sábado, 22 de outubro de 2022

Café da manhã dos campeões - Kurt Vonnegut

 Depois de algum tempo no ostracismo, resolvi publicar mais uma resenha, dessa vez de um "achado" em uma feirinha do livro no Metrô da rua Oscar Freire em São Paulo. Enquanto eu descia a escada rolante desatenta, o título "Café da manhã dos campeões" com toda sua pompa e circunstância alaranjada me arrebatou dos meus devaneios.
Se um dia me fizerem a pergunta: Você já comprou um livro pela capa e ficou feliz com a leitura, a resposta será sim, a obra de Vonnegut foi uma incrível surpresa.
Trata-se de um texto de humor ácido, com pitadas de crítica social e mensagens cuidadosamente espalhadas, por pontos estratégicos da história, que nos conduzem a uma reflexão sobre o sentido da vida.
Sim, Vonnegut filosofa muito. O texto tem a capacidade de te fazer rir até distender o abdome e logo após, te mergulha numa introspeção profunda sobre o verdadeiro propósito da nossa existência.

A história narra a trajetória de dois homens - Dwayne Hoover e Kilgore Trout - que se cruzam em uma cidadezinha do meio oeste americano, o que gera um caos profundo na vida dos dois.
Alter ego de Vonnegut, Trout é um escritor medíocre que escreve para revistas pornográficas e é convidado a participar de um festival de artes na cidade de Midland. Trout não acredita no próprio talento, mas mesmo assim, parte para o meio oeste, pegando caronas pela estrada.
Ao chegar em Midland, cruza ao acaso com Dwayne no bar do hotel Holiday Inn (propriedade de Dwayne, que é um homem muito próspero). Dwayne, em um surto psicótico toma das mãos de Trout o manuscrito de seu livro mais recente, lê em apenas alguns minutos e baseado no conteúdo da leitura, começa a agredir todos os presentes no recinto, incluindo seu filho, pianista do bar.
Parece bizarro falando assim, mas a cena final se parece muito com um filme de Tarantino. Uma violência estúpida e gratuita, sem o menor sentido. Mas mesmo com esse final maluco (e creio que a intenção desse final seja romper com um padrão de lógica, de finais felizes) a leitura é contagiante. Me peguei dando boas gargalhadas como há muito não acontecia comigo.
É fato que encontramos algumas obscenidades ao longo do texto - por isso recomendo somente a maiores de dezoito anos. Porém, as lições e aprendizados que Trout encontra pelo caminho são como cerejas no topo do bolo.



A frase que mais me trouxe inspiração foi a da foto acima: " Qual é o sentido da vida?" - Trout, ao usar um banheiro em uma parada de caminhões, na beira da estrada a lê, rabiscada na parede.
Procura pelos bolsos um lápis, uma caneta, para poder respondê-la, mas não encontra. Então pensa consigo mesmo: "Ser os olhos, os ouvidos e a consciência do Criador do Universo (seu idiota rsrss)".

Recomendo a leitura para quem estiver precisando sair um pouco rotina, pensar fora da caixinha e dar boas risadas!
Ah e se você quer saber o porquê do título do livro, vai ter que ler, pois eu não vou contar!

"Café da manhã dos campeões" 
Autor: Kurt Vonnegut
Editora: Intrínseca
Páginas: 396

