quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Saiba a diferença entre as quatro opções de vacinas contra o Coronavírus disponíveis para testes no Brasil.

 A população brasileira está apreensiva a respeito da vacinação contra o coronavírus. As especulações midiáticas, sobretudo as que tem viés político, não ajudam em nada a esclarecer as questões técnicas a respeito das vacinas.
Segue abaixo, uma breve resenha contendo explicações sobre as características de cada uma das vacinas que estão autorizadas pela ANVISA a realizar testes clínicos no Brasil:

Vacina da Pfizer - é uma vacina de RNA, ou seja, feita com um pedacinho do código genético do coronavírus: o trecho responsável pela codificação da proteína spike (que são esses pequenos prolongamentos, contidos na superfície do vírus) através da qual o vírus se conecta às células humanas.

Vacinas da AstraZeneca (Oxford) e da Janssen - São do tipo "vetor viral", elas usam um segundo vírus como veículo. A vacina utiliza como vetor um adenovírus que infecta chimpanzés e sofreu duas modificações em laboratório: foi enfraquecido para que não consiga se replicar no corpo humano  e ganhou a proteína spike do coronavírus. Quando a pessoa toma essa vacina, seu sistema imunológico ataca o adenovírus e cria uma memória contra o spike. Mais tarde, se ela for contaminada pelo coronavírus, o organismo irá reconhecê-lo e disparar uma resposta imunológica imediata, debelando a infecção. Pura tecnologia!

Vacina Coronavac (China) - A vacina chinesa é a mais simples, porque é a única que não se baseia em uma tecnologia nova. Trata-se de uma vacina de vírus inativado. A inativação é uma técnica dominada pela ciência há mais de 50 anos, e consiste em pegar o vírus e submetê-lo ao calor, ou a uma substância química como o formol para "matá-lo" tornando-o incapaz de infectar células humanas.



Qual vacina você tomaria? 
Se eu pudesse escolher, daria preferência as da Pfizer, da AstraZeneca ou da Janssen, por dois motivos; primeiro - possuem tecnologias que te expõe a apenas uma fração mínima do vírus e, segundo - porque sou farmacêutica e trabalho há muitos anos em contato com estes laboratórios, por isso confio muito no trabalho deles.

A fonte para essa resenha foi a Revista Super Interessante, Edição 421, de Novembro de 2020.
Caso queira obter mais informações, vale a pena lê-la!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

A Corrente - Adrian McKinty

 "A Corrente" foi a obra que me acompanhou em minha viagem de férias esse ano. Sim, férias! Porque nós profissionais de saúde não ficamos em quarentena.
Passei uma semana em Capítólio - Minas Gerais - paisagem bucólica, águas cristalinas e revitalizantes. Deitada em uma espreguiçadeira, com o Rio Grande a frente, eu devorava o livro nos finais de tarde e o fato de ser uma leitura mais densa, não tirou o prazer daqueles momentos de abstração e sossego. Foram dias que guardarei na memória para sempre!


Segue a resenha:

O dia começa como qualquer outro. Rachel Klein deixa sua filha Kylie no ponto do ônibus escolar e segue para uma consulta na oncologista, mas um telefonema desconhecido muda tudo.
Do outro lado da linha, a voz implacável de uma mulher a avisa que Kylie está no banco de trás do seu carro e que Rachel só verá a menina de novo se, além de pagar o resgate, sequestrar outra criança.
Assim como Rachel, a mulher é mãe, e também teve seu filho sequestrado. Se Rachel não fizer exatamente o que ela manda - rompendo assim o elo da "Corrente" - o menino morre e Kylie também. Agora, inevitavelmente, Rachel faz parte dessa "Corrente", um esquema aterrorizante que transforma os pais das vítimas em criminosos - e ao mesmo tempo, deixa alguém muito rico.
Rachel é uma mulher comum mas, nos dias que se seguem, será levada a extremos que ultrapassam todos os limites do aceitável. Ela será obrigada a fazer escolhas morais inconcebíveis e executar ordens terríveis. A "Corrente" é apavorante e totalmente anônima. As regras são simples: pagar o valor de resgate exigido, escolher outra vítima - que não seja próxima a policiais, políticos ou jornalistas - e cometer o ato abominável do qual, apenas vinte e quatro horas antes, você se julgaria incapaz.
As mentes sádicas e insanas por trás da "Corrente" sabem que os pais farão qualquer coisa pelos filhos. Mas dessa vez, a entidade não sabe que se deparou com uma oponente à altura. Rachel é perspicaz, determinada e uma sobrevivente do câncer!

O autor irlandês, Adrian McKinty, inspirou-se em um esquema inventado pelos cartéis mexicanos, no qual membros da família podem se oferecer para trocar de lugar com uma vítima de sequestro mais vulnerável. O cartel de Jalisco, aterrorizou o México com suas estratégias macabras e McKinty, associou essa ideia a sua própria experiência de vida com "Correntes". Quando criança, recebeu uma dessas cartinhas de corrente, típicas da infância, que quando "rompida" promete causar danos irreparáveis a quem não a passar para frente.

Na minha opinião essa é uma história original, que prende a atenção e nos sensibiliza com os dramas vividos por Rachel. Além de enfrentar um câncer, ela ainda tem de lidar com o sequestro da filha - imagine o sofrimento! A demonstração de força dessa mulher é algo admirável e no final da história foi impossível conter as lágrimas de felicidade pelo destino dessa linda personagem! (Eu sou dessas que se envolvem emocionalmente com suas leituras!)



"A Corrente" 
Autor: Adrian McKinty
Editora: Record
Páginas: 373

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Tartarugas até lá embaixo - John Green

 Sabe aquele livro, que depois de ter terminado de ler, você se pergunta: Meu Deus! por que não li antes? 
Pois esse é o caso de "Tartarugas até lá embaixo", do consagrado autor americano John Green, famoso por também ter escrito "A culpa é das estrelas".
O título, um tanto estranho, foi o que me manteve distanciada da obra por algum tempo. Mas como as minhas experiências de leitura referentes a John Green haviam sido interessantes anteriormente, resolvi me arriscar e valeu a pena!


