quarta-feira, 29 de abril de 2020

"A paciente silenciosa" - Alex Michaelides

Não estou isolada em casa na quarentena. O dever me chama e todos os dias saio para trabalhar em um hospital.
A tensão, o estresse e a correria dos dias de labuta, podem ser suavizados, e a leitura tem sido minha grande parceira nesse sentido.
Nessa última quinzena tive o prazer de ler o suspense psicológico de Alex Michaelides, um autor greco-cipriota que se destacou ao escrever a obra "A paciente silenciosa", através da qual narra a relação psicólogo-paciente e tem como pano de fundo o assassinato de Gabriel Berenson, um famoso fotógrafo inglês, por sua esposa, a pintora renomada Alicia Berenson.


Antes do fechamento dos comércios dei uma passadinha na Livraria Saraiva do Shopping Center Norte aqui em São Paulo e comprei o livro. A livraria estava vazia, então, me sentei no banco estofado do segundo andar e li um pouco. É claro que não saí de lá sem essa belezinha! Segue a resenha:

Theo Faber, um psicólogo bem sucedido, se comove com o caso da pintora Alicia Berenson, que, após assassinar o marido, Gabriel Berenson, é internada em uma casa de custódia e permanece calada, por anos a fio, se isolando em seu mundo interior.
Tal comportamento, gera além de desconforto, muita curiosidade por parte da sociedade, que acompanha os desdobramentos do caso Berenson sem compreender ao certo os motivos de Alicia para permanecer sem verbalizar absolutamente nada.
Theo se candidata a uma vaga de emprego no "Grove" - a casa de custódia - e passa a ser o psicólogo encarregado de acompanhar "a paciente silenciosa".
O objetivo do rapaz é fazer Alicia falar. Quer trazê-la para o mundo real e despertá-la para a realidade aos seu redor, dessa forma, pretende fazê-la se abrir aos poucos e relatar os motivos por trás do assassinato do marido.
Mas a homicida não fala. Pelo contrário, permanece taciturna em todas as consultas e na primeira distração de Theo, o ataca, agredindo-o e sufocando-o. Mas mesmo assim, ele não desiste da mulher.
Em paralelo, contrariando as ordens do Diretor da Instituição - o terapeuta Diomedes - Theo passa a conduzir uma investigação sobre a vida pregressa de Alicia, visitando amigos, parentes e os locais onde ela morou, para dessa forma traçar seu perfil, já que através do diálogo não estava sendo possível.
O psicólogo conhece o gerente da galeria onde os quadros de Alicia estão expostos - seu amigo Jean-Felix, se encontra também com Max Berenson, seu ex-cunhado, com seu primo e sua tia em Cambridge - onde Alicia havia residido com a família, e a a partir das impressões dessas pessoas, constrói uma teoria particular - a de que Alicia pode não ser a assassina do marido.
Mas não para por aí, enquanto conduz "o caso profissional da sua vida", Theo começa a enfrentar turbulências em seu casamento. Passa a desconfiar que a esposa o esteja traindo.

Esse suspense é uma trama muito bem construída, com personagens complexas e muito ricas psicologicamente (mesmo que "fodidas" da cabeça). A narrativa me prendeu do começo ao fim e só não li mais rápido, porque tinha que trabalhar! Mas olha que teve noites de folga nas quais varei a madrugada lendo!
O final é surpreendente. Eu diria que da metade para a frente do livro, já comecei a desconfiar que tanto Alicia, quanto Theo, não eram o que pareciam.

Deixo essa dica de leitura, salvadora, em tempos tão sombrios.
Leia, porque ler liberta, te faz viajar, mesmo sentado no sofá!


"A paciente silenciosa" 
Autor: Alex Michaelides
Editora: Record
Páginas: 348

Avaliação: 5 estrelas

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domingo, 19 de abril de 2020

A tática econômica da China para conquistar o mundo + Dica de leitura: "Crash" de Alexandre Versignassi

O caos causado pela pandemia do coronavírus, somado a quarentena imposta aqui no Brasil, nos leva a ponderar sobra as teorias da conspiração a respeito da China.
Teria a China manipulado esse vírus e o disseminado, como estratégia para enfraquecer a economia mundial e tomar a posição na vanguarda como maior potência global?
A leitura de uma obra espetacular - "Crash", do jornalista Alexandre Versignassi - mostrou-me do que a China foi, e é capaz de fazer, para seduzir o planeta com seus produtinhos "xing ling" e quem sabe dessa forma, comendo pelas beiradas sutilmente, sem representar grandes ameaças, chegar lá: no topo pirâmide econômica.


Seguem alguns trechos do livro, que achei interessantes:

"Como a China é o maior exportador do mundo, o Partido Comunista faz o yuan valer o que é bom para as exportações: bem pouco em relação ao dólar.
O país de onde saem 65% dos calçados, 90% dos brinquedos e quase 100% dos iPhones e iPads do planeta, mantém sua moeda desvalorizada artificialmente para que os produtos saiam mais baratos no exterior. 
Artificialmente, por causa do seguinte: o resto do mundo precisa de yuans para pagar pelo que é feito lá... Afinal, os salários dos trabalhadores chineses tem que ser pagos em moeda chinesa. Como centenas de países do mundo são compradores de moeda chinesa, o yuan deveria estar razoavelmente valorizado... O que o Partido Comunista faz para manter o valor da moeda baixo é sair comprando qualquer excesso de dólar que aparece em seu mercado interno.
Só em 2010 "sobraram" 183 bilhões de dólares no mercado interno chinês - é quando as exportações bateram as importações lá, o superavit comercial deles. O que o governo chinês fez, claro, foi comprar boa parte desse excedente. Assim o dólar não cai e o yuan não sobe. 
Essas compras de dólar que o governo faz o tempo todo, deixaram o Estado chinês com a maior poupança de dólar no mundo. São 3 trilhões...
... Sim, tem um lado inflacionário nesse aspirador de dólares chinês. Comprando moeda americana dentro da China no volume que eles compram, a economia acaba lotada de yuans. 
Claro que isso pressiona a inflação. Mas não é que ela se manteve sob controle? O país segurou a bronca do aumento da quantidade de moeda produzindo loucamente no mercado interno, ou seja, fazendo com que os yuans novos tivessem como ser usados para comprar coisas novas...
Só Xangai levantou 6.700 prédios de mais de 10 andares entre 1990 e a metade da década passada. Até 2009, a China inaugurava duas usinas termelétricas por semana. Xangai, que até 1995 não tinha metrô, hoje tem o maior do mundo, com 289 estações e 500 quilômetros de linhas.
... Mas existe um limite para a quantidade de prédios, trens e usinas que a China pode continuar produzindo, pelo menos na velocidade com que faz hoje. E aí a inflação pode se instalar e corroer tudo, Qual é esse limite?"

Pois é, a China começou então a expandir seu império, como Roma fez no passado. Agora tem linhas de trem, portos e aeroportos em outros países. Ou seja, essa expansão garante que a inflação não a consuma e de quebra, ela se tornará o novo Império Ascenso.
Um empurrãozinho, como a pandemia de coronavírus surgida recentemente, pode antecipar as coisas, sobretudo se os Estados Unidos entrarem em recessão e quebrarem.

Não sei o que você leitor, pensa sobre isso. Mas fica a dica de leitura que vai agregar muitos outros conhecimentos a respeito de economia, os quais são essenciais para a compreensão do que está acontecendo no mundo nesse momento - bolsas despencando, dólar subindo, recessão econômica.
Vale a pena ler, pois conhecimento é poder! Ter uma visão crítica dos fatos é fundamental para que você não seja massa de manobra nas mãos de outros, sobretudo quando esses "outros" possuem um interesse de dominação das massas e manutenção de poder, que pode afetar muito a sua vida!

Boa leitura

"Crash - uma breve história da economia" 
Autor: Alexandre Versignassi
Editora: Leya
Páginas: 334

Avaliação: 5 estrelas

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