segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O sorriso da hiena - Gustavo Ávila

Gustavo Ávila é um autor brasileiro da nova geração. Ingressou no mundo da escrita através do mercado publicitário, onde atuou como redator.
"O sorriso da hiena" estreou com seu ambicioso enredo, que envolve três personagens chave: David - um serial killer, que deseja repetir com outras famílias o que aconteceu com a dele, William - um psicólogo de crianças, que viram seus pais serem assassinados e Artur - o investigador autista, que tenta descobrir a identidade do assassino em série, que tem como modus operandi matar casais na frente de seus filhos, deixando as crianças vivas.




William, formou-se psicologo após largar a faculdade de medicina (para mim, a primeira inconsistência da narrativa, porque ele poderia ter concluído medicina e se especializado em psiquiatria) e passou a se dedicar a atender crianças, a maioria delas vítimas de violência doméstica. Porém, uma proposta feita por email, por um misterioso homem chamado David o colocou diante de um complexo dilema moral.
David quer saber se a violência é algo inerente ao homem, e para isso, pretende repetir com outras crianças o que havia acontecido com ele na infância - matar seus pais na frente delas. William, acompanharia seu crescimento e constataria se o trauma seria fator determinante no desenvolvimento do caráter dos infantes, para o bem ou para o mal.
Após cometer os primeiros assassinatos, o homicida passa a ser procurado pela polícia e o investigador Artur, se desdobra para desvendar a identidade do novo serial killer que assombra a população.

A história se passa em local indefinido - aparentemente uma metrópole, aqui no Brasil - e intercala trechos onde se narra o passado, com outros sobre o presente.
Em alguns momentos, tive a impressão de que se passava no exterior, por causa da maneira como o autor se referia a Artur - como detetive - pois detetive é a forma como os americanos chamam seus investigadores. Outra característica que salta aos olhos, e a de que Artur anda de táxi o tempo todo, e não de viatura. Aqui no Brasil, os policiais ganham muito mal e se tivessem que proceder às diligências de suas investigações de táxi, não lhes sobraria um tostão de seu salário!
Em outro momento, o autor fala de policiais atuando em patrulhas ostensivas, mas não se refere a eles como policiais militares, o que soa estranho, já que aqui no Brasil a polícia que investiga (Civil) não realiza patrulhas ostensivas, pois essa função é da Polícia Militar e ambas são independentes - caracterizando um ciclo incompleto de polícia. Na América, a mesma polícia faz tudo, ou seja, o ciclo de polícia lá é completo, por esse motivo eles tem maior êxito em suas investigações.
Porém, o que me transportou de volta ao Brasil, foi a demora para conclusão da investigação feita por Artur - aí sim, acreditei que a narrativa se passava por aqui - dez anos para encontrar o assassino e enfim, prendê-lo!
Por fim, me causou estranheza que o "detetive" Artur possuísse Síndrome de Asperger, pois creio que uma pessoa que apresentasse qualquer grau de autismo, mesmo o mais leve, não seria aprovado nas baterias de testes psicológicos aos quais os candidatos a policial são submetidos.

Tantos furos na narrativa, não passariam despercebidos para uma policial, como eu. No entanto, isso não foi capaz de me tirar o prazer da leitura. De fato é muito instigante e envolvente e não consegui parar até chegar a última página!

Boa leitura!!!

"O sorriso da hiena"
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus
Páginas: 261

Avaliação: 4 estrelas (Dou quatro estrelas em virtude de não encontrar correspondência entre a polícia descrita pelo autor, com a polícia da vida real).

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