quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Onde cantam os pássaros - Evie Wyld

Quem nunca comprou um livro pela capa, que atire a primeira pedra! O meu exemplar de "Onde cantam os pássaros" - escrito pela autora britânica Evie Wyld - foi adquirido justamente em virtude de possuir um dos invólucros mais atraentes que já vi.
A Darkside books, possui a capacidade de realizar projetos literários completos, com designs gráficos tão sedutores quanto o conteúdo.
Você começa a devorar o livro pela capa, pois ela te atrai, assim como uma embalagem de cereal matinal faz ao aguçar nossa gula, quando a  avistamos na prateleira do mercado.

A história até que é interessante, e de cara me apaixonei pela protagonista, a criadora de ovelhas Jake Whyte. No início a narrativa não linear me deixou um pouco confusa, não por que intercala capítulos que falam de presente, com outros que tratam do passado, mas por não possuir muita coesão entre eles. Demora um pouco pra estória engatar a segunda marcha, mas com paciência, é possível compreender sua dinâmica.
Jake vive em uma fazenda, criando ovelhas. Seu objetivo inicial é descobrir o que está por trás das mortes violentas de seus animais, que começam a aparecer dilacerados.
Sua propriedade fica em uma ilha da Grã-Bretanha, mas Jake é australiana, e por isso  a maior parte da narrativa se concentra em situações vivenciadas por ela, lá pelas bandas do hemisfério sul.
Jake se prostituiu. Encontrou um homem muito mais velho, que decidiu resgatá-la desta vida. Então, resolveu fugir para o deserto australiano, onde aprendeu a tosquiar ovelhas com estranhos, e enfim - não sei como - se mudou para a Inglaterra para criar seu próprio rebanho.
Já na Grã-Bretanha, em sua propriedade (adquirida ou arrendada, não dá para entender direito) surge o bêbado errante Lloyd, que ela encontra dormindo em seu galpão de tosquia e a partir daí, os dois desenvolvem uma relação estranha. Jake permite que ele vá ficando na fazenda, creio que, por se sentir mais segura com um homem ao lado.
Flashbacks do passado de Jake, trazem a tona seus mistérios, como o fato de que ela possui uma família que abandonou na Austrália, e explicam muito de sua personalidade arredia. 
Devo confessar que apesar da simpatia que nutri por Jake, as pontas soltas deixadas pela autora frustraram meu intento de obter respostas e conclusões para as dúvidas que surgiram ao longo do suspense.
Evie Wyld é uma autora premiada, mas acredito que esta obra, infelizmente, não está a altura de seu talento.
Entretanto, a firmeza da personalidade de Jake, do meu ponto de vista, foi o que salvou a história. Uma mulher forte, cheia de cicatrizes profundas nas costas - a explicação sobre elas ocorre nos últimos capítulos - e na alma sofrida. Sua capacidade de superação é admirável e a resiliência fica como lição principal.
Muitas foram as críticas negativas que li sobre a obra de Evie, porém, recomendo a leitura mesmo assim, já que sempre é possível extrair algo positivo de um livro, seja ele qual for.

Leia sempre!
Boa noite e boa leitura ; )



quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Extraordinário - R J Palacio - Um manifesto contra o Bullying

Recentemente, assistindo aos noticiários de TV, deparei-me com a triste notícia da morte de dois estudantes de 14 anos, assassinados a tiros por um colega de classe, na cidade de Goiânia-GO.
A motivação para o crime: a constante prática do bullying dentro de sala de aula. Uma das vítimas ofendia continuamente o atirador através de agressões verbais, com o intuito de humilhá-lo perante os outros alunos.
Tal prática é muito frequente, e todos nós de alguma forma, já fomos vítimas ou executores deste tipo de ato.