Avaliação: 5 estrelas

Resultado de imagem para cinco estrelas

terça-feira, 5 de julho de 2022

"Ansiedade 2 - Autocontrole" Augusto Cury

 Nesse texto vou abrir meu coração. Esse é meu blog, meu espaço, então para variar acho que posso me dar ao luxo de fazer isso de vez em quando.
Eu cresci em um lar tóxico, com um pai narcisista e uma mãe co-dependente emocional - resumindo - vivi um inferno na terra. Algumas pessoas de fora que não conheçam a dinâmica de uma família narcisista podem achar exagero, mas vai por mim - não é! Abuso psicológico é mais sutil, mas também é abuso.
Desde cedo percebi que tinha algo errado com meus pais. Eu não podia levar problema para eles, que eles se irritavam - algo de ruim que tivesse acontecido na escola, alguma dificuldade com os estudos... Então entendi que tinha que me virar sozinha (esse comportamento narcísico se chama "desamparo aprendido", quando a gente descobre que não pode contar com eles para muita coisa). Apesar disso, as exigências deles eram muito altas - tinha que tirar as melhores notas, ajudar com todas as tarefas domésticas, além de ajudar a cuidar do meu irmão mais novo e mesmo tentando ser a filha perfeita, pasmem, eu nunca era boa o suficiente, eles sempre davam um jeito de achar pelo em ovo. Principalmente a minha mãe.
Minha mãe melhorou bastante desde que eu decidi cortar relações com eles, há uns doze anos atrás. Quando saí de casa, ela começou a me procurar dando uma de Madalena arrependida. Hoje sei que esse comportamento, de tentar trazer a vítima de volta para o ciclo de abuso narcísico se chama "hoovering" e nem sempre vai ser executado pelo narcisista, no caso da minha família é minha mãe que assume esse papel de comparsa do "criminoso" compactuando para que o ciclo macabro permaneça. A denominação que se dá para os súditos fiéis dos narcisistas é "macaco voador" e hoje percebo o quanto minha mãe também é transtornada por não se aperceber disso.
Não vou me aprofundar em detalhes da minha relação com meus pais, pois não é o escopo da postagem. Mas quero deixar claro que foi essa convivência tóxica, focada em atingir as expectativas "inatingíveis" desses seres sem alma, que me tornou uma pessoa extremamente ansiosa e estressada.
Parafraseando o Dr Augusto Cury, em sua obra "Ansiedade 2 - Autocontrole" o estresse é um mecanismo de preservação da existência. Quando somos expostos aos gatilhos de memória negativos que nos geram ansiedade, de maneira contínua, desenvolvemos um constante "estado de alerta" - o corpo libera adrenalina, pronto para lutar ou fugir. Agora imagine viver anos submetido a esse "estado de hipervigilância"!!! Não há psicológico que aguente.
O meu psicológico sucumbiu de vez em julho de 2019. Com a pressão nas alturas fui parar no pronto atendimento do hospital em que eu trabalhava - totalmente desmemoriada - não lembrava de nada, do nome de ninguém. Foi tenso.
Cheguei a esse ponto porque passei a reproduzir esse padrão de comportamento em todas as áreas da minha vida, inclusive no trabalho, e a consequência disso foi um colapso nervoso.
A partir de então escolhi romper com essa programação mental limitante que me impedia de viver plena e feliz. Obtive ganhos imensuráveis através do uso de ferramentas como ho'oponopono, meditação, reiki, biokinesis, leituras e por fim, a jornada de reconexão com meu eu superior.
Me conectar com minha essência divina me fez compreender que todas essas crenças limitantes e programações de ansiedade e estresse era memórias do meu ego e expandir em consciência foi fundamental para me libertar.
A leitura de "Ansiedade 2 - Autocontrole" me auxiliou na compreensão da teoria por trás dos nossos padrões e da cura para eles. Os ganhos que obtive me proporcionaram maior saúde e inteligência emocional, pois finalmente entendi que:
1. Devo superar a necessidade ansiosa de ser perfeita - o ego nunca vai ser perfeito, mas nossa essência divina sim;
2. Devo superar a necessidade de evidência social - fazer as coisas para "aparecer" é o pior dos erros do ego;
3. Devo superar a necessidade ansiosa de controle e poder - não é possível controlar o que está fora de nós;
4. Devo superar a necessidade ansiosa de julgar os outros - o que incomoda no outro, com certeza, encontra espelhamento em mim;
5. Devo superar a necessidade ansiosa de cobrar os outros - a solução dos nossos problemas está dentro de nós;
6. Devo superar a necessidade ansiosa de de me preocupar com o que os outros pensam e falam de mim;

Portanto, recomendo a leitura para aqueles que além das práticas de reprogramação, anseiam por uma compreensão mais aprofundada dos mecanismos neurais que nos levam a desenvolver transtornos de estresse e ansiedade, nos tornando cronicamente infelizes. 

Boa leitura!


