
Milan Kundera é um escritor checo-francês, que após ser expulso da Tchecoslováquia pelo partido comunista, radicou-se na França e passou a escrever obras criticando o regime socialista da União Soviética, que havia invadido seu país e o dominado.
A insustentável leveza do ser é um livro que narra a história de dois casais - Tomas e Teresa, Sabina e Frank, que se cruzam em um enredo que tem como pano de fundo o contexto histórico da Primavera de Praga, que ocorreu em 1968, após a ocupação da Tchecoslováquia pelos russos.
O casal Tomas e Teresa possuía um relacionamento aberto. Teresa era garçonete e vivia uma vida pacata, enquanto Tomas era médico e sua vida profissional agitada, possibilitava que entrasse em contato com diferentes tipos de mulheres, com as quais engatava relacionamentos furtivos. Uma delas fora Sabina.
Sabina era uma estudante de artes, que após a invasão de seu país, resolveu se mudar para a Suíça, perpetuando seu relacionamento extra-conjugal com seu professor da faculdade, Frank. Frank era casado com Marie Claude, mas Sabina era uma jovem de espírito livre e solteira.
Teresa sabia das escapadas de seu marido e quando ele decidiu partir para a Suíça, em busca de "liberdade", já que a opressão russa se fazia sentir, Teresa não se surpreendeu. Ambos partiram rumo ao novo país e Tomas continuou exercendo sua profissão por lá.
Porém, o peso de um relacionamento instável tornou a vida insuportável para a mulher, que passava seus dias em casa, esperando o marido chegar do trabalho e das noitadas com suas amantes. Sem mais nem menos, Teresa partiu de volta para sua terra natal e a insustentável leveza do ser, da paz de espírito, tomou conta do seu ser, finalmente. Como companhia, Teresa tinha sua cachorra Karenin, batizada em homenagem ao livro de Tolstói.
Tomas por fim, decidiu retornar a Praga, pois sentiu falta da esposa e reconheceu que a vida sem a mulher que o amava de verdade - muito além do amor puramente carnal - não fazia sentindo. Entretanto, passou a ser perseguido pelos comunistas que, incomodados com suas críticas públicas ao regime, o impediram de exercer sua profissão. A partir de então, Tomas passou a lavar vidraças para sobreviver.
Com uma narrativa não linear, Milan Kundera nos leva a abstração em vários momentos da estória, através de reflexões filosóficas e críticas contundentes ao regime que invadiu seu país. A perda da nacionalidade fez com que o povo checo se rebelasse contra seus invasores e tomasse atitudes como por exemplo, remover as placas que nomeavam as ruas, a fim de deixar os inimigos perdidos. O comunismo, mais do que roubar a identidade daquelas pessoas, arruinou seu país e suas vidas particulares foram despedaçadas com isso.
Para os que ainda acreditam na utopia do comunismo, ou do socialismo, recomendo essa leitura. Por meio dela, concluímos que os responsáveis pela ruína e morte de milhões de pessoas não foram os idealizadores dessa teoria, mas seus entusiastas. Para estes, mentir, roubar, corromper e matar, desde que seja pelo ideal do "partido", vale a pena.
Nessa trama envolvente, Kundera trouxe à reflexão do leitor um tema que mais do que nunca exige nossa atenção. Priorizar o coletivismo em detrimento dos direitos individuais dos seres humanos é opressor. É triste imaginar que durante o regime soviético tantas pessoas morriam de fome, frio e eram forçadas a distanciar-se de suas famílias e abrir mão de seus sonhos.
E a pergunta que não quer calar é a seguinte: e se isso tivesse acontecendo com você? Te convido a refletir.
"A insustentável leveza do ser"
Autor: Milan Kundera
Editora: Companhia de bolso
Páginas: 307
Avaliação: 5 estrelas

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