Por coincidência, na mesma época, eu lia o livro "Extraordinário - Wonder (em inglês) - da autora R J Palacio, que trata deste delicado tema de uma forma encantadora.
A prática de bullying não possui nada de encantador - eu sei. Porém a forma como lidamos com a situação, principalmente quando somos as vítimas, é o grande enfoque desta emocionante estória.
O pequeno August Pullman nasceu com deformidades crânio-faciais, decorrentes de um problema genético. Isso o tornava diferente das outras crianças, não somente com relação a aparência que possuía, mas também a respeito dos desafios que desde a terna idade teve de enfrentar.
Muitas cirurgias, um entra e sai de hospitais, a saúde frágil e o zelo com que a família o tratava, permearam os anos seguintes de sua vida, até que Auggie adquiriu a resistência física de que necessitava para finalmente encarar o mundo - e as pessoas.
Os pais cuidadosos, com medo da reação das outras crianças à aparência de Auggie e da possível repercussão negativa que isto poderia causar sobre a personalidade do menino, a princípio recearam sua ida a escola, mas acabaram por incentivá-lo, afinal.
É fato que as crianças podem ser cruéis, o que desconstrói o mito da pureza e bondade inatas do ser humano, sob meu ponto de vista. O homem é o lobo do homem e ponto final.
Mas há esperança, claro. E o manisfesto à gentileza, escrito por Palacio, nos estimula a acreditar nisso.
Auggie nos prova a cada página que é possível driblar o preconceito e o desrespeito de maneira inteligente e bem humorada. Os alicerces de seu comportamento, com certeza foram construídos na convivência amorosa com os pais e a irmã, que amavam-no e demonstravam isso a cada minuto, porém sem deixar de dialogar a respeito de sua delicada situação e dos desafios que teria de enfrentar.

Você vai rir, chorar e talvez se torne, assim como eu, um militante contra a prática do bullying nas escolas.

Pra quem tem preguiça de ler, o filme será lançado agora em Dezembro de 2017 aqui no Brasil - segue abaixo o trailer:


Boa noite, boa leitura!!!


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Misery - Stephen King, horror a toda prova

O que é a loucura? Existe um limite para os atos executados por uma mente insana?
Através da leitura de "Misery - Louca obsessão" - livro escrito por Stephen King em 1987, teremos a oportunidade de  encarar tais questões e refletir sobre elas, já que o comportamento humano é um campo vasto, que possibilita infinitas discussões.

Paul Sheldon, um famoso escritor norte-americano, acorda do coma em um quarto estranho, ao lado de uma figura tão estranha quanto - a enfermeira Annie Wilkes.
Annie se apresenta a Paul como sua fã número um e se auto intitula sua salvadora, já que acabara de resgatar o escritor de um grave acidente de carro, ocorrido devido a uma forte nevasca nas montanhas do Colorado.
Durante os próximos meses de seu vida, Paul se torna refém da loucura e imprevisibilidade de sua "fiel leitora", que revolta-se ao descobrir que a série de livros publicada pelo autor, a qual tem como personagem principal a jovem "Misery" (sim, o nome dela é este mesmo) chega ao fim.
Não bastasse a dor que sente nas pernas fraturadas durante o acidente, Paul passa a ser vítima de constantes torturas físicas e psicológicas infligidas por Annie, que tem como objetivo obrigar o escritor a dar continuidade à série encerrada.
Nossa infame Enfermeira, a cada capítulo nos surpreende mais e mais com suas atrocidades. Quando achamos que o pior já aconteceu, a mente doentia de Annie se revela uma autêntica caixinha, cheia de inúmeras possibilidades, de surpresas desagradáveis.
Será que Paul, apesar das fraturas que o obrigam a permanecer imóvel, da cintura para baixo, conseguirá escapar das garras de sua fã insana?

Recomendo essa leitura, sobretudo porque nos leva a ponderar sobre os padrões de comportamento humano, ou seja, o que a sociedade exige de nós como seres humanos e a compreensão da importância do papel que desempenhamos dentro dela.
Para que consigamos sobreviver como humanidade, sem nos flagearmos uns aos outros, é necessário que cada um de nós desenvolva valores como empatia, respeito e solidariedade. Atitudes que vão na contramão destes princípios só colaboram para nossa autodestruição.
Anne, em sua loucura, é incapaz de enxergar seu papel dentro da sociedade e rompe, sem o menor remorso, com todo e qualquer compromisso ético e moral, não possuindo consciência da devastação e sofrimento que seus atos provocam na vida de Paul.

Portanto, enquanto escrevo esse texto, há milhares de pessoas infligindo dor e sofrimento a outras, muitas vezes, bem perto de nós.
O que fazer para quebrar essa corrente do mal?
Faça sua parte, comprometa-se em ser um ser humano melhor!!!

Boa noite ; )



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O diário de Anne Frank - um bálsamo em tempos difíceis.