Aza Holmes é uma adolescente com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Caracterizado por pensamentos e medos irracionais que levam a comportamentos  compulsivos, o TOC de Aza está relacionado ao medo excessivo de germes, bactérias, fungos e parasitas que possam vir a ocasionar doenças e até sua morte.
Por esse motivo Aza tem medo de se relacionar afetivamente. Beijar garotos se torna um grande desafio para ela, uma vez que o receio de contrair uma infecção supera qualquer sensação agradável que um contato íntimo possa causar. Pensamentos recorrentes sobre germes crescendo e se multiplicando em suas entranhas, devido a troca de saliva e outras secreções, ocupam a mente da jovem e fica claro ao longo da narrativa que atrapalham demais suas relações interpessoais.
Apesar disso, a jovem possui uma grande amiga, Dayse, e um pretendente a par romântico - Davis Pickett - um rapaz bilionário, cujo pai está foragido da justiça acusado de fraudes e desvios de dinheiro em obras públicas. Por qualquer informação que leve a seu paradeiro, a polícia oferta U$ 100.000,00 (cem mil dólares) e a bufunfa atrai a atenção de Dayse, que incentiva Aza a acompanhá-la em uma caçada ao meliante.
A princípio Aza se empolga a até tenta bancar a detetive ao lado da amiga a fim de encontrar Russel Pickett, mas seu transtorno a impede de seguir em frente.
No decorrer da história, percebemos que a doença mental de Holmes tira dela qualquer chance de levar uma vida normal, e no final do livro, lendo os agradecimentos, descobri que "Tartarugas até lá embaixo" se trata de uma obra autobiográfica. John Green revela a imensa dificuldade que enfrentou durante sua vida em virtude de possuir TOC, e que após encontrar ajuda médica, têm conseguido superar o distúrbio e tocar sua rotina com mais leveza.
Abordando o tema com coragem e delicadeza, o autor não só expõe suas feridas como também contribui para que os jovens leitores que se identifiquem com seu caso, se sintam compelidos a procurar auxílio especializado e que acima de tudo, procurem o autoconhecimento.
Autoconhecimento e autoaceitação são fundamentais. São o pontapé inicial do tratamento para esse mal que afeta boa parte da humanidade. 

Recomendo essa leitura, para você que tem TOC. Doença mental tem tratamento, procure ajuda!

"Tartarugas até lá embaixo" 
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 269

Avaliação: 5 estrelas

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terça-feira, 15 de setembro de 2020

"Drácula" - Bram Stoker

 Como já mencionei em uma postagem anterior, "Drácula" é um romance gótico de autoria do escritor irlandês Bram Stoker. Ao contrário do que muitos pensam, a princípio não foi escrito como uma história de suspense ou terror, apesar de conter elementos desses dois gêneros literários em sua composição. 

Dracula - Pandorga - Livrarias Curitiba

Só a leitura é capaz de revelar as artimanhas de Bram para nos seduzir e prender-nos a narrativa. Escrita em forma de diários, intercalando os relatos de várias personagens, além de inserir cartas, publicações em jornais e até mesmo memorandos, a trama é construída em torno do misterioso Conde Drácula, um nobre da Transilvânia, que solicita os serviços do escritório de advocacia para o qual o jovem Jonathan Harker trabalha. Interessado em adquirir imóveis na Inglaterra, o Conde convida Harker a passar uma temporada em seu castelo para tratar de negócios, porém, passado um tempo, o jovem percebe que está aprisionado dentro da fortaleza assombrosa sob o domínio de seres sobrenaturais sugadores de sangue e energia, dentre eles, o próprio Drácula. 
Depois de perceber ter sido abandonado a própria sorte no castelo e de muitas tentativas mal sucedidas de escapar dele, Jonathan finalmente consegue fugir e vai parar em um convento em Bucareste. Sua noiva Mina Murray parte ao seu encontro na Romênia e os dois se casam lá mesmo.
Contudo, durante o tempo que Harker esteve preso na castelo do Drácula, eventos estranhos aconteciam em Whitby, no norte da Inglaterra, cidade onde Mina estava hospedada na casa de sua amiga Lucy Westenra. Um barco vindo da região da Rússia aportou em Whitby trazendo caixotes de madeira cheios de terra como carga, porém, além do Capitão que jazia morto, amarrado ao leme com crucifixos em torno do pescoço, nenhum dos tripulantes restara a bordo. Da escuna, saltara um lobo negro que fugira em meio a mata do vilarejo (seria o Drácula?), deixando seus moradores apreensivos.
Após o tétrico evento, a jovem Lucy inexplicavelmente começou a definhar. Se tornando uma pessoa letárgica, pálida e anêmica. Mina, desesperada, procura ajuda e tem no noivo de Lucy - Arthur Holmwood - um aliado na busca por uma explicação para sua "doença". Em seu socorro, logo surgem os médicos John Seward e Abraham Van Helsing, além do jovem americano Quincey Morris, fiel escudeiro de Arthur.
Não só Lucy, mas um dos pacientes do Dr Seward no hospício - o excêntrico Renfiled - passa a apresentar comportamentos bizarros ao nascer e ao pôr do sol. Começa a falar de um "Mestre" que o aguarda fora dali. Seu hábito peculiar de comer insetos, evolui para um desejo de possuir animais de sangue quente, como gatos por exemplo e isso deixa Seward apreensivo.
Tantas são desgraças que se seguem à chegada de Drácula ao Reino Unido, que o grupo de jovens, encabeçado pelo experiente Van Helsing decide persegui-lo e capturá-lo, dando início a uma caçada eletrizante.
Para os preguiçosos de plantão, que preferem assistir o filme, recomendo a versão dirigida por Francis Ford Coppola, que tem como protagonistas Gary Oldman, Keanu Reeves e Winona Ryder. É uma obra-prima fiel ao texto original, mas nada se compara ao livro. No filme teremos uma versão mais galanteadora e romantizada do Drácula. O homem atravessa os séculos em busca de seu amor perdido durante as batalhas intermináveis na Valáquia. E encontra Mina Harker. Já deu para entender o que vai acontecer, não é?
Enfim, recomendo o livro de Bram, o filme de Coppola, pois são obras-primas que marcaram gerações, mantendo o mito do vampiro ainda vivo entre nós!

