Depois de algum tempo no ostracismo, resolvi publicar mais uma resenha, dessa vez de um "achado" em uma feirinha do livro no Metrô da rua Oscar Freire em São Paulo. Enquanto eu descia a escada rolante desatenta, o título "Café da manhã dos campeões" com toda sua pompa e circunstância alaranjada me arrebatou dos meus devaneios.
Se um dia me fizerem a pergunta: Você já comprou um livro pela capa e ficou feliz com a leitura, a resposta será sim, a obra de Vonnegut foi uma incrível surpresa.
Trata-se de um texto de humor ácido, com pitadas de crítica social e mensagens cuidadosamente espalhadas, por pontos estratégicos da história, que nos conduzem a uma reflexão sobre o sentido da vida.
Sim, Vonnegut filosofa muito. O texto tem a capacidade de te fazer rir até distender o abdome e logo após, te mergulha numa introspeção profunda sobre o verdadeiro propósito da nossa existência.
A história narra a trajetória de dois homens - Dwayne Hoover e Kilgore Trout - que se cruzam em uma cidadezinha do meio oeste americano, o que gera um caos profundo na vida dos dois.
Alter ego de Vonnegut, Trout é um escritor medíocre que escreve para revistas pornográficas e é convidado a participar de um festival de artes na cidade de Midland. Trout não acredita no próprio talento, mas mesmo assim, parte para o meio oeste, pegando caronas pela estrada.
Ao chegar em Midland, cruza ao acaso com Dwayne no bar do hotel Holiday Inn (propriedade de Dwayne, que é um homem muito próspero). Dwayne, em um surto psicótico toma das mãos de Trout o manuscrito de seu livro mais recente, lê em apenas alguns minutos e baseado no conteúdo da leitura, começa a agredir todos os presentes no recinto, incluindo seu filho, pianista do bar.
Parece bizarro falando assim, mas a cena final se parece muito com um filme de Tarantino. Uma violência estúpida e gratuita, sem o menor sentido. Mas mesmo com esse final maluco (e creio que a intenção desse final seja romper com um padrão de lógica, de finais felizes) a leitura é contagiante. Me peguei dando boas gargalhadas como há muito não acontecia comigo.
É fato que encontramos algumas obscenidades ao longo do texto - por isso recomendo somente a maiores de dezoito anos. Porém, as lições e aprendizados que Trout encontra pelo caminho são como cerejas no topo do bolo.
A frase que mais me trouxe inspiração foi a da foto acima: " Qual é o sentido da vida?" - Trout, ao usar um banheiro em uma parada de caminhões, na beira da estrada a lê, rabiscada na parede.
Procura pelos bolsos um lápis, uma caneta, para poder respondê-la, mas não encontra. Então pensa consigo mesmo: "Ser os olhos, os ouvidos e a consciência do Criador do Universo (seu idiota rsrss)".
Recomendo a leitura para quem estiver precisando sair um pouco rotina, pensar fora da caixinha e dar boas risadas!
Ah e se você quer saber o porquê do título do livro, vai ter que ler, pois eu não vou contar!
"Café da manhã dos campeões"
Autor: Kurt Vonnegut
Editora: Intrínseca
Páginas: 396
Avaliação: 5 estrelas










