda evoca em seus rituais.
Aliando a narrativa de Ângelo a trechos das obras de Kardec, esse livro vem nos mostrar que o Espiritismo é um só, que não há distinção entre trabalhadores das mesas brancas e das Casas de Umbanda, já que todos estão lá por um único objetivo em comum: praticar a caridade.
E só para constar, a Umbanda não adota a prática de sacrifício de animais - o que eu também considero totalmente desnecessário!!!

Por fim, saliento que essa religião maravilhosa, que tem sido veículo de grande bençãos aos que a procuram, está longe de ser obra do Capiroto.
Falta ás pessoas a busca por esclarecimento e sobretudo o respeito pela crença do outro, já que toda doutrina que prega e faz o bem deve ser propagada e não combatida, afinal o mundo precisa de AMOR!!!



quinta-feira, 17 de maio de 2018

Uma sombra na escuridão - Robert Bryndza

Sabe aquele momento, que agente passa distraído pela vitrine da livraria e tem a atenção desviada, repentinamente, para uma placa com os dizeres: oferta, 70% de desconto em livros!!!
Foi num rompante de consumismo, estimulado por uma promoção como essa (que era boa mesmo, nada de enganação!) que adquiri meu exemplar do título "Uma sombra na escuridão" do autor  britânico Robert Bryndza.
Já critiquei outros autores britânicos neste blog, mas hoje vou seguir um caminho diferente: vou elogiar.
Robert Bryndza é também autor do best seller "A garota no gelo", que pretendo ler posteriormente, para conhecer mais da personalidade de sua protagonista - Erika Foster, uma detetive obstinada e destemida da Polícia Metropolitana de Londres, que no suspense "Uma sombra na escuridão" me cativou instantaneamente.
Logo de cara já me identifiquei com Erika, porque ser mulher no meio policial é uma tarefa desafiadora e exige muita determinação por parte de nós, mulheres, que tendemos a enfrentar um ambiente de trabalho extremamente machista e preconceituoso.
Apesar de muito competente, Erika possui seus demônios internos. Em uma batida policial ocorrida anos antes, a detetive perdera vários parceiros e o próprio marido (que também era policial). Desde então, sua eficiência profissional passa a ser comprometida, sobretudo por sua impulsividade.
Dois anos depois do fato acima referido - em uma tarde de verão londrina - a equipe da detetive Foster, recebe uma ligação que solicita uma viatura para uma cena de homicídio. Um médico de meia idade, o Dr. Gregory Munro, é encontrado morto em sua casa, com um saco amarrado na cabeça.
Os detetives auxiliares de Erika, Moss e Peterson, além do legista Isaac Strong, colaboram muito para a investigação que é conduzida de forma a encontrar a assassina (sim, eles desconfiam que seja uma mulher) que dois dias depois volta a cometer mais um crime - a morte do jornalista sensacionalista Jack Hart.
A perícia por fim, confirma que o DNA encontrado nos locais dos assassinatos é de uma mulher, e fotos tiradas por um paparazzi nas redondezas da casa de Jack confirmam que antes de sua morte, uma figura feminina vestida de preto, esteve presente no local.
Após o terceiro assassinato - a mulher já se torna de fato uma serial killer - Erika está louca para colocar suas mãos na criminosa. Entretanto, uma reviravolta acontece, surpreendendo-nos e ocasionando o afastamento de Foster das investigações.

Apesar das intempéries que surgem, a obstinada detetive não vai desistir de desvendar o mistério por traz de todos os assassinatos, nem tampouco se deixará abater por algumas questões pessoais que a põem a prova naquele momento.

Recomendo a leitura dessa frenética obra, porém cabe uma ressalva. Tenho certeza que os leitores mais assíduos podem vir a notar certos furos no roteiro, no entanto, estes não comprometem a qualidade da leitura que flui e tem uma enorme capacidade de nos prender.

Se você for ler antes de dormir, não esqueça de olhar debaixo da cama... 

 Boa noite!