"Drácula" 
Autor: Bram Stoker
Editora: Pandorga
Páginas: 431

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Bram Stoker - o criador do mito literário moderno "O Conde Drácula"


Ficheiro:Bram Stoker 1906.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre
Bram Stoker

Finalmente decidi ler o romance gótico "Drácula" do escritor irlandês Bram Stoker. Antes de postar a resenha (e já adianto que a leitura está sendo uma experiência maravilhosa) quero falar um pouco mais sobre o autor e também sobre o líder romeno que o inspirou para criação de sua personagem.
Abraham Stoker nasceu em 1847 em Dublin - Irlanda. Desde cedo demonstrou grande paixão pela escrita, chegando a atuar como jornalista, diretor de peças teatrais e funcionário público. Graduou-se em matemática, mas a paixão por escrever estórias tornou-se sua principal atividade.
Já era um ensaísta maduro quando resolveu escrever seu épico "Drácula". O romance gótico foi fruto de muitas pesquisas, através das quais Bram se aprofundou nos contos do folclore europeu envolvendo o mito do vampiro.
Baseando-se no cruel Vlad Tepes, o "Empalador", escreveu uma narrativa lúgubre e sombria, de personagens fortes - como o médico holandês Van Helsing - que também foi retratado no cinema e seriados, como caçador de vampiros.
Vlad Tepes, Vlad III, ou Vlad Dracul, como queiram chamar - era conde e príncipe. No século XV governava a região da Valáquia, uma província que ocupava quase todo o sul da Romênia. Resistindo à invasão do Império Otomano, Vlad Tepes matou de forma cruel milhares de inimigos, construindo sua reputação que ecoa ao longo dos séculos.
Vlad III recebeu o apelido "Tepes" que significa "Empalador" porque simplesmente empalava sua vítimas e muitas vezes assistia sua morte lenta e dolorosa, comendo na frente delas. Empalar, significa introduzir uma estaca no ânus de uma pessoa (ou no abdome, o que é menos chocante) enquanto ela agoniza, dias a fio.
Já o título "Dracul" vem da ordem cristã (isso mesmo, cristã) romena, dos Dragões a qual seu pai Vlad II pertenceu e cuja principal função era defender a Europa cristã do Império Otomano. Drácula, significa filho do dragão, mas dependendo da tradução pode também significar filho do diabo - isso se explica porque em romeno atual, dracul, significa diabo.
Após anos de batalha contra os otomanos, Vlad III sucumbiu e foi aprisionado por estes. Mas sua morte foi um mistério.
Quanto a lenda de que Vlad teria voltado dos mortos, boatos diziam que em uma de suas lutas teria batido a cabeça e entrado em coma. Porém, do dia para noite ele acordou e como se nada tivesse acontecido, voltou a guerrear.
Entre os romenos é considerado um herói de seu povo. Mas para os povos europeus, entrou para o rol dos mitológicos vampiros - seres sedentos por sangue.
Com maestria Bram uniu a figura histórica ao mito popular transformando-o num clássico, através de sua escrita soturna, porém poética.

Vale lembrar, que para os espiritualistas, vampiros existem, mas não sugam sangue e não são mortos vivos. São na realidade espíritos desencarnados que sugam a energia vital de seus obsediados. Para afastar tais espíritos, a fé em Cristo (o uso do crucifixo) e os banhos com ervas para limpar a aura (com casca de alho por exemplo) são antídotos essenciais.

Enfim, recomendo a leitura dessa obra sensacional! Sem dúvida alguma, Drácula é a personagem mais conhecida e explorada pela literatura, pelo cinema, e elevou o mito do vampiro a algo que transcende as mais diversas culturas!
 
Conde Drácula será um vampiro bissexual na nova série da Netflix

A resenha chega em breve!

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

De que são feitas as coisas - Mark Miodownik

 Passeando pela extinta Saraiva Megastore, do Shopping Center Norte em São Paulo, encontrei em uma de suas prateleiras essa preciosidade literária. Premiado pela "Royal Society" Britânica, e pela Communication Awards National Academies of Sciences, Engineering and Medicine como melhor livro de 2015, essa obra explica questões, tais quais: como é feito o concreto? Por que o chocolate fica com manchas brancas na superfície se é aquecido e depois resfriado? Ou, o que faz o diamante e o grafite , ambos feitos de carbono, serem tão diferentes?

De que são feitas as coisas: As curiosas histórias dos ...


Mark Miodownik, engenheiro de materiais, responde a essas e tantas outras perguntas, relatando suas experiências pessoais com cada um dos materiais. Miodownik ensina química o suficiente para explicar como são feitas as coisas mais importantes do mundo, mas fala de ciência de um modo acessível para todos.
Como farmacêutica hospitalar, adquiro muitos produtos para saúde de variadas composições - de plásticos a aço carbono - e nunca antes, uma leitura "não didática" me agregou tanto profissionalmente quanto essa. 
Esse livro, repassa nosso mundo material em uma tentativa de mostrar que, apesar de os materiais ao nosso redor poderem parecer bolhas de matéria com cores diferentes, são, na verdade, muito mais do que isso: são expressões complexas das necessidade e desejos humanos. E para criar esses materiais - para satisfazer nossa necessidade por coisas como abrigo e roupas, nosso desejo por chocolate e cinema - tivemos que fazer algo bastante incrível: dominar a complexidade de suas estruturas internas. Essa forma de compreender o mundo é chamada ciência de materiais e tem milhares de anos.
Uma das estruturas materiais mais fundamentais é o átomo. Sobre a Terra, existem naturalmente 94 tipos de átomos, mas oito deles formam 98,8% da massa da Terra: ferro, oxigênio, silício, magnésio, enxofre, níquel, cálcio e alumínio. O resto são, tecnicamente, elementos-traço, incluindo o carbono. 
Átomos, combinados de acordo com as regras da mecânica quântica, são expressões de muitas ondas de probabilidades e dessa forma, podem manifestar-se como condutores elétricos por exemplo, como é o caso do grafite que é constituído de carbono. Mas como explicar então, que o diamante, sendo composto exatamente pelo mesmo tipo de átomo (carbono) não possua a mesma propriedade de condutividade elétrica? É o que Mark explica nesse livro.

Com certeza essa obra vai permanecer em minha biblioteca particular. Recomendo essa encantadora leitura, a você que possui uma sede insaciável de conhecimento!