"Ansiedade 2 - Autocontrole" 
Autor: Augusto Cury
Editora: Benvirá
Páginas: 180

Avaliação: 5 estrelas

Resultado de imagem para cinco estrelas

terça-feira, 31 de maio de 2022

VHS - Verdadeiras histórias de sangue - Cesar Bravo * Dark Side Books

VHS - Verdadeiras Histórias de Sangue, de autoria de Cesar Bravo, é uma coletânea de contos de terror que guardam relação entre si. 
As histórias narradas por Cesar se passam em cidades vizinhas (todas fictícias) situadas próximas a outra cidade fictícia maior - Três Rios - que ficaria no Noroeste paulista e teria sido colonizada por imigrantes italianos.
Ao longo da leitura, que é extremamente instigante, percebemos que o escritor construiu habilmente cada conto de maneira que as conexões ficassem claras ao leitor, sobretudo ao mais atento.
Ao todo são 20 crônicas de terror, e a medida que terminamos um capítulo, as páginas praticamente viram sozinhas para o próximo! 




Alerta de spoiler!!!

De todos os contos, os meus preferidos foram: "Bicho Papão" - que narra os últimos dias de vida de um maníaco chamado Ernesto.
Ernesto havia raptado e seviciado a filha de um policial (não somente ela) e após cometer tal atrocidade foi capturado pelos milicianos. Ao invés de ser entregue à justiça, foi mantido sob cárcere e tortura brutal, sendo submetido aos mais diversos tipos de violência, até que finalmente sucumbiu após dias nessa situação.



Alerta de spoiler!!!

"O peso do enforcado" conta a história de um homicida, que mata um soldado e está no corredor da morte, prestes a ser enforcado (na época em que as penas capitais ainda existiam por essas terras), no entanto, o padre responsável por lhe ministrar o sacramento da extrema unção - de maneira teatral e habilidosa - o salva do enforcamento. 




Outros dois contos não fizeram tanto sentido para mim: "Museu dos sonhos" parece terminar do nada... Ou seja, não tem um final em si e também não contém nada tão assustador.
"Os talheres de ossos do rei invertebrado" também tem um final um pouco confuso e não consegui entender o que os "talheres de ossos" tem a ver com a história.
De maneira geral a leitura foi uma experiência interessante e com certeza voltarei a ler obras de Cesar Bravo, já que esta foi uma excelente companhia nas minhas noites de puerpério (sim, li durante o pós parto, aproveitando os momentos de soninho e distrações da minha filha).
Ah, e o projeto gráfico é impecável como sempre!!!




"VHS - Verdadeiras histórias de sangue" 
Autor: Cesar Bravo
Editora: Dark side
Páginas: 

Avaliação: 4 estrelas




quinta-feira, 7 de abril de 2022

A caminho da luz - Chico Xavier (pelo Espírito Emmanuel)

 Antes de escrever essa resenha, retornei à Introdução do livro "A caminho da luz" de Chico Xavier e para minha surpresa, ela começava da seguinte forma:

"Enquanto as penosas transições do século XX se anunciam ao tinido sinistro das armas, as forças espirituais se reúnem para as grandes construções do porvir".