Anne Frank era apenas uma adolescente, quando a Segunda Guerra Mundial atingiu seu auge na Alemanha. 
Em seu aniversário de 12 anos, ganhou um diário que foi sua grande fonte de conforto e ajuda, durante os dois anos de isolamento que foi forçada a enfrentar, para poder escapar das garras dos nazistas, ávidos por exterminar judeus, como ela.
Vivia em Frankfurt - Alemanha - inicialmente, mas sua família migrou para Amsterdã -Holanda, a fim de buscar uma vida mais digna, uma vez que o partido nazista alemão, havia imposto duras restrições ao povo judeu que cerceavam sua liberdade de ir e vir. Os nazi, limitaram o convívio judeu a zonas delimitadas, sendo que estes não podiam frequentar as mesmas escolas, padarias, lojas, sorveterias, e até ônibus, que os demais. Além de é claro, terem que usar uma estrela amarela, desenhada na camisa, que os distinguia dos cidadãos não judeus.
Em Amsterdã, após a invasão nazista, os judeus passaram a ser perseguidos e enviados a campos de concentração. A família Frank, auxiliada por colegas de trabalho de Otto, o pai de Anne, passou então a esconder-se no sotão, ou anexo secreto, da fábrica de temperos onde Otto trabalhava, junto com mais uma família, os Van Daan. 
É interessante observar através da leitura do diário, sua importância como válvula de escape para uma jovem tão ativa quanto Anne, que passou os próximos dois anos de sua vida enclausurada em um minúsculo apartamento, sem poder sair e as vezes sem nem sequer poder olhar para fora, pela janela.
Acompanhar o amadurecimento da jovem, através da leitura de suas memórias, é de emocionar os corações mais endurecidos.
De adolescente rebelde, a mulher segura de si: com quatorze anos podemos observar uma Anne cheia de personalidade, forte. Uma jovem que construiu os alicerces de seu caráter sob o prisma de uma guerra cruel, e de um isolamento que seria capaz de deixar qualquer ser humano louco.
Mas Anne Frank, foi capaz de provar que mesmo sob condições de vida extremas, é possível construir valores éticos, e ainda cultivar a felicidade, encontrada na essência das coisas mais simples da vida.

"... a beleza continua mesmo a existir, mesmo na desgraça. Se a procurar, você descobrirá cada vez mais felicidade, e recuperará o equilíbrio. Uma pessoa feliz tornará as outras felizes; uma pessoa com coragem e fé nunca morrerá na desgraça." - Anne Frank.

Infelizmente, a família Frank foi descoberta pelos nazistas e todos foram enviados a campos de concentração, espalhados pela Europa.
O diário é interrompido neste ponto.
Mas, para nosso júbilo, Otto Frank sobrevive ao Holocausto, e recuperando o diário da filha, através de sua colega de trabalho Miep, que o havia encontrado no chão do anexo, o publica, transformando-o em uma obra-prima e um patrimônio histórico-cultural da humanidade.

Recomendo a leitura deste diário. 
Os tempos estão difíceis e as memórias de Anne são um bálsamo para a alma, pois são capazes de reacender a chama da motivação que necessitamos, para lutar por dias melhores!




quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Jantar Secreto - Raphael Montes

Agosto, mês de férias para pessoas como eu, que optam pela baixa temporada. Pessoas um pouquinho anti-sociais, eu diria. Gente que prefere praia vazia e muitos livros de companhia. 
Minha leitura a beira-mar deste mês, foi o excepcional thriller de Raphael Montes, intitulado "Jantar secreto". Vamos a resenha:

Dante, um rapaz do interior do Paraná, se muda com seus amigos para a cidade do Rio de Janeiro. Estes, passam a dividir o aluguel de um belo apartamento em Copacabana, pois têm intenção de cursar a Universidade e progredir na vida. 
No entanto, a crise chega, como chegou para milhões de brasileiros e para pagar o aluguel, os amigos decidem investir em um negócio inusitado: oferecer jantares exclusivos em casa, através do site jantarsecreto.com.
A ideia parte de Hugo, talentoso jovem recém-formado em Gastronomia, que não se sente tão valorizado profissionalmente, como deveria. Leitão, o integrante hacker da turma, providencia a inserção da propaganda no site já mencionado, mas esquece de advertir os amigos que divulgou o jantar como "canibal", ou seja, a equipe serviria carne humana.
Como era de se esperar, o site retira o anúncio do ar, mas não a tempo de Leitão levantar os emails dos interessados, e propor a estes, o famigerado jantar.
Trinta mil reais são depositados na conta bancária de Leitão, referentes aos gordos pagamentos praticados de forma adiantada pelos comensais, que ansiosos, não veem a hora de provar a iguaria.
A tentação é maior que o bom senso e depois de muita discussão, os quatro decidem levar a proposta do jantar adiante. Mas havia um grande obstáculo a se levar em consideração: como arranjar um cadáver para o banquete?
O estudante de medicina Miguel, que desde do começo se mostrou avesso a realização do evento, é forçado pelos amigos a colaborar no sentido de facilitar a entrada destes, no hospital público onde estagiava, para surrupiar a primeiro corpo a ser servido pela turma.
Para cumprir a missão de servir nacos de carne humana, a carneação do cadáver era necessária. É neste momento que Cora - a namorada prostituta de Leitão - surge na história, como personagem essencial para o funcionamento correto do esquema.
Cora, antes de se prostituir no Rio de Janeiro, havia trabalhado em um matadouro de animais, adquirindo muita habilidade nos trabalhos de abate e esquartejamento dos bichos.
Como é de se esperar, a trajetória desta trupe entra numa espiral de crimes e suas consequências são catastróficas, mas de agora em diante deixo a cargo de sua curiosidade a descoberta do desfecho desta história. Portanto, leia o livro!!!

Raphael Montes é um jovem e talentoso autor brasileiro. Foi publicado internacionalmente, e tem outras publicações tão intrigantes quanto "Jantar secreto".
Apresenta habilidades literárias que incluem conseguir nos manter grudados as páginas escritas, além de possuir um senso de humor ácido que dá um tempero especial a suas obras, trazendo um pouco de leveza à narrativa, o que com certeza garante o sucesso de suas histórias.


Vai sair de férias agora? Então tenho duas dicas especiais para você: primeira, pegue um voo para Recife e depois siga de van até Maragogi, no Alagoas (aquele lugar é o paraíso, garanto que não vai se arrepender), segunda, leve na bolsa o livro "Jantar secreto" de Raphael Montes. Vai ser uma bela companhia, seja nos momentos de espera durante o transporte, seja na beira da praia.

DIVIRTA-SE!!!
Boa noite! : )



terça-feira, 25 de julho de 2017

Leitura da Bíblia - Apocalipse 12 - 23 de setembro de 2017 - Fim dos tempos

Na última semana, alguns vídeos do Youtube me chamaram a atenção. Todos eles tratavam do evento previsto para o próximo mês de setembro, mais precisamente para o dia vinte e três.
Embasados na interpretação do Dr. Ernest Martin - americano, cientista astronômico e ministro da igreja Grace Communion Internacional - do livro do Apocalipse, Capítulo 12, os vídeos descrevem o evento que ocorrerá nos céus durante esse dia, sinalizando claramente a chegada do fim dos tempos:

"Viu-se um grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida de sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. 2. que, achando-se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar a luz."

A interpretação do Dr Ernest Martin (astronomicamente falando) para o Apocalipse 12 é a seguinte:


No dia 23 de setembro de 2017, a Constelação de Virgem (mulher) terá o Sol sobre a cabeça (vestida de sol), e a Lua abaixo dos pés;
Haverá uma "coroa de doze estrelas na cabeça", em referência a Constelação de Leão (com suas 9 estrelas), que estará alinhada com os planetas Vênus, Marte e Mercúrio (as outras 3 "estrelas" da narrativa, completando as 12 da coroa) acima da cabeça da Virgem (conforme figura acima).
"Achando-se grávida", o planeta Júpiter retrógrado, se encontrará na região do útero da Virgem (constelação) que "sofrerá os tormentos para dar a luz", nesse dia, Júpiter sairá do "útero" para o espaço.

O Versículo 3, narra na sequência: "Viu-se também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas."

O que seria o dragão grande e vermelho com sete cabeças?

Um meteoro? O planeta Nibiru, ou o segundo Sol (conforme reza a lenda)?

A interpretação astronômica, se limita aos dois primeiros versos apenas. Cabe a nós aguardarmos a  chegada desta data, que se encontra tão próxima, para averiguarmos a veracidade da profecia e o significado dos versículos restantes.