"De que são feitas as coisas" 
Autor: Mark Miodownik
Editora: Blucher
Páginas: 307

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 29 de julho de 2020

Os filhos do Imperador - Claire Messud

Descobri esse livro em uma simpática feirinha que encontrei no Shopping D, em São Paulo, dessas que você paga R$ 10,00 por qualquer livro - e o melhor de tudo - você mesmo paga, não há vendedores ou caixas, apenas uma maquininha para pagar com cartão ou uma caixinha para depositar o dinheiro. Tudo na base da confiança. Sem câmeras, nem ninguém para vigiar. 
É esse o mundo que eu quero!!!

Os Filhos do Imperador - Saraiva

A obra escrita pela autora americana Claire Messud, retrata um fato que marcou toda a humanidade, no início do milênio. O ataque às torres gêmeas, alterou a dinâmica da vida dos americanos e consequentemente do planeta.
Atualmente estamos passando por algo parecido - a pandemia do coronavírus. Esta provocou um isolamento e distanciamento social, antes nunca vistos.
Esse é um livro interessantíssimo, sobretudo para se ler nesse momento.
Com estilo de escrita rebuscado, porém extremamente atraente, Claire Messud redigiu uma narrativa para pessoas já amadurecidas na leitura - ou seja - essa não é uma leitura para iniciantes.
Como única crítica, deixo claro, que a obra sofre com uma certa "encheção de linguiça", no meu ponto de vista não precisaria ter quase 500 páginas - poderia ter menos - ainda assim, ela é muito interessante.

Marina, Julius e Danielle eram amigos desde a faculdade e tocavam suas vidas fúteis em meio a elite de Manhattan. 
Murray Thwaite, o pai de Marina, era um intelectual bajulado no meio midiático e isso mantinha os três jovens orbitando ao seu redor, em busca de destaque e ascensão.
Rodeados por falsos admiradores, a rotina dessas pessoas é repentinamente quebrada pela chegada de Frederick Tubb - vulgo Bootie - sobrinho de Murray, que é o único capaz de enxergar e ter a coragem de dizer a verdade a respeito do vazio que é a vida daquelas pessoas e do "embuste" que é seu tio.
Bootie é o cara capaz de dizer a todos que "os filhos de Imperador estão nus".
Narrado num lapso de tempo que compreende os meses que antecedem ao ataque no 11 de setembro, e os meses subsequentes, esse livro te faz pensar sobre as coisas que realmente importam na vida. Seriam as aparências? Vale a pena viver uma vida de mentira? Estamos vivendo para sermos felizes ou para impressionarmos e agradarmos os outros?
O momento é propício para tais reflexões e por isso recomendo essa leitura.
Se essa pandemia e seus desdobramentos não estão sendo capazes de te fazer pensar e mudar de vida... Essa obra é um belo empurrão para tal!

Boa leitura! E aproveite para refletir.

"Os filhos do Imperador" 
Autor: Claire Messud
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 478

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Livro de Exu - o Mistério revelado - Rubens Saraceni (Exu é demônio?)

Rubens Saraceni foi um médium e escritor brasileiro. Fez estudos no campo da espiritualidade por mais de 30 anos. A inspiração de seus guias espirituais, originou sua vasta obra que conta com cerca de 50 livros, todos relacionados aos rituais de umbanda e as entidades envolvidas neles.
Dentre eles, temos o "Livro de Exu - o Mistério revelado", que trata de caracterizar a entidade Exu, com o devido respeito que ela merece.


Livro de Exu - Boa Nova

Exu é um mistério que desperta curiosidade em muitos e amedronta outros. Mas basta ler esse livro, para compreender que não há motivos para temê-lo. 
"Exu é um mistério do Divino Criador que possui uma faixa vibratória e um grau magnético só dele, pelos quais flui, irradia-se, atua e manifesta-se na vida dos seres."
Essa entidade, pertence a linha de esquerda na Umbanda, incorpora em seus médiuns, dá consultas a quem estiver disposto a falar com ele. Aconselha, orienta, defende, ajuda a superar dificuldades materiais, espirituais, familiares e de trabalho, sempre a partir de sua visão cósmica das situações, de seu senso de oportunidade e de seu entendimento pessoal de como deve proceder para responder a quem solicitou.
Exu é guardião da Lei, serve tanto às "trevas" quanto à luz. Atende a quem o oferenda. Aqui, cabe ressaltar que nada acontece sem a permissão do Divino, e Exu é cumpridor dos carmas.
É o ser que guarda os terreiros de Umbanda, Centros Espíritas, Igrejas e Templos do ataque de espíritos perturbados, arruaceiros. Também realiza a limpeza energética desses locais após as cerimônias que ali se desenrolam.
Para compreender melhor a característica de Exu, precisamos imaginá-lo como policial do astral. Capaz de prender marginais revoltadíssimos. Essa é uma tarefa difícil, pois exige certa especialização da entidade, no sentido de saber lidar com os delinquentes do astral, conhecendo a sua linguagem e ter o poder de encarcerá-los.
Portanto, assim como os policias do mundo material são temidos, muitas vezes injustamente, os Exus também o são.

Grandes trabalhadores, guardiões e fiéis defensores daqueles que o procuram!

Recomendo a leitura dessa obra, para desanuviar sua mente dos preconceitos. Exu não é demônio é um ser que atua como braço esquerdo de Deus, como guardião da lei maior!

Laroyê Exu! Exu é Mojubá!!!

"Livro de Exu - o Mistério revelado" 
Autor: Rubens Saraceni
Editora: Madras
Páginas: 112

Avaliação: 5 estrelas

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domingo, 21 de junho de 2020

A insustentável leveza do ser - Milan Kundera - Uma crítica ao regime comunista soviético

A insustentável leveza do ser - Livros na Amazon Brasil- 9788535912517
Milan Kundera é um escritor checo-francês, que após ser expulso da Tchecoslováquia pelo partido comunista, radicou-se na França e passou a escrever obras criticando o regime socialista da União Soviética, que havia invadido seu país e o dominado.