"... tinido sinistro das armas..." - Parece que o ciclo se repete, mais uma vez. Já em pleno século XXI nos encontramos diante de mais uma grande guerra, entre duas potências - Rússia e Ucrânia - e temos visto as mais absurdas atrocidades sendo cometidas por ambição desmedida, por poder. 
Contudo, a frase introdutória termina de maneira positiva prometendo "construções do porvir". É fato que após as duas grandes guerras do século XX e também da guerra fria (não vou escrever guerra com letra maiúscula - me recuso) houve um enorme avanço científico e tecnológico que alçou a humanidade a uma nova era de bem-estar e satisfação social.
A proposta dessa incrível obra - inspirada pelo Espírito Emmanuel - é traçar um panorama histórico e evolutivo da humanidade até os dias de hoje, com base no conhecimento e ponto de vista da espiritualidade. Começa na gênese planetária, que descreve a formação do planeta Terra e das formas de vida rudimentares, passando pela contribuição de todas as civilizações antigas: egípcios, hindus, hebreus, chineses, gregos, romanos, além de narrar acontecimentos históricos como: a vinda de Jesus, a evolução do cristianismo, a era medieval da igreja, as Cruzadas, o renascimento, a revolução francesa.
No capítulo 3, Emmanuel fala da origem da raça adâmica. Essa horda de espíritos teria vindo da Constelação do Cocheiro - a qual tem por maior estrela "Cabra" ou "Capela". Espíritos que teriam sido exilados do sistema de Capela (que guarda semelhança com nosso sistema solar) haviam sido enviados à Terra a fim de evoluir, uma vez que eram rebeldes e dificultavam a consolidação de conquistas maiores por parte daquele povo e uma ação de saneamento espiritual deveria ser conduzida, assim como está ocorrendo ou ocorrerá com nosso orbe.
Dessa forma, podemos perceber que o caminho da luz vem sendo trilhado com base em dor e sofrimento - antes em Capela e agora na Terra. No capítulo 12, que trata da vinda de Jesus, há um trecho que diz que a paixão de Cristo é a representação desse estado de consciência que a humanidade vestia na época de sua chegada e que ainda insiste em trajá-lo. Jesus na cruz representa o caminho de dor escolhido pela coletividade de almas que constituem nossa civilização, uma vez que os homens repeliram o amor em suas cogitações de progresso.
Os capítulos 14 e 16 que tratam respectivamente da Edificação cristã e da Igreja, expõem o quanto a religião foi inútil em religar de fato o homem ao Deus que habita dentro de si.
A figura soturna da Igreja Católica abordada nesses capítulos, é comparada ao simbolismo apocalíptico da besta vestida de púrpura e embriagada com o sangue dos homens, visto que "as autoridades eclesiásticas compreendem que é preciso fanatizar o povo, impondo-lhe suas ideias e suas concepções, e, longe de educarem a alma das massas na sublime lição do Nazareno, entram em acordo com a sua preferência pelas solenidades exteriores, pelo culto fácil do mundo externo, tão do gosto dos antigos romanos pouco inclinados ás indagações transcendentes."

A conclusão que chegamos ao terminar a leitura é a de que os ciclos de dor e sofrimento se repetem ao longo da história, entretanto, conforme a legião de espíritos encarnados e desencarnados que habitam o planeta Terra expande em consciência, essa tendência se retrai dando origem a um genuíno desejo de progredir através do amor, da empatia e da compaixão pelo próximo.
Creio que, com a evolução de uma grande parte dos espíritos, aqueles rebeldes, transgressores, que preferirem permanecer nas trevas se comprazendo na dor do outro, serão exilados para outros orbes de evolução inferior a fim de se sintonizar com almas que estejam na mesma vibração densa.
Termino essa resenha com uma pergunta: que tipo de espírito é você? Em qual sintonia você se encontra na escala vibratória?

Deus nos deu livre arbítrio e podemos escolher entre trilhar o caminho da dor, ou o caminho da luz, do amor - este último sim, nos conduz diretamente ao encontro da divindade que mora dentro de cada um de nós.

Qual a sua escolha?

"A caminho da luz" 
Autor: Chico Xavier - pelo Espírito Emmanuel
Editora: Federação Espírita Brasileira
Páginas: 206

Avaliação: 5 estrelas

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sábado, 26 de março de 2022

Mr. Mercedes - Stephen King

 Há momentos na vida que a gente desvia um pouco o foco das coisas que amamos, para vivenciar experiências novas. Nos últimos anos fomos compelidos a olhar para dentro, rever nossas atitudes, fazer novas escolhas... 
Me afastei um pouco da leitura durante esse período, por necessidade do trabalho, por me aproximar de novas (e maravilhosas) experiências - como a gestação e a maternidade, e agora, senti uma vontade enorme de retomar minha relação com meu primeiro grande amor: a leitura!
Concluí a genial trilogia - Mr. Mercedes - do mestre Stephen King e minha admiração por esse autor só aumentou após essa leitura! Segue abaixo a resenha:


Livro 1 - Mr. Mercedes:
Brad Hartsfield é um jovem ambicioso, porém fracassado na vida. Profundo conhecedor de tecnologias na área de informática, tenta a sorte lançando vários de seus inventos, no entanto nenhum deles decola ou faz sucesso. Frustrado, Brad planeja atentados criminosos, visando matar e ferir pessoas, a fim de extravasar seu ódio pela humanidade, incapaz de reconhecer seus talentos.
Entretanto, insatisfeito em manter o segredo da autoria de tamanhas atrocidades só para si, após o cometimento dos crimes, Brad passa a se corresponder com o Detetive de Polícia aposentado, Bill Hodges, e aí começa a saga - o jogo de gato e rato entre os dois, que é o foco principal desse primeiro livro.
Com ajuda de dois amigos - Holly e Jerome - Bill, dedica dias a noites à caça do assassino do Mercedes, com o objetivo de dar uma resposta à sociedade, que anseia pela prisão do autor do terrível atentado.

