No Brasil, fevereiro é um mês quase inútil. Além de ser mais curto, passa muito mais rápido porque aqui, temos o Carnaval. Uma celebração cultural estúpida, em um país que deveria se preocupar com tantas outras questões mal resolvidas, mas o povo, prefere viver de aparências e uma vez por ano, sai para as ruas, enche o cú de cachaça e afins, dança coreografias ridículas - para extravasar o estresse!!!
Sabe aquela vontade de "pular" Carnaval? Então, nunca tive. Prefiro encarar a realidade