A insustentável leveza do ser é um livro que narra a história de dois casais - Tomas e Teresa, Sabina e Frank, que se cruzam em um enredo que tem como pano de fundo o contexto histórico da Primavera de Praga, que ocorreu em 1968, após a ocupação da Tchecoslováquia pelos russos.
O casal Tomas e Teresa possuía um relacionamento aberto. Teresa era garçonete e vivia uma vida pacata, enquanto Tomas era médico e sua vida profissional agitada, possibilitava que entrasse em contato com diferentes tipos de mulheres, com as quais engatava relacionamentos furtivos. Uma delas fora Sabina.
Sabina era uma estudante de artes, que após a invasão de seu país, resolveu se mudar para a Suíça, perpetuando seu relacionamento extra-conjugal com seu professor da faculdade, Frank. Frank era casado com Marie Claude, mas Sabina era uma jovem de espírito livre e solteira.
Teresa sabia das escapadas de seu marido e quando ele decidiu partir para a Suíça, em busca de "liberdade", já que a opressão russa se fazia sentir, Teresa não se surpreendeu. Ambos partiram rumo ao novo país e Tomas continuou exercendo sua profissão por lá.
Porém, o peso de um relacionamento instável tornou a vida insuportável para a mulher, que passava seus dias em casa, esperando o marido chegar do trabalho e das noitadas com suas amantes. Sem mais nem menos, Teresa partiu de volta para sua terra natal e a insustentável leveza do ser, da paz de espírito, tomou conta do seu ser, finalmente. Como companhia, Teresa tinha sua cachorra Karenin, batizada em homenagem ao livro de Tolstói. 
Tomas por fim, decidiu retornar a Praga, pois sentiu falta da esposa e reconheceu que a vida sem a mulher que o amava de verdade - muito além do amor puramente carnal - não fazia sentindo. Entretanto, passou a ser perseguido pelos comunistas que, incomodados com suas críticas públicas ao regime, o impediram de exercer sua profissão. A partir de então, Tomas passou a lavar vidraças para sobreviver.

Com uma narrativa não linear, Milan Kundera nos leva a abstração em vários momentos da estória, através de reflexões filosóficas e críticas contundentes ao regime que invadiu seu país. A perda da nacionalidade fez com que o povo checo se rebelasse contra seus invasores e tomasse atitudes como por exemplo, remover as placas que nomeavam as ruas, a fim de deixar os inimigos perdidos. O comunismo, mais do que roubar a identidade daquelas pessoas, arruinou seu país e suas vidas particulares foram despedaçadas com isso.
Para os que ainda acreditam na utopia do comunismo, ou do socialismo, recomendo essa leitura. Por meio dela, concluímos que os responsáveis pela ruína e morte de milhões de pessoas não foram os idealizadores dessa teoria, mas seus entusiastas. Para estes, mentir, roubar, corromper e matar, desde que seja pelo ideal do "partido", vale a pena.
Nessa trama envolvente, Kundera trouxe à reflexão do leitor um tema que mais do que nunca exige nossa atenção. Priorizar o coletivismo em detrimento dos direitos individuais dos seres humanos é opressor. É triste imaginar que durante o regime soviético tantas pessoas morriam de fome, frio e eram forçadas a distanciar-se de suas famílias e abrir mão de seus sonhos.
E a pergunta que não quer calar é a seguinte: e se isso tivesse acontecendo com você? Te convido a refletir.


"A insustentável leveza do ser" 
Autor: Milan Kundera
Editora: Companhia de bolso
Páginas: 307

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Apocalispe - Robson Pinheiro, uma reflexão sobre o fim dos tempos.

A obra intitulada "Apocalipse", psicografada pelo médium brasileiro Robson Pinheiro e inspirada pelo espírito Estevão, foi por algumas semanas minha leitura de cabeceira.
É inspirador entrar em contato com as interpretações de Estevão a respeito do livro profético, escrito pelo apóstolo João, quando estava exilado na Ilha de Patmos por ordem do Imperador Romano.
Para os marinheiros de primeira viagem, que nunca antes tiveram contato com o livro bíblico, uma primeira leitura pode ser bastante confusa e assustadora - visões sobrenaturais, aterrorizantes - na realidade não passam de metáforas utilizadas por João, para explicar suas visões futurísticas. Visões de monstros voadores gigantes, podem se tratar de vislumbres dos aviões utilizados nas guerras, por exemplo.
No entanto, Estevão aborda as profecias apocalípticas sob um prisma otimista, sem deixar de nos revelar verdades profundas arraigadas na história da humanidade. Camuflados entre as visões extraordinárias de João, estão contidos fatos como por exemplo a derrocada do Império Romano, as Cruzadas Medievais, a Reforma Protestante e as duas Grandes Guerras. Porém, como pano de fundo, a presença constante da Igreja Católica é o que mais chama atenção. É um tanto polêmica a interpretação de Estevão sobre o simbolismo da "Prostituta assentada sobre a Besta" - essa meretriz, vestida de escarlate e adornada de ouro, proferindo nomes de blasfêmia e se auto proclamando a representante de Deus na Terra, seria a própria Igreja dos Papas.
O falso profeta seria o Papa católico, a Besta, seria doutrina de Cristo deturpada por homens, que só visam o próprio bem-estar e o ganho financeiro. Mas não tem só crítica para os católicos não! Os pastores protestantes são descritos como os falsos milagreiros, que "fazem cair fogo dos céus" - uma alusão ao Pentecostes, tão celebrados pelas igrejas evangélicas que só têm visado lucro, usurpando o trono de Cristo para agir de má fé e ludibriar pessoas incautas.
Os cavaleiros do Apocalipse surgem e semeiam peste, guerra e morte. O joio é separado do trigo. E em meio a tudo isso, surge o Anti-Cristo, que pregando uma doutrina materialista - através da qual contraria todos os valores espirituais ensinados por Jesus - e se diz o Salvador da humanidade.
Pasmem, mas tudo isso parece estar acontecendo, certo?

Não se assustem, mas o fim dos tempos está próximo sim! Porém, para aqueles que estão vibrando na luz, no amor e na paz de Cristo, não há o que temer. Tempos maravilhosos nos aguardam, sobretudo para aqueles que estão vigilantes, em oração e perpétuo estado de comunhão com seu Eu Superior, com a consciência Crística que habita dentro de si.
É essa comunhão que nos liberta do ego, do materialismo e das tendências mesquinhas que podemos alimentar. É essa verdade que salva.
Jesus está chegando e sua luz fraterna já se faz sentir no meio de nós.
Quanto àqueles que preferirem permanecer céticos - até diante de uma pandemia, que está fazendo a maior parte da população mundial permanecer em casa trancafiada, perecendo - só resta o meu lamento. Mas a vida é feita de escolhas e devemos respeitá-los, mesmo assim.