Livro 2 - Achados e perdidos:
Após "solucionar" o caso "Mr Mercedes" Bill Hodges se vê frente a um novo e auspicioso desafio - encontrar o assassino do afamado escrito John Rothstein - Morris Bellamy - que na década de 70 havia cometido o homicídio e furtado vários cadernos contendo rascunhos de obras que o autor estava escrevendo, sem no entanto, ter intenção de publicá-los. Morris se dizia fã número um de Rothstein, e considerava um absurdo seu ídolo manter seus livros "impublicados".
Por intermédio da família Saubers, mais precisamente do garoto Peter, que encontrara enterrado nos fundos do terreno de sua residência um baú, contendo diversos cadernos, Hodges começa uma caçada alucinante a Bellamy, com o auxílio de seus colaboradores Holly e Jerome, que agora lhe prestam assistência em sua agência de investigação particular. Pois é! O caso "Mr Mercedes" rendeu bons frutos a essa equipe mais que do competente.

Livro 3 - Último turno:
No último volume da trilogia, o retorno inevitável de Brad Hartsfield acontece envolto em uma aura sobrenatural.
Bill, ainda atuante em sua agência de detetives (contando apenas com Holly, pois Jerome se mudara para cursar a Universidade) continua suas visitas a Brad, no hospital psiquiátrico. 
Não vou dar spoilers, você terá de ler o primeiro livro para entender o que aconteceu com o assassino do Mercedes, certo?
Mas nem a percepção aguçada de Hodges foi capaz de detectar a ocorrência de eventos sobrenaturais envolvendo Brad, as enfermeiras e posteriormente, pessoas relacionadas ao caso "Mr Mercedes" - muitos sobreviventes do atentado e pessoas indiretamente relacionadas a ele, passam a se suicidar.
Apenas após a tentativa de suicídio de Barbara (irmã de Jerome) é que o detetive passa a investigar os casos e descobre que todas as pessoas que haviam atentado contra sua própria vida, coincidentemente estavam jogando o Zappit, um joguinho inofensivo de caça a peixinhos coloridos.
Estaria Brad, manipulando e incitando as pessoas a cometer suicídio através do jogo?
A resposta a essa pergunta é o que dá a tônica sobrenatural ao último episódio desse thriller eletrizante.

Para finalizar, gostaria de dizer que o melhor de tudo nessa jornada foi o carinho e a empatia que foi me conectando a esse personagem fantástico que é Bill Hodges. Confesso que terminei o terceiro livro com muita dor no coração por causa dele!
Se você, assim como eu já era fã de Stephen King, depois de ler a trilogia, vai se apaixonar ainda mais - o cara é o rei mesmo!

"Trilogia Mr. Mercedes" 
Autor: Stephen King
Editora: Suma de letras

Avaliação: 5 estrelas (se pudesse, daria 1.000)

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segunda-feira, 29 de março de 2021

Por que pessoas do tipo sanguíneo A tem maior chance de contrair COVID-19?

Um estudo publicado em 03 de março desse ano, pela revista Blood Advances, da Sociedade Americana de Hematologia, mostrou que o coronavírus que causa a COVID-19 (SARS-2-CoV) é particularmente atraído pelo antígeno do grupo sanguíneo A encontrado nas células respiratórias. 
Antígeno é um termo que a ciência utiliza para se referir a uma proteína encontrada na superfície das células, nesse caso, mais especificamente de quem possui tipo sanguíneo A, independente do fator Rh (positivo ou negativo).
Pesquisadores se concentraram em uma proteína contida na superfície do vírus, chamada domínio de ligação ao receptor (RBD), que é parte do vírus que se liga as células hospedeiras. Tal proteína é um alvo importante para os cientistas que estão tentando compreender como o vírus infecta as pessoas.
A equipe avaliou como a RBD interagiu com os glóbulos vermelhos e respiratórios nos tipos de sangue A, B e O.
Os resultados mostraram que o SARS-Cov2-RBD tinha forte preferência para se ligar aos antígenos contidos nas células sanguíneas e respiratórias de quem pertencia ao grupo A.