Enquanto isso, reveja suas atitudes, mude seus pensamentos, pois o fim de fato está próximo e a transição planetária ocorrerá em breve!

Boa noite : ) 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Caixa de pássaros - NÃO ABRA OS OLHOS!!!

A perspectiva de sobreviver em um mundo onde não se pode abrir os olhos é por si só, assustadora.
O livro "Caixa de pássaros" do autor americano Josh Malerman, nos inunda com um sentimento aterrador e nauseante a cada página lida, trazendo através de sua narrativa - que alterna passado e presente - a constante ameaça das criaturas que forçam a personagem principal, Malorie, a permanecer trancada dentro da própria casa, tendo que sair somente de olhos vendados.



Malorie, nossa heroína, consegue sobreviver aos ataques de supostas criaturas que, antes de chegar a península inferior do Michigan - onde mora, se espalham de maneira endêmica e voraz pelos quatro cantos do planeta. Teoricamente, a simples visão destas criaturas, geraria nos seres humanos um tipo de insanidade aguda, que os levava ao suicídio.
Toda a família de Malorie - os pais e a irmã Shannon - sucumbem, mas um lampejo de motivação surge quando ela descobre estar grávida, após uma noite de descuido com um rapaz qualquer.
A partir daí, a gravidez conduz as ações de Malorie num instinto de auto-preservação que a leva a buscar, e encontrar, ajuda e abrigo . Ela reúne toda sua coragem e sai ao encontro de Tom e sua trupe, que estão isolados em uma casa, tentando entender o novo mundo que surgia e driblar as dificuldades que as mortes em massa geravam: falta de abastecimento de água, alimentos e itens básicos de sobrevivência.
Muitas coisas acontecem a partir de então, e Malorie, após alguns anos do nascimento dos filhos (sim são duas crianças, um menino e uma menina) resolve vendar os olhos, subir num pequeno barco a remo com os meninos e descer o rio que margeia os fundos da casa compartilhada - mas essa aventura exige que toda família siga de olhos vendados.
As crianças, muito bem treinadas a ouvir e identificar todo tipo de som, desde pequenas, conduzem a mãe ao longo de um trajeto árduo e cheio de desafios que surgem diante deles.
É admirável a força de caráter desta mãe, que valentemente parte em busca de um mundo melhor para os filhos, e é incrível como ela aposta todas suas fichas neles - crianças tão obedientes e resignadas mediante a rigidez da mãe:
- Não abram os olhos, em hipótese alguma! - ordenava Malorie as crianças.

Remar de olhos vendados, em busca de um lugar melhor, onde nos sintamos mais seguros. Parece uma paródia da vida atual, num planeta onde seguimos cegos, vacilantes em meio aos desafios que surgem no caminho, mas sempre guiados pela voz da consciência, constantemente treinada para a evolução, a obediência aos bons preceitos da vida.
Mas aonde isso vai nos levar?
Não sabemos. Apenas acreditamos que o mérito das boas atitudes nos conduzirá a um local onde enfim, nos sentiremos acolhidos e seguros.

Muitas perguntas surgem ao longo da leitura, como por exemplo: o que são essas criaturas?
Por que elas causam essas reações nos humanos, qual o mecanismo disso?
Mas, adianto que a resposta vai ficar por conta da imaginação de cada um. 

Confesso que essa leitura me agradou muito, sobretudo porque foi uma ótima companhia em minhas viagens semanais.
Me fez refletir e desejar um mundo melhor, onde não haja espaço para Apocalipses suicidas. Então...

Boa leitura e, cuidado ao abrir os olhos!!!




quarta-feira, 17 de maio de 2017

O MENINO DA MALA - e o tráfico de órgãos

Minha última companhia de viagens foi o livro: O MENINO DA MALA, obra das autoras dinamarquesas Agnete Friis e Lene Kaaberbol.
Celebrada pelo New York Times Book Review, a história narra as desventuras da enfermeira da Cruz Vermelha - Nina Borg, que após receber uma ligação estranha de sua amiga Karin, corre a fim de resgatar uma mala contida no porta volumes da estação ferroviária de Copenhague.
Ao abrir a mala, Nina se depara com uma cena chocante, nela, nu e encolhido, encontra-se o corpinho de um menino de aproximadamente 3 anos de idade. 