Eu tenho palpites sobre quem são os mentores de uma mundo materialista, ateu, voltado para o ego e completamente desvinculado da espiritualidade. E você?

Papa Francisco – Wikipédia, a enciclopédia livre Xi Jinping – Wikipédia, a enciclopédia livre Além da covid-19: cinco vezes em que Gates previu uma pandemia – e ... Emmanuel Macron – Wikipédia, a enciclopédia livre

"Apocalipse" 
Autor: Robson Pinheiro - Pelo espírito Estevão
Editora: Casa dos Espíritos
Páginas: 272

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 29 de abril de 2020

"A paciente silenciosa" - Alex Michaelides

Não estou isolada em casa na quarentena. O dever me chama e todos os dias saio para trabalhar em um hospital.
A tensão, o estresse e a correria dos dias de labuta, podem ser suavizados, e a leitura tem sido minha grande parceira nesse sentido.
Nessa última quinzena tive o prazer de ler o suspense psicológico de Alex Michaelides, um autor greco-cipriota que se destacou ao escrever a obra "A paciente silenciosa", através da qual narra a relação psicólogo-paciente e tem como pano de fundo o assassinato de Gabriel Berenson, um famoso fotógrafo inglês, por sua esposa, a pintora renomada Alicia Berenson.


Antes do fechamento dos comércios dei uma passadinha na Livraria Saraiva do Shopping Center Norte aqui em São Paulo e comprei o livro. A livraria estava vazia, então, me sentei no banco estofado do segundo andar e li um pouco. É claro que não saí de lá sem essa belezinha! Segue a resenha:

Theo Faber, um psicólogo bem sucedido, se comove com o caso da pintora Alicia Berenson, que, após assassinar o marido, Gabriel Berenson, é internada em uma casa de custódia e permanece calada, por anos a fio, se isolando em seu mundo interior.
Tal comportamento, gera além de desconforto, muita curiosidade por parte da sociedade, que acompanha os desdobramentos do caso Berenson sem compreender ao certo os motivos de Alicia para permanecer sem verbalizar absolutamente nada.
Theo se candidata a uma vaga de emprego no "Grove" - a casa de custódia - e passa a ser o psicólogo encarregado de acompanhar "a paciente silenciosa".
O objetivo do rapaz é fazer Alicia falar. Quer trazê-la para o mundo real e despertá-la para a realidade aos seu redor, dessa forma, pretende fazê-la se abrir aos poucos e relatar os motivos por trás do assassinato do marido.
Mas a homicida não fala. Pelo contrário, permanece taciturna em todas as consultas e na primeira distração de Theo, o ataca, agredindo-o e sufocando-o. Mas mesmo assim, ele não desiste da mulher.
Em paralelo, contrariando as ordens do Diretor da Instituição - o terapeuta Diomedes - Theo passa a conduzir uma investigação sobre a vida pregressa de Alicia, visitando amigos, parentes e os locais onde ela morou, para dessa forma traçar seu perfil, já que através do diálogo não estava sendo possível.
O psicólogo conhece o gerente da galeria onde os quadros de Alicia estão expostos - seu amigo Jean-Felix, se encontra também com Max Berenson, seu ex-cunhado, com seu primo e sua tia em Cambridge - onde Alicia havia residido com a família, e a a partir das impressões dessas pessoas, constrói uma teoria particular - a de que Alicia pode não ser a assassina do marido.
Mas não para por aí, enquanto conduz "o caso profissional da sua vida", Theo começa a enfrentar turbulências em seu casamento. Passa a desconfiar que a esposa o esteja traindo.

Esse suspense é uma trama muito bem construída, com personagens complexas e muito ricas psicologicamente (mesmo que "fodidas" da cabeça). A narrativa me prendeu do começo ao fim e só não li mais rápido, porque tinha que trabalhar! Mas olha que teve noites de folga nas quais varei a madrugada lendo!
O final é surpreendente. Eu diria que da metade para a frente do livro, já comecei a desconfiar que tanto Alicia, quanto Theo, não eram o que pareciam.

Deixo essa dica de leitura, salvadora, em tempos tão sombrios.
Leia, porque ler liberta, te faz viajar, mesmo sentado no sofá!


"A paciente silenciosa" 
Autor: Alex Michaelides
Editora: Record
Páginas: 348

Avaliação: 5 estrelas

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domingo, 19 de abril de 2020

A tática econômica da China para conquistar o mundo + Dica de leitura: "Crash" de Alexandre Versignassi

O caos causado pela pandemia do coronavírus, somado a quarentena imposta aqui no Brasil, nos leva a ponderar sobra as teorias da conspiração a respeito da China.
Teria a China manipulado esse vírus e o disseminado, como estratégia para enfraquecer a economia mundial e tomar a posição na vanguarda como maior potência global?
A leitura de uma obra espetacular - "Crash", do jornalista Alexandre Versignassi - mostrou-me do que a China foi, e é capaz de fazer, para seduzir o planeta com seus produtinhos "xing ling" e quem sabe dessa forma, comendo pelas beiradas sutilmente, sem representar grandes ameaças, chegar lá: no topo pirâmide econômica.


Seguem alguns trechos do livro, que achei interessantes:

"Como a China é o maior exportador do mundo, o Partido Comunista faz o yuan valer o que é bom para as exportações: bem pouco em relação ao dólar.
O país de onde saem 65% dos calçados, 90% dos brinquedos e quase 100% dos iPhones e iPads do planeta, mantém sua moeda desvalorizada artificialmente para que os produtos saiam mais baratos no exterior. 
Artificialmente, por causa do seguinte: o resto do mundo precisa de yuans para pagar pelo que é feito lá... Afinal, os salários dos trabalhadores chineses tem que ser pagos em moeda chinesa. Como centenas de países do mundo são compradores de moeda chinesa, o yuan deveria estar razoavelmente valorizado... O que o Partido Comunista faz para manter o valor da moeda baixo é sair comprando qualquer excesso de dólar que aparece em seu mercado interno.
Só em 2010 "sobraram" 183 bilhões de dólares no mercado interno chinês - é quando as exportações bateram as importações lá, o superavit comercial deles. O que o governo chinês fez, claro, foi comprar boa parte desse excedente. Assim o dólar não cai e o yuan não sobe. 
Essas compras de dólar que o governo faz o tempo todo, deixaram o Estado chinês com a maior poupança de dólar no mundo. São 3 trilhões...
... Sim, tem um lado inflacionário nesse aspirador de dólares chinês. Comprando moeda americana dentro da China no volume que eles compram, a economia acaba lotada de yuans. 
Claro que isso pressiona a inflação. Mas não é que ela se manteve sob controle? O país segurou a bronca do aumento da quantidade de moeda produzindo loucamente no mercado interno, ou seja, fazendo com que os yuans novos tivessem como ser usados para comprar coisas novas...
Só Xangai levantou 6.700 prédios de mais de 10 andares entre 1990 e a metade da década passada. Até 2009, a China inaugurava duas usinas termelétricas por semana. Xangai, que até 1995 não tinha metrô, hoje tem o maior do mundo, com 289 estações e 500 quilômetros de linhas.
... Mas existe um limite para a quantidade de prédios, trens e usinas que a China pode continuar produzindo, pelo menos na velocidade com que faz hoje. E aí a inflação pode se instalar e corroer tudo, Qual é esse limite?"

Pois é, a China começou então a expandir seu império, como Roma fez no passado. Agora tem linhas de trem, portos e aeroportos em outros países. Ou seja, essa expansão garante que a inflação não a consuma e de quebra, ela se tornará o novo Império Ascenso.
Um empurrãozinho, como a pandemia de coronavírus surgida recentemente, pode antecipar as coisas, sobretudo se os Estados Unidos entrarem em recessão e quebrarem.

Não sei o que você leitor, pensa sobre isso. Mas fica a dica de leitura que vai agregar muitos outros conhecimentos a respeito de economia, os quais são essenciais para a compreensão do que está acontecendo no mundo nesse momento - bolsas despencando, dólar subindo, recessão econômica.
Vale a pena ler, pois conhecimento é poder! Ter uma visão crítica dos fatos é fundamental para que você não seja massa de manobra nas mãos de outros, sobretudo quando esses "outros" possuem um interesse de dominação das massas e manutenção de poder, que pode afetar muito a sua vida!

Boa leitura

"Crash - uma breve história da economia" 
Autor: Alexandre Versignassi
Editora: Leya
Páginas: 334

Avaliação: 5 estrelas

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terça-feira, 31 de março de 2020

Teste: Você tem a Síndrome do pensamento acelerado? + Dica de leitura: Ansiedade - Augusto Cury

Em tempos de quarentena, onde todos estão confinados em casa a fim de resguardar-se de uma potencial contaminação pelo coronavírus, um sentimento que se avoluma em todos os corações é a ANSIEDADE.
No meu ponto de vista, tudo possui um lado positivo e para mim, o lado positivo dessa histeria coletiva é justamente o de perceber o quanto estamos alienados de nós mesmos.
Para quem ainda permanecerá em casa por mais alguns dias - o que não é o meu caso, pois sou militar e profissional de saúde - recomendo a leitura de uma obra de poucas páginas, sucinta, porém profunda: "Ansiedade - como enfrentar o mal do século, de Augusto Cury".
Sim, é uma indicação de livro de autoajuda, mas por essas "bandas" aqui não possuímos preconceito literário. Pelo contrário, toda leitura que vier para agregar valor e contribuir para que nos tornemos seres humanos melhores, vale a pena.


A obra discorre sobre a ansiedade, no contexto da Síndrome do pensamento acelerado ou SPA e seus comportamentos que manifestados conjuntamente nos trazem inúmeros transtornos, contribuindo significativamente para a redução de nossa qualidade de vida.
Para saber se possui a SPA, identifique em você mesmo os sintomas descritos abaixo:
I -     Ansiedade;
II -    Mente inquieta ou agitada;
III -   Insatisfação;
IV -   Cansaço físico exagerado, acordar cansado;
V -    Sofrimento por antecipação;
VI -   Irritabilidade e flutuação emocional;
VII -  Impaciência, tudo tem que ser rápido;
VIII - Dificuldade de desfrutar a rotina;
IX -   Dificuldade de lidar com pessoas lentas;
X -  Baixo limiar para suportar frustrações (pequenos problemas causam grandes impactos);
XI -   Dor de cabeça;
XII -  Dor muscular;
XIII - Outros sintomas psicossomáticos (queda de cabelo, taquicardia, aumento de pressão arterial, etc);
XIV - Deficit de concentração;
XV -  Deficit de memória;
XVI - Transtorno de sono ou insônia.

Se você, assim como eu, se reconheceu em todos eles - e olha que eu tive que parar num Pronto Socorro para entender que precisava mudar - é hora de pisar no freio e refletir sobre os rumos da sua vida.
Quando deixamos que nossos sentimentos e emoções mais negativos tomem conta dos nossos pensamentos, a maior parte do tempo, sem perceber, nos matamos aos poucos.
Temos de ser gestores de nossa psique, assumindo o controle dos pensamentos e emoções e não deixando que estes nos conduzam cegamente.
O lema do meu blog é "À razão compete reinar e aos instintos obedecer" e perder o controle disso é permitir que os fatores externos te influenciem e ditem o ritmo de sua vida. Mas não é assim que tem que ser, pois QUEM MANDA É VOCÊ! 
Você pode não estar no controle do que acontece ao seu redor, mas controla o que sente e o que pensa, e sentindo e pensando coisas boas e positivas com certeza vai atrair situações mais agradáveis e satisfatórias. 
Reconhecer o valor das coisas simples, como o de um banho quente ou o nascer do sol, e ser grato por elas é algo que contribui muito para a elevação de nosso ser.
Transmute seus pensamentos, transforme o chumbo denso das tensões no ouro da gratidão - estar grato por estar vivo, por ter saúde, trabalho, família a amigos... Enfim!
É o momento perfeito para ponderar sobre isso.

Boa leitura!

"Ansiedade" 
Autor: Augusto Cury
Editora: Benvirá
Páginas: 150

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 18 de março de 2020

O segredo dos corpos - Vincent Di Maio e Ron Franscell

Muitas vezes compramos um livro pela capa. E não adianta falar que não!
Esse foi o caso da obra de Vincent Di Maio (patologista forense) e Ron Franscell (biógrafo), que de imediato me encantou pelo design gráfico impecável e sobretudo pela foto da capa.



O conteúdo não decepciona e eu diria que não é nada tétrico, nem chocante, apesar do tema patologia forense - ou seja - perícia de cadáveres, estar presente.
O pano de fundo dessa biografia linda é a perícia, entretanto, a história de vida do Dr Vincent é maravilhosa. Desde pequeno esse homem acompanhava seu pai, que também era legista, em sua rotina de trabalho. A paixão pela profissão veio através da convivência e o melhor de tudo é que o pequeno Vince já compreendia a importância do trabalho de um perito, que é uma ferramenta essencial para que se faça justiça ao mortos, que não podem se defender, nem tampouco contar sua versão do crime.
Ron Franscell narra com maestria alguns dos principais casos, aqueles que marcaram a trajetória de Vincent em seus mais de quarenta anos atuando como legista em diferentes estados americanos. 
De todos eles, o mais famoso e com certeza mais chocante é o dos "Três de West Memphis".
Para quem desconhece o crime, em maio de 1993, três garotinhos de 8 anos desapareceram nos arredores da cidadezinha de West Memphis, no interior dos Estados Unidos.
Os meninos estavam habituados a passear de bicicleta e se dirigiram a um bosque, chamado Hollywood Hills, frequentado por marginais, viciados e arruaceiros. 
Assim que perceberam que os filhos haviam desaparecido, os pais de Steve, Michael e Christopher acionaram a polícia que iniciou uma busca. Infelizmente a procura culminou no encontro dos três cadáveres dos garotos, em um fosso lamacento de Hollywood Hills.
Os corpos estavam mergulhados na lama - o que apagou qualquer traço de DNA que pudesse estar presente nos cadáveres - porém, a denúncia de uma garota, que era namorada do jovem Damien Echols foi crucial para que os investigadores chegassem no trio de adolescentes suspeitos pelo cometimento dos homicídios.
Além de Damien, Jessie Misskelley e Jason Baldwin foram acusados de torturar, abusar  sexualmente e assassinar os garotinhos em um ritual satânico.
E onde entra o Dr. Vincent Di Maio nessa história?
Anos depois da condenação dos jovens (sim, eles foram condenados!) alguns advogados bancados por celebridades entraram em contato com o médico, para que ele analisasse os laudos periciais do caso, pois uma apelação seria impetrada, já que novas provas haviam surgido, sugerindo a inocência dos rapazes.
Crimes como esse são muito comuns e a tarefa de um perito e trazer a verdade à tona, para evitar que injustiças sejam cometidas. E o comprometimento e dedicação à profissão demonstrados pelo Dr Vincent durante sua carreira não deixam dúvidas de que esse foi sempre o grande objetivo de sua vida.

Enfim, recomendo a leitura e garanto que será uma boa companhia nesse momento de quarentena!

"O segredo dos corpos" 
Autor: Vincent Di Maio e Rosn Franscell
Editora: Dark Side
Páginas: 256

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Infanticídio indígena + Dica de leitura: "Bom dia Veronica" - Andrea Killmore.

No Brasil, fevereiro é um mês quase inútil. Além de ser mais curto, passa muito mais rápido porque aqui, temos o Carnaval. Uma celebração cultural estúpida, em um país que deveria se preocupar com tantas outras questões mal resolvidas, mas o povo, prefere viver de aparências e uma vez por ano, sai para as ruas, enche o cú de cachaça e afins, dança coreografias ridículas - para extravasar o estresse!!!
Sabe aquela vontade de "pular" Carnaval? Então, nunca tive. Prefiro encarar a realidade, nua e crua, de cara limpa.
Minha leitura do mês de fevereiro vem bem de encontro ao questionamento que faço acima. Nosso país tem mazelas muito mais sérias a solucionar e não podemos fechar os olhos para isso. Uma delas é o infanticídio indígena, que ainda assola muitas de nossas tribos isoladas. 

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Ao ler a obra "Bom dia, Verônica", um suspense policial, escrito sob o pseudônimo "Andrea Killmore" - depois descobri que o livro na realidade foi uma parceria entre Raphael Montes e Ilana Casoy, ambos autores consagrados - me deparei com a narração de uma cena, em que a policial Verônica Torres assiste atônita a um vídeo em que uma criança indígena é enterrada viva, por possuir algum tipo de deficiência física ou mental. 
Sim, em algumas tribos as crianças são enterradas vivas, e dessa forma assassinadas. Infelizmente os índios acreditam que se vivas, elas padeceriam muito mais por suas deficiências e matá-las é uma forma de compaixão, já que o espírito não terá necessidade de viver em um corpo deformado.
Segue abaixo um vídeo de um bebê índio que foi enterrado vivo, mas que graças ao bom Deus foi resgatado pelas mãos de policiais militares do Estado do Mato Grosso.


"Bom dia Verônica" é um thriller excepcional, uma daquelas leituras que você não sossega enquanto não termina. Aborda temas muito polêmicos, como o próprio infanticídio indígena, necrofilia, estelionato virtual, golpe do "Boa noite Cinderela", psicopatia, o trabalho ineficiente da policia civil... Enfim, esse livro é um prato bem cheio de polêmicas, para quem gosta delas.
Sem contar que a personagem principal, ao longo da narrativa, vai dando dicas sobre sua personalidade e o desfecho da estória, para quem prestou bem atenção ao comportamento de Verônica, não vai ser nenhuma surpresa.
Essa resenha é minha homenagem à festa da Carne!!! Enquanto o ser humano médio se esbalda sendo ser humano médio, alguns ainda resistirão e vão querer continuar a fazer a diferença. 
É a vocês que desejam um mundo melhor, mais justo e mais humano que dedico minhas orações. E aos pequenos índios, verdadeiros donos dessa terra, que morrem nas mãos de seus algozes, ou melhor, nas mãos daqueles que deveriam protegê-los.

NÃO PODEMOS FICAR CALADOS. ABAIXO AO INFANTICÍDIO INDÍGENA.

Boa leitura. 

ACORDA BRASIL!!!


"Bom dia Veronica" 
Autor: Andrea Killmore
Editora: Dark Side
Páginas: 256


Avaliação: 5 estrelas

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