Uma pesquisa realizada pelo Hemocentro e pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP-USP) corrobora com esse mesmo argumento, apontando os pacientes do grupo sanguíneo A como mais propensos a desenvolver as formas graves de Covid-19.
As conclusões do estudo estão em um artigo, que segundo o Instituto, obteve o aceite de uma revista britânica de hematologia para publicação.
Um dos responsáveis pelo estudo, o médico Gil de Santis, defende que a tipagem sanguínea deve ser uma aliada no diagnóstico, acompanhamento e tratamento dos pacientes com Covid-19.

Fontes: Revista Boa Saúde e Portal G1.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

"Hugo Chavez, o espectro" - Leonardo Coutinho

 Mais uma pérola resgatada em meio as liquidações de livros por R$10,00, "Hugo Chavez - o espectro" escrito pelo jornalista brasileiro Leonardo Coutinho,  foi uma experiência de leitura incrível.
Através dessa obra pude compreender como um país tão rico quanto a Venezuela, cheio de reservas de petróleo e com uma localização super estratégica, está passando pelo atual colapso econômico e político que condena milhões de seus habitantes à pobreza extrema.


Com base em milhares de páginas de documentos, muitos deles secretos, e mais de uma centena de entrevistas em dez países - o jornalista revela como as digitais do ditador Hugo Chavez estão espalhadas em todo o mundo desde a explosão de violência na América Central, em virtude do narcotráfico que a Venezuela incorporou como política de estado, no objetivo de destruir o inimigo opressor dos povos latinos - os Estados Unidos - até o financiamento de organizações terroristas como o grupo Estado Islâmico.
Hugo Chavez, a partir de seus devaneios megalomaníacos e sob o pretexto ético de implantar o "Socialismo do Século XXI", uniu-se às FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e aos terroristas islâmicos do norte da África, estabelecendo assim uma rota de tráfico de drogas contínua e prolífera, que alimentava toda a Europa e Estados Unidos.
Unir-se aos radicais islâmicos visava um objetivo comum: implodir os valores ocidentais, a fim de criar um caos, só assim seria possível estabelecer uma nova ordem mundial, o "Socialismo do século XXI". Atacar os pilares fundamentais que estruturam o Ocidente, como a democracia, a religião cristã, a família, foi estratégico e rende frutos até os dias atuais, porém hoje vemos tal estratégia com uma roupagem aparentemente mais nobre (o progressismo).
Eleito em 1998 com a promessa de tirar a Venezuela da crise e com o compromisso de conduzir o país ao desenvolvimento, o ditador desperdiçou a fortuna arrecadada em Petrodólares, financiando além do narcotráfico e de atos terroristas - inúmeras ditaduras comunistas - como Cuba por exemplo, além de investir nos partidos políticos de viés esquerdista (como o PT no Brasil) para que vencessem as eleições, de maneira que pudesse estender seus tentáculos para outras nações. Usou petrodólares para comprar presidentes, como no caso da Argentina, que negociou segredos nucleares com o Irã por intermédio de Hugo Chavez. Tal conexão com os radicais islâmicos do Hezbollah, rendeu a Argentina o atentado á Associação Mutual Israelita Argentina, que matou dezenas de judeus e feriu outros tantos. Anos depois, acusada pelo procurador Alberto Nisman, de co-participação nos atentados, a então Senadora Cristina Kirshner ordenou que o mesmo fosse executado, de maneira que sua morte parecesse um suicídio.
Tantas são as atrocidades contidas nesse livro, que considero praticamente impossível que uma pessoa em sã consciência, após a leitura, ainda escolha defender o "Socialismo" ou "Comunismo" independente da aparência que este assuma.
Como é de se imaginar, após escrever a obra, Coutinho foi vítima de perseguições em seu meio e não é muito bem quisto entre seus pares na imprensa - unicamente por ter revelado o quanto Chavez ainda assombra o mundo através de seu espectro, um legado de destruição que Nicolás Maduro soube herdar e manter, conduzindo a Venezuela rumo ao abismo.

"Hugo Chavez - o espectro" 
Autor: Leonardo Coutinho
Editora: Vestígio
Páginas: 194

Avaliação: 5 estrelas

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