quarta-feira, 11 de abril de 2018

Cartas de amor aos mortos - Ava Dellaira

Se você pudesse enviar uma carta de amor a uma pessoa morta, qual seria o destinatário?
Um ente querido? Uma celebridade? Um amigo falecido?

Laurel, uma adolescente do Ensino Médio, recebe de sua professora de inglês a tarefa de escrever uma carta. Mas não uma carta comum.
A missiva deve ser escrita a uma pessoa que já tenha falecido, ou seja, alguém que não esteja mais entre nós, mas que não necessariamente tenha sido íntimo.
A garota, traumatizada pela morte prematura da irmã, já havia mudado de escola para não sofrer com os olhares de pena dos colegas que a faziam se sentir pior. Todo seu sofrimento era ainda agravado pela ausência da mãe, que isolara-se na Califórnia, a quilômetros de distância da família. E nesse ínterim, sua professora - que vale ressaltar já a conhecia do outro colégio - lhe delegara a fatídica tarefa.
Apesar da relutância inicial, Laurel começa a escrever cartas a celebridades falecidas como: Kurt Cobain, Amy Winehouse, River Phoenix, Jim Morrison, Janis Joplin, entre outros. Nelas, a garota desabafa sobre os fatos de seu cotidiano e seus dilemas pessoais, relacionando-os com as histórias de vida desses famosos.
A escolha dessas celebridades não é por acaso. Todas elas, em maior ou menor grau, eram fontes de inspiração para a falecida irmã, May.
May também era adolescente, e havia perdido a vida de forma banal. O mistério da morte da garota e a culpa que Laurel carrega por isso, são o ponto central em torno do qual gira a narrativa.
Ao longo das páginas, vamos constatando que as relações de Laurel com o pai, a mãe (que encontra-se ausente), a tia, os raros amigos e o namorado, são permeadas por desconforto e trazem a tona todo sentimento de inadequação da jovem. Arredia, ela não consegue se abrir com ninguém, fugindo de diálogos mais profundos sobre suas emoções.
Podemos perceber que a jovem passa a viver a vida na superfície, sem mergulhar nas relações, com medo de revelar seus segredos e demonstrar suas fraquezas - afinal ela não é a única a sofrer pela morte de May.



Com a narrativa em primeira pessoa, a obra se torna massante em determinado ponto. Lá pelo meio do livro você pode sentir vontade de parar, porque parece que não há desfechos plausíveis para uma história que rodopia em torno de lamentações e angústias.
Mas, tenha paciência, pois um tema tão delicado, abordado de forma tão criativa (através das cartas) é fonte de gratas surpresas.
Você vai aprender um pouco mais sobre o histórico de cada uma das personalidades a quem Laurel envia as cartas - que nunca vão ser entregues, é claro - além de prescrutar a alma jovem e cheia de sonhos de uma adolescente em conflito consigo mesma - se você já foi este adolescente, vai se identificar com ela (assim como eu me identifiquei).

Recomendo essa leitura fofa! 
É a oportunidade de rememorarmos os dilemas da juventude - que muito nos ensinaram - e refletir sobre eles.

Boa noite ; ) 



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