A narrativa é alucinante. Os primeiros capítulos são escritos de forma a apresentar as diferentes personagens isoladamente. Essas subtramas a princípio não se entrelaçam, porém ao longo da história, percebemos a relação entre cada um dos núcleos: a família rica da Dinamarca, o casal pobre, a mãe solteira da Lituânia e seu filho.
Nina, uma heroína quase suicida, resgata o garotinho que é a peça central deste suspense em forma de quebra cabeças. É em direção a trama de Nina e do menino da mala, que convergem todas as outras, o que torna a história mais instigante a cada capítulo lido.

O drama do menino da mala, nos faz refletir sobre as questões que envolvem o tráfico de crianças e de órgãos.
Todos os anos, muitas crianças desparecem ao redor do planeta e no caso específico do livro, somem nas regiões mais remotas do leste europeu. 
Nessa zona pobre da Europa, é comum a venda de crianças recém nascidas para casais interessados em adoções ilegais. Essas vendas são intermediadas por clínicas clandestinas, para onde as gestantes pobres, geralmente adolescentes que não tem condições de criar seus filhos, se dirigem.
A maioria das mães, acreditam que os filhos seguirão para os braços de pais amorosos, que os aguardam ansiosamente.
Porém, determinadas crianças são vítimas de criminosos especializados em tráfico de órgãos, por possuírem perfil genético semelhante ao de quem as encomenda. Essas pessoas as adquirem como se estivessem comprando carne exposta em vitrines de açougue.
Recém nascidas, ou crescidinhas, tanto faz, o sofrimento para estas crianças é o mesmo. Trata-se de uma história triste, que no entanto é baseada em fatos reais. 
Mas o livro nos traz uma pontinha de esperança, no momento que celebra a luta que Nina trava, ao resgatar crianças como Mikas Ramoska, o menininho que foi sequestrado, brutalmente retirado dos braços da mãe, vivenciando situações traumáticas que deixarão marcas eternas em sua alma.

Há vilões, mas há gente boa também. Gente que luta pelos inocentes, que não fica em cima do muro.
Por isso recomendo a leitura desta obra.

Boa noite! E boa leitura ; )






quinta-feira, 27 de abril de 2017

Para onde vamos quando morremos?

Não há ser humano que ainda não tenha se perguntado, nesta vida terrena, sobre o que acontece do outro lado - sobre o que nos espera na vida após a morte.
Há aqueles que simplesmente não creem em nada - para estes não existe espírito, somente a matéria.
Há os que acreditam que um mundo espiritual nos espera, e que esse seja constituído de céu e inferno. Segundo estes, os bons herdariam o paraíso e os maus seriam condenados a dor e ao fogo eterno.
Há ainda, os fundamentalistas cristãos, e de acordo com suas crenças, os que não professarem a Jesus como seu único Senhor e Salvador, não serão "salvos", não poderão desfrutar com Ele do paraíso celeste.
Eu fico aqui pensando - e quanto as pessoas que vivem nos recônditos mais longínquos deste planeta e não tem acesso nem sequer a água potável, quanto mais então a bíblias e a leituras? Estas também não seriam dignas da "salvação", não mereceriam estar com Jesus nos céus após a morte?
Que Deus arbitrário e tirano é esse que pré-seleciona os eleitos? E qual seu critério de seleção?
Foram essas questões que me incentivaram a postar uma mensagem Universal de consolo e esperança a todos, que não está relacionada a crença religiosa, porém se embasa nas palavras do Rabi da Galileia, interpretadas pelos espíritos e trazida ao mundo terreno por Allan Kardec em "O Evangelho segundo o espiritismo".

No evangelho de João, capítulo 18, versículo 36, Jesus diz:
"Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus: mas, o meu reino ainda não é aqui."
Na página 73 do "Evangelho segundo o espiritismo", os espíritos sintetizam a essência das mensagens de Cristo, que diga-se, não veio ao mundo para criar uma religião, mas sim para deixar a maior mensagem de amor já transmitida:
"Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda sua celeste prática, a benevolência, para com todos. Não se vos perguntará o que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes."

Portanto irmãos, é necessário compreender que são nossas escolhas, as responsáveis por determinar para onde seguiremos após a morte. 
É muito simples - siga o caminho da luz, cultive os valores do espírito e quando chegar a hora, pergunte-se: O quanto eu amei? - a resposta é que determinará seu destino.

