quinta-feira, 30 de março de 2017

LUXÚRIA - Quem nunca cedeu a tentação de Asmodeus?

Pasmem: não foram as virtudes que moldaram o mundo. A humanidade foi moldada à imagem e semelhança dos pecados capitais, justamente porque eles refletem nossos impulsos irracionais, nossos vícios sufocados. 
A série "Os sete pecados" da Editora Leya, veio para contar a história de cada um deles.

A história da luxúria tem sob seus holofotes, como personagem principal, a mulher.  Já que, com o surgimento das religiões patriarcais, criou-se o pressuposto de que a desgraça entrou para o mundo através dela: Eva - que roubara o fruto da árvore proibida.
O fato é que os homens, temendo filhos bastardos (visto que nos relacionamentos a paternidade nunca é óbvia) sempre fizeram de tudo para controlar os impulsos carnais femininos, inclusive endeusando virgens, através das liturgias religiosas - muito perspicaz não?
A ideia da luxúria, como pode ser visto no livro, começou a ser construída lentamente muito antes do judaísmo ou cristianismo. Atravessou toda história ocidental, com a teoria da alma de Platão, o meio-termo aristotélico, a glorificação das virtudes romanas, o moralismo estatal do imperador Augusto, as Escrituras dos judeus, a obsessão do apóstolo Paulo pela virgindade e depois por toda a tradição católica acumulada até o Concílio de Trento.
Entretanto, o status de pecado da luxúria, sucumbiu diante da modernização cultural advinda da Revolução Industrial, e do empoderamento feminino surgido no pós guerra. 
Livres das amarras da moral, hoje homens e mulheres podem desfrutar da sexualidade como bem entenderem e com quem desejarem.
Mas a longa trajetória que levou a tamanha liberdade foi árdua e dolorosa, sobretudo para as fêmeas - sempre reprimidas, pois os machos podiam tudo desde cedo - afinal a virilidade sempre foi sinônimo de poder.

"Luxúria" é um livro que nos conduz a esta interessante jornada, e é fundamental para aguçar nossa percepção da liberdade que possuímos hoje.

 Como afirmou Hugh Hefner (fundador da Revista Playboy):

"A principal força civilizatória do mundo não é a religião, mas o sexo."

Ele tinha razão. O proibido povoou o imaginário de homens e mulheres, durante milênios, mas só agora pode ser colocado em prática, sem maiores preocupações nem preconceitos - apenas com responsabilidade. Tudo é válido entre quatro paredes, desde que haja respeito, certo?

A essa altura, o demônio da luxúria deve estar se regozijando - mas quem nunca cedeu a Asmodeus - que atire a primeira pedra.

ABAIXO AOS FALSOS PUDORES MEDIEVAIS!!!  E mergulhe comigo nessa leitura.

Boa noite!



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