quinta-feira, 26 de abril de 2018

Gelo Negro (Black Ice) - Becca Fitzpatrick

Terminei de ler o livro "Gelo Negro" (Black Ice) da autora americana Becca Fitzpatrick, em uma tarde fria e nebulosa de domingo (nada mais propício!) Confesso que a princípio não criei grandes expectativas quanto a ele, mas devo admitir que me surpreendeu muito, sobretudo por se tratar de uma narrativa em primeira pessoa - que geralmente - deixa a desejar.
Segue a resenha:

Kimani Yowell, Macie O'Keeffe e Lauren Huntsman... O que estas três garotas tem em comum? Ambas foram encontradas mortas em pontos muito próximos, localizados nas Cordilheiras Tetons, no estado de Wyoming.
Mesmo sabendo sobre as mortes das garotas, a jovem Britt Pfeiffer decide partir rumo as Tetons durante o recesso escolar de primavera, junto com sua melhor amiga Korbie. A intenção é se aventurar em trilhas nas montanhas, a fim de esquecer um pouco o desconforto gerado pelo término de sua relação com Calvin (irmão de Korbie) que havia lhe causado muita mágoa.
Durante a subida da estrada que as levaria até a cabana da família de Korbie (onde elas se hospedariam durante o recesso) uma nevasca muito forte despenca dos céus e ambas garotas acabam presas no jipe de Britt. Com frio e medo, elas decidem sair a procura de ajuda e de uma casa onde possam se abrigar.
O destino então, lhes reserva uma desagradável surpresa. Após horas de caminhada na neve, praticamente congeladas, elas encontram dois rapazes em um chalé e insistem para que possam entrar e se aquecer.
Infelizmente, as duas são feitas reféns. E começa aí uma epopeia em busca de um caminho que os leve até a rodovia principal, já que os garotos são criminosos e precisam descobrir o melhor caminho para fugir das montanhas e se safar de seus delitos. 
Britt, passa a ser sua guia pelas trilhas obscuras das Tetons. E uma pergunta martela sua cabeça: será que eles são os assassinos das três garotas?

Uma história recheada de reviravoltas e surpresas, onde personagens intensas e misteriosas tão a tônica alucinante à narrativa. Tal característica nos faz querer devorar cada página, uma após a outra, deliberadamente.
Destaco a bela construção psicológica que a autora criou tanto para mocinhos, quanto vilões, ela nos revela o quanto um ambiente inóspito como o das montanhas gélidas é capaz de despertar o pior, ou o melhor de cada ser humano.

As revelações finais fogem da previsibilidade e por isso recomendo essa leitura.



Boa noite!



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Cartas de amor aos mortos - Ava Dellaira

Se você pudesse enviar uma carta de amor a uma pessoa morta, qual seria o destinatário?
Um ente querido? Uma celebridade? Um amigo falecido?

Laurel, uma adolescente do Ensino Médio, recebe de sua professora de inglês a tarefa de escrever uma carta. Mas não uma carta comum.
A missiva deve ser escrita a uma pessoa que já tenha falecido, ou seja, alguém que não esteja mais entre nós, mas que não necessariamente tenha sido íntimo.
A garota, traumatizada pela morte prematura da irmã, já havia mudado de escola para não sofrer com os olhares de pena dos colegas que a faziam se sentir pior. Todo seu sofrimento era ainda agravado pela ausência da mãe, que isolara-se na Califórnia, a quilômetros de distância da família. E nesse ínterim, sua professora - que vale ressaltar já a conhecia do outro colégio - lhe delegara a fatídica tarefa.
Apesar da relutância inicial, Laurel começa a escrever cartas a celebridades falecidas como: Kurt Cobain, Amy Winehouse, River Phoenix, Jim Morrison, Janis Joplin, entre outros. Nelas, a garota desabafa sobre os fatos de seu cotidiano e seus dilemas pessoais, relacionando-os com as histórias de vida desses famosos.
A escolha dessas celebridades não é por acaso. Todas elas, em maior ou menor grau, eram fontes de inspiração para a falecida irmã, May.
May também era adolescente, e havia perdido a vida de forma banal. O mistério da morte da garota e a culpa que Laurel carrega por isso, são o ponto central em torno do qual gira a narrativa.
Ao longo das páginas, vamos constatando que as relações de Laurel com o pai, a mãe (que encontra-se ausente), a tia, os raros amigos e o namorado, são permeadas por desconforto e trazem a tona todo sentimento de inadequação da jovem. Arredia, ela não consegue se abrir com ninguém, fugindo de diálogos mais profundos sobre suas emoções.
Podemos perceber que a jovem passa a viver a vida na superfície, sem mergulhar nas relações, com medo de revelar seus segredos e demonstrar suas fraquezas - afinal ela não é a única a sofrer pela morte de May.



Com a narrativa em primeira pessoa, a obra se torna massante em determinado ponto. Lá pelo meio do livro você pode sentir vontade de parar, porque parece que não há desfechos plausíveis para uma história que rodopia em torno de lamentações e angústias.
Mas, tenha paciência, pois um tema tão delicado, abordado de forma tão criativa (através das cartas) é fonte de gratas surpresas.
Você vai aprender um pouco mais sobre o histórico de cada uma das personalidades a quem Laurel envia as cartas - que nunca vão ser entregues, é claro - além de prescrutar a alma jovem e cheia de sonhos de uma adolescente em conflito consigo mesma - se você já foi este adolescente, vai se identificar com ela (assim como eu me identifiquei).

Recomendo essa leitura fofa! 
É a oportunidade de rememorarmos os dilemas da juventude - que muito nos ensinaram - e refletir sobre eles.

Boa noite ; )