DEUS É AMOR! E por isso, sempre haverá esperança para todos!










quinta-feira, 30 de março de 2017

LUXÚRIA - Quem nunca cedeu a tentação de Asmodeus?

Pasmem: não foram as virtudes que moldaram o mundo. A humanidade foi moldada à imagem e semelhança dos pecados capitais, justamente porque eles refletem nossos impulsos irracionais, nossos vícios sufocados. 
A série "Os sete pecados" da Editora Leya, veio para contar a história de cada um deles.

A história da luxúria tem sob seus holofotes, como personagem principal, a mulher.  Já que, com o surgimento das religiões patriarcais, criou-se o pressuposto de que a desgraça entrou para o mundo através dela: Eva - que roubara o fruto da árvore proibida.
O fato é que os homens, temendo filhos bastardos (visto que nos relacionamentos a paternidade nunca é óbvia) sempre fizeram de tudo para controlar os impulsos carnais femininos, inclusive endeusando virgens, através das liturgias religiosas - muito perspicaz não?
A ideia da luxúria, como pode ser visto no livro, começou a ser construída lentamente muito antes do judaísmo ou cristianismo. Atravessou toda história ocidental, com a teoria da alma de Platão, o meio-termo aristotélico, a glorificação das virtudes romanas, o moralismo estatal do imperador Augusto, as Escrituras dos judeus, a obsessão do apóstolo Paulo pela virgindade e depois por toda a tradição católica acumulada até o Concílio de Trento.
Entretanto, o status de pecado da luxúria, sucumbiu diante da modernização cultural advinda da Revolução Industrial, e do empoderamento feminino surgido no pós guerra. 
Livres das amarras da moral, hoje homens e mulheres podem desfrutar da sexualidade como bem entenderem e com quem desejarem.
Mas a longa trajetória que levou a tamanha liberdade foi árdua e dolorosa, sobretudo para as fêmeas - sempre reprimidas, pois os machos podiam tudo desde cedo - afinal a virilidade sempre foi sinônimo de poder.

"Luxúria" é um livro que nos conduz a esta interessante jornada, e é fundamental para aguçar nossa percepção da liberdade que possuímos hoje.

 Como afirmou Hugh Hefner (fundador da Revista Playboy):

"A principal força civilizatória do mundo não é a religião, mas o sexo."

Ele tinha razão. O proibido povoou o imaginário de homens e mulheres, durante milênios, mas só agora pode ser colocado em prática, sem maiores preocupações nem preconceitos - apenas com responsabilidade. Tudo é válido entre quatro paredes, desde que haja respeito, certo?

A essa altura, o demônio da luxúria deve estar se regozijando - mas quem nunca cedeu a Asmodeus - que atire a primeira pedra.

ABAIXO AOS FALSOS PUDORES MEDIEVAIS!!!  E mergulhe comigo nessa leitura.

Boa noite!



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O menino que desenhava monstros - LEIAM ANTES QUE VIRE FILME!

Predileção pela literatura de suspense é a característica que nos impulsiona a garimpar títulos como este: "O menino que desenhava monstros". Porém, se engana aquele que julga o livro pela capa. Longe de possuir tal vício, devemos mergulhar fundo nas histórias e com isso desvelar seu real significado, a sua essência.
Recomendo esse livro de Keith Donohue por ser doce e comovente, com pinceladas de suspense na medida certa.

O pequeno Jack Peter, um garoto de 10 anos de idade, possui um tipo de autismo denominado Síndrome de Asperger. Além do autismo, a fobia social adquirida após um afogamento que o garoto sofre na infância fazem de J.P uma criança reclusa, não só entre as quatro paredes de casa, mas também o tornam refém de sua própria mente.
Mente criativa, fervilhante e um tanto perversa para um jovenzinho - diga-se de passagem.
A mãe de J.P, Holly, não se conforma com a situação do filho e busca aconselhamento na paróquia, junto ao padre Bolden e sua governanta, a Srta. Tiramaku (que também é portadora da mesma Síndrome). O pai de Jack, Tim, não concorda com tal conduta, sempre esperançoso de que a situação do menino seja algo transitório.
O único amigo de J.P é o pequeno Nick. Os dois possuem a mesma idade, mas Nick é um rapazinho esperto e ativo, e desde o começo nota-se uma ligação anormal entre os dois, que é bastante explorada ao longo do enredo.
É num ambiente invernal de fim de ano no Maine - deserto, nevado e assombroso - que a dinâmica criada por Donohue se desenrola, envolvendo toda a família e amigos, fazendo-nos acreditar em monstros e fantasmas (os yurei da Srta Tiramaku). 
Ou será que tais coisas não passam de alucinações de mentes colapsadas pelo auto-encarceramento de suas vidas?
A narrativa flui, não se torna cansativa em momento algum. Esse é aquele tipo de livro que não queremos parar de ler, e que quando acaba... Pedimos mais, por favor!!!
A mesma situação vista dos pontos de vista dos diferentes personagens, e os caminhos pelos quais somos conduzidos durante a leitura nos levam a acreditar em muitas possibilidades, mas o fato é que é impossível prever o final.

