Recentemente, assistindo aos noticiários de TV, deparei-me com a triste notícia da morte de dois estudantes de 14 anos, assassinados a tiros por um colega de classe, na cidade de Goiânia-GO.
A motivação para o crime: a constante prática do bullying dentro de sala de aula. Uma das vítimas ofendia continuamente o atirador através de agressões verbais, com o intuito de humilhá-lo perante os outros alunos.
Tal prática é muito frequente, e todos nós de alguma forma, já fomos vítimas ou executores deste tipo de ato.
Por coincidência, na mesma época, eu lia o livro "Extraordinário - Wonder (em inglês) - da autora R J Palacio, que trata deste delicado tema de uma forma encantadora.
A prática de bullying não possui nada de encantador - eu sei. Porém a forma como lidamos com a situação, principalmente quando somos as vítimas, é o grande enfoque desta emocionante estória.
O pequeno August Pullman nasceu com deformidades crânio-faciais, decorrentes de um problema genético. Isso o tornava diferente das outras crianças, não somente com relação a aparência que possuía, mas também a respeito dos desafios que desde a terna idade teve de enfrentar.
Muitas cirurgias, um entra e sai de hospitais, a saúde frágil e o zelo com que a família o tratava, permearam os anos seguintes de sua vida, até que Auggie adquiriu a resistência física de que necessitava para finalmente encarar o mundo - e as pessoas.
Os pais cuidadosos, com medo da reação das outras crianças à aparência de Auggie e da possível repercussão negativa que isto poderia causar sobre a personalidade do menino, a princípio recearam sua ida a escola, mas acabaram por incentivá-lo, afinal.
É fato que as crianças podem ser cruéis, o que desconstrói o mito da pureza e bondade inatas do ser humano, sob meu ponto de vista. O homem é o lobo do homem e ponto final.
Mas há esperança, claro. E o manisfesto à gentileza, escrito por Palacio, nos estimula a acreditar nisso.
Auggie nos prova a cada página que é possível driblar o preconceito e o desrespeito de maneira inteligente e bem humorada. Os alicerces de seu comportamento, com certeza foram construídos na convivência amorosa com os pais e a irmã, que amavam-no e demonstravam isso a cada minuto, porém sem deixar de dialogar a respeito de sua delicada situação e dos desafios que teria de enfrentar.
Você vai rir, chorar e talvez se torne, assim como eu, um militante contra a prática do bullying nas escolas.
Pra quem tem preguiça de ler, o filme será lançado agora em Dezembro de 2017 aqui no Brasil - segue abaixo o trailer:
Boa noite, boa leitura!!!

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