Camilo Castelo Branco é meu autor português favorito. Nascido em 16 de março de 1825 (portanto, pisciano, assim como esta que voz fala) sua biografia é digna de tornar-se narrativa de folhetim.

Nasceu filho bastardo e com apenas um ano de idade ficou órfão de mãe. Aos dez anos perdeu o pai (a quem conhecia) e passou a morar com a irmã mais velha, Carolina. Recebeu sua educação de maneira irregular, através de dois padres da província onde vivia.
Aos 16 anos casou-se com sua primeira esposa - Joaquina. Porém um casamento tão precoce, fruto de uma paixão juvenil, não duraria muito e Camilo partiu para Granja Velha, onde pretendia se preparar para a Universidade.
Se envolveu com outra moça - Patricia - mas em 1848 a abandonou, retornando para a casa da irmã. A essa altura, já havia publicado alguns textos jornalísticos que lhe renderam muitas dores de cabeça.
Tempos depois, na cidade do Porto, tentou cursar Medicina. Abandonou o curso, ingressando para a faculdade de Direito. Mas sua vida boêmia e repleta de paixões tornara-se incompatível com os estudos.
Nesse ínterim, Ana Plácido arrebatou seu coração! E Camilo, passional como sempre, raptou-a e fugiu com ela - que era casada com um brasileiro. Porém, naquela época o adultério era crime e ambos foram capturados e presos.
É no cárcere - a cadeia da Relação do Porto - que Camilo escreveria o livro "Amor de perdição" que baseou-se na história de vida de seu tio, Simão Botelho e de sua amada Teresa de Albuquerque. Não por acaso, Camilo havia descoberto durante os dias na cadeia, que seu finado tio Simão havia sido detido lá, anos antes, em virtude de um crime cometido por amor. E o escritor, com tempo livre de sobra, resolveu recriar o romance e publicá-lo em forma de novela folhetinesca.
Foi o auge de sua carreira e seu grande sucesso de público. Amor de perdição foi a novela que Portugal acompanhou com avidez, e a cada publicação, suspirava de amores, aguardando ansiosamente pelo próximo capítulo.

A versão lusitana de Romeu e Julieta é considerada uma obra ultrarromântica, porque exalta o sofrimento amoroso do casal - Simão e Teresa - apontando a morte, como a solução para os seus conflitos.
Simão era um rapaz de espírito revolucionário e após envolver-se em contendas na Universidade de Coimbra, retornou a cidade chamada Viseu, onde passou a viver com a mãe. Dessa forma, teve contato com sua vizinha Teresa. Apesar de vê-la apenas pela janela do quarto, apaixonou-se pela moça e foi correspondido - eles passaram a trocar cartas por intermédio de uma mendiga.
No entanto, o amor não pôde se materializar. Pois os pais de ambos eram inimigos e, o pai de Teresa, Tadeu de Albuquerque, queria a todo custo casar sua filha com o sobrinho fidalgo Baltazar Coutinho.
Teresa, não escondendo seu descontentamento, recusava-se a contrair matrimônio com o primo e declarou explicitamente seu amor por Simão, para fúria de seu pai, que resolveu então enviá-la a um convento.
Baltazar passou a atormentar a vida da jovem, querendo a todo custo seu consentimento para o casamento arranjado. Simão, após muitas tentativas de contatar Teresa, finalmente viu-se cara a cara com Baltazar e com o intuito de livrar a amada de tal estorvo, atirou contra o fidalgo que morreu na hora. Como consequência de seus atos, o jovem foi levado preso para a cadeia da Relação do Porto, onde permaneceu acompanhando pelo ferreiro João da Cruz e sua filha Mariana. João, possuía dívida de gratidão com o pai do rapaz e resolveu auxilia-lo em um momento tão difícil.
Teresa então, foi enviada ao Convento no Porto, onde definhou até quase morrer. Sua salvação eram as cartas que trocava com Simão, por intermédio de Mariana. Porém, ao saber que Simão seria enviado ao exílio, Teresa se entregaria de vez aos braços da morte.
A pobre Mariana apaixonou-se por Simão. Como se não bastasse não ser correspondida, ainda perdeu o pai assassinado e vendeu todos seus bens para prosseguir junto com seu amado para o degredo na Índia.
O fim dessa história é triste e para não dar spoiler, não o contarei aqui.
Recomendo a leitura dessa obra, sobretudo porque trata-se de um livro curto, de um pouco mais de cento e cinquenta páginas, que vai prende-lo do início ao fim!
Intenso, Camilo é o maior romancista português e não é para menos. Me identifiquei demais com a escrita desse homem!
Não basta passar por essa terra sem viver intensamente as dores e as delícias do amor. Quem não se entrega para o amor, apenas arrasta-se por uma existência sem sentido.
Teresa então, foi enviada ao Convento no Porto, onde definhou até quase morrer. Sua salvação eram as cartas que trocava com Simão, por intermédio de Mariana. Porém, ao saber que Simão seria enviado ao exílio, Teresa se entregaria de vez aos braços da morte.
A pobre Mariana apaixonou-se por Simão. Como se não bastasse não ser correspondida, ainda perdeu o pai assassinado e vendeu todos seus bens para prosseguir junto com seu amado para o degredo na Índia.
O fim dessa história é triste e para não dar spoiler, não o contarei aqui.
Recomendo a leitura dessa obra, sobretudo porque trata-se de um livro curto, de um pouco mais de cento e cinquenta páginas, que vai prende-lo do início ao fim!
Intenso, Camilo é o maior romancista português e não é para menos. Me identifiquei demais com a escrita desse homem!
Não basta passar por essa terra sem viver intensamente as dores e as delícias do amor. Quem não se entrega para o amor, apenas arrasta-se por uma existência sem sentido.
"Amor de perdição"
Autor: Camilo Castelo Branco
Editora: Martin Claret - Coleção a obra-prima de cada autor
Páginas: 173
Avaliação: 5 estrelas

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