quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Ligue o FODA-SE e seja feliz - Mark Manson

Numa tarde nublada de novembro, depois de sair do trabalho com a cabeça quente que  fervilhava com os problemas típicos de um hospital militar (ou seja, um hospital que já possui uma ambiente tenso, somado a um quartel onde a rigidez do militarismo se faz presente), resolvi passar em uma livraria para esfriar a cabeça.
Logo na entrada, avistei uma mesinha cheia de livros de capa cor-de-laranja que estavam em promoção. Empolgada, peguei um exemplar e o título me agradou: "A sutil arte de ligar o foda-se"- Nossa! - pensei comigo, é disso que estou precisando. Então, me sentei no estofado da loja para ler um pouco, antes de passar no caixa e pagar.
Mark Manson me conquistou com o primeiro capítulo, onde fala de Chales Bukowski - um ícone da literatura americana que viveu seus dias com o botão do foda-se completamente travado e produziu uma arte admirada por milhões de jovens, que se identificaram com seu estilo agressivo e inconformado de escrita, em que permitia fluir através da máquina de escrever seus pensamentos, sem a menor censura.
Ler essa obra me fez repensar meus valores, questionar minha postura diante dos fatos da vida, me responsabilizar por minhas próprias escolhas, além de me fazer perceber que a vida é curta, passa rápido e por isso o medo de errar não pode me engessar ou me impedir de viver com excelência.



Enumerei as lições e as descreverei abaixo para que você, ao ler esse breve resumo, sinta-se estimulado a buscar nesse livro a motivação para transformar sua vida, como eu transformei a minha:
1) Nem sempre dá para controlar o que acontece conosco, mas sempre podemos definir nossa interpretação dos acontecimentos e a nossa relação com eles;
2) Questionar a si mesmo e duvidar dos próprios pensamentos e crenças são habilidades que devemos desenvolver. Os narcisistas sempre acham que estão certos e portanto, devemos ter humildade para admitir que ás vezes estamos errados
3) Só podemos atingir a excelência em algo se estivermos dispostos a falhar. O medo de errar nos engessa. Se você recusa a correr riscos, não está disposto a ser bem sucedido.
4) Temos que fazer escolhas e nos responsabilizar por elas, não culpando os outros por nossos erros. Escolher e rejeitar caminhos, faz parte da vida e em certos momentos evitar conflitos e confrontos nos leva a uma existência sem valores, egoísta e hedonista. Dizer não é crucial pois não precisamos ficar em um relacionamento infeliz ou um emprego ruim, apenas fingindo que tudo é lindo e que não existe sofrimento.
5) A morte é inevitável. Um dia vamos morrer. E diante dessa constatação devemos optar por valores que nos libertem das ansiedades do dia a dia que nos impedem de enxergar o verdadeiro valor da vida.

Já nascemos fazendo escolhas, em função disso estamos propensos a errar. Se errarmos devemos ter a consciência de que a responsabilidade é nossa. Nada disso deve nos paralisar, pois o medo nos engessa. Entretanto, nem sempre a culpa pelas situações desagradáveis que ocorrem é nossa - e é nesse momento que apertamos o foda-se, quando entendemos que processar uma situação e reagir a ela também é nossa responsabilidade. Você escolhe se vai se importar com problemas pequenos, ou se vai viver com excelência perseguindo seus sonhos e objetivos com toda garra que possui.
Viver com o foda-se ligado significa se preocupar com as coisas que realmente valorizamos, sem deixar que as pequenas vicissitudes nos atrapalhem e nos impeçam de enxergar a grandeza da vida.

"A sutil arte de ligar o foda-se"
Autor: Mark Manson
Editora: Intrínseca
Páginas: 221

Avaliação: 5 estrelas


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domingo, 11 de novembro de 2018

Suicidas - Raphael Montes

Nove jovens são encontrados mortos no porão de uma casa de campo e os indícios apontam que eles haviam participado de uma roleta-russa. 
A delegada Diana Guimarães conduzindo as investigações sobre o caso, não consegue entender o que levou esses jovens aparentemente felizes e privilegiados, a cometer um ato tão extremo. Todos pertenciam a elite carioca e uma parte deles era composta de estudantes universitários com um futuro promissor pela frente.
As mães dos suicidas são então convocadas pela delegada, a prestar um depoimento coletivo com a finalidade de juntar as peças de um quebra-cabeças, utilizando-se de anotações encontradas na casa de Alessandro Parentoni, um dos rapazes que havia se suicidado, mas que no entanto deixara um diário onde narrou os eventos dos dias que antecederam o jogo tenebroso e derradeiro, que os levou a morte.
Emocionadas e fragilizadas pela perda, essas mães tentam recompor através de depoimentos a história sombria contida por trás dos papéis que cada um dos jovens desempenhou no planejamento e execução da roleta-russa. A narrativa contida nas anotações de Alessandro, revela que as máscaras sociais de cada um dos participantes caem aos poucos, a medida que se aprofundam no jogo.
Regada a álcool e drogas, a trama perversa mostra que por trás do papel de universitários aplicados e filhos exemplares, existem segredos e desejos reprimidos que vem a tona revelando o que há de pior em cada um dos jogadores.



Raphael Montes conquistou meu coração de leitora desde que li "O Vilarejo" - um livrinho com mais ou menos cem páginas de puro terror e criatividade!
Posteriormente li "Jantar Secreto" e "Dias perfeitos", todas estas, obras maravilhosas que nos mostram o potencial deste autor tão jovem, que já é sucesso de público e crítica aqui, e no exterior.
Temos que valorizar os autores brasileiros, sobretudo os da nova safra!
A obra mencionada acima, "Suicidas", provocou em mim a seguinte reflexão: embora tenhamos o suficiente para sermos felizes, nunca nos satisfazemos. Sempre precisamos de mais... Mas a verdadeira felicidade consiste em valorizar as coisas simples da vida. Seres humanos que crescem sem limites - que nunca escutam "NÃO" - são incapazes de lidar com as frustrações e desafios que o mundo real inevitavelmente vai impor a eles e aí, vem o desequilíbrio e a busca por uma válvula de escape - ás vezes extrema - como o suicídio.
O final desta história vai te surpreender! Recomendo a leitura desta obra, sobretudo porque é primeira do autor que foi finalista de vários prêmios de literatura nos últimos anos.

Vamos valorizar os autores brasileiros!!!

"Suicidas"
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das letras
Páginas: 430

Avaliação: 5 estrelas


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