# Sacada de gênio!!! 

E tenho certeza que o cineasta James Wan se encantou por este drama/suspense não só pela obscuridade que o mesmo traz em diversos momentos, mas justamente por essa aura de inocência exaltada nos momento maternais de Holly, ou através do amor que sabemos existir entre J.P e Nick, porque isso torna o conto mais humano, menos tétrico. É essa a nova tendência dos suspenses - portanto, recomendo muito O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS. Depois de Joyland, é meu suspense favorito.

LEIAM ANTES QUE VIRE FILME!

Boa noite ; )


A Darkside, sempre arrasando nas capas né gente!!!


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Seis passos básicos para realizar seus desejos em 2017

Na prateleira de um sebo, em uma pequena cidade do interior, um livro raro e precioso aguardava por alguém que o descobrisse e o explorasse.
A capa puída e as páginas excessivamente amareladas causavam certa repulsa a primeira vista, espantando os pretensos leitores. Mas tais características foram atrativos para mim e o dito cujo parecia me chamar...  Pedia para que eu o levasse.
Agora, compartilho com vocês aqui, as produtivas lições contidas em suas páginas, meticulosamente estudadas e que pretendo colocar em prática esse ano.
Dentre as diversas temáticas que abrangem assuntos como telepatia, clarividência, viagem astral, regressão a vidas passadas, o que mais me atraiu foi o capítulo que fala do poder da mente e as leis ocultas da atração.
Não, não estou falando do livro "O Segredo", que ficou famoso por popularizar o conhecimento sobre os poderes latentes do subconsciente, que pode nos dar tudo que desejamos.
A obra que cito aqui é bem mais complexa, não só pela gama de assuntos que aborda, mas também porque enfoca a espiritualidade e não somente o materialismo puro, nos fazendo refletir sobre as origens dos nossos desejos e não apenas sair por aí pedindo coisas sem o menor sentido.
"VOCÊ E A ETERNIDADE", do monge tibetano Lobsang Rampa, vai ditar a tônica de minhas experiências em 2017, e os seis passos ensinados em seu capítulo 22, serão compartilhados, para que todos possam experimentá-los, caso queiram:

PASSO 1:
Decida com precisão o que quer, seja absolutamente claro. Você precisa enunciar com exatidão o que deseja devendo visualizar e reter a imagem em sua mente.

PASSO 2:
Você precisa dar algo para poder receber. O que você tem feito para ajudar os outros? Abra espaço para novas coisas em sua vida, doando outras, ou se doando.

PASSO 3:
Quando você quer que seu desejo se realize? Mas não basta escolher um futuro indefinido, ou um instante excessivamente próximo. 

PASSO 4:
O que você vai fazer para possibilitar a realização de sua ambição? Afinal, se você desejou um carro, por exemplo, deve possuir pelo menos a carteira de habilitação - entende?

PASSO 5:
A palavra escrita é mais forte que a pronunciada, mas as duas juntas, formam uma combinação insuperável. Escreva o que deseja com muita clareza e simplicidade.

PASSO 6:
Depois de escrever, leia tudo em voz alta, afirme o que deseja, sentindo como se já fosse seu... Repita sempre que puder como um mantra e nunca duvide de que será possível, afinal só depende de você.

Por fim, além de realizar os passos acima descritos, sugiro que leiam o livro (se encontrarem disponível para compra) e se inteirem dos demais temas, que são valiosíssimos e podem contribuir muito para sua evolução consciencial.

BOA SORTE A TODOS!!!

E que os desejos mais sinceros, encarcerados profundamente em nossas almas se tornem realidade palpável em 2017!!!