Relações de diversas naturezas, como as paternais/maternais, fraternas e de amizade também podem ser abusivas, mas o foco desta leitura, mais precisamente, é a relação afetiva doentia entre homem e mulher, como casal.
Vanessa, uma mulher de 37 anos recém divorciada, está deprimida, sem dinheiro e morando com a tia. Ao descobrir que seu ex-marido Richard, um homem aparentemente perfeito, rico e carismático está prestes a se casar novamente, ela passa a se dedicar a obsessão de impedir o novo matrimônio. Mas não se engane, pois seus motivos são muito maiores que o ciúme.
De fato, como relata a sinopse da contracapa, durante a narrativa, o leitor é levado a supor muitas coisas a respeito de ex-casal. Mas a cada capítulo, os véus das ilusões e falsas expectativas que Vanessa alimenta desde o início de sua relação vão se rompendo e o homem super-protetor e generoso que ela conheceu, vai se revelando.
É muito difícil para a maioria das mulheres que estão envolvidas nesse tipo de relação, onde o parceiro se torna um abusador, admitirem para si mesmas que estão sofrendo tais abusos. Portanto, listei abaixo alguns pontos contidos no desenrolar da narrativa, que são indicativos desse tipo de situação:
1. Controle da relação: o "abusador" sob a aura de ser o grande protetor da mulher, aproveita de suas fragilidades emocionais para assumir o controle de sua vida. Dizendo o que ela pode ou não fazer;
2. Ciúme excessivo e afastamento de outras pessoas: amigos e parentes passam a ser uma ameaça. O "abusador" se utiliza das mais variadas justificativas como: essa pessoa é má influência, ou tal pessoa te trata mal - como forma de manter a mulher afastada de todos e aumentar seu controle ainda mais;
3. Destruição da auto-estima: as críticas à parceira começam de "forma construtiva" até que tomam proporções mais pesadas, a ponto da mulher se sentir um lixo, inútil;
4. Invalidação de sentimentos: o "abusador" diz que aquilo que a companheira sente é besteira, não é nada, invalidando os sentimentos da mulher, induzindo-a a sentir-se envergonhada por seu desconforto com o relacionamento;
5. Invasão de privacidade: nesse tipo de relacionamento é comum o "abusador" não respeitar o espaço individual da outra parte, portanto, condutas como o roubo de senhas, ler mensagens e emails, instalar programas de rastreamento no celular, tornam-se mais um indicativo de que a relação é opressiva;
6. Controle financeiro: geralmente o homem passa a controlar o dinheiro do casal, muitas vezes exigindo que a mulher se afaste do emprego. Dessa forma, a mantém cativa e dependente financeiramente dele;
7. Ameaças e chantagens: quando a relação atinge o auge da abusividade, ameaças são comuns, caracterizando uma forma de violência psicológica e precedendo a violência física, na maioria das vezes;
8. Exigir relação sexual: o "abusador" se sente dono do corpo da mulher e passa a exigir que a mulher adote comportamentos sexuais que não lhe agradam, só para satisfazer suas taras, sob o pretexto de que o homem tem o domínio sobre o corpo e as vontades da parceira - isso pode caracterizar estupro;
9. Violência física: esse geralmente é o último degrau rumo ao precipício. A violência começa de forma sutil, muitas vezes verbal e passa para as agressões físicas de fato. É comum vermos mulheres sendo assassinadas por seus companheiros e ex-companheiros.
Cabe salientar que a mulher do século XXI é completamente capaz de se auto-afirmar sem necessidade de utilizar-se de uma relação como muleta para esse fim. Não se trata de "lacração". É uma questão de não se colocar no papel de vítima, mas sim de protagonista de sua própria história e buscar o melhor para si e para o outro, dentro de uma relação que seja pautada no respeito mútuo - fora do respeito, não há relacionamento saudável - há doença mental e dependência emocional. Pense nisso!!!
"A mulher entre nós"
Autor: Greer Hendricks e Sarah Pekkanen
Editora: Paralela
Páginas: 343
Avaliação: 5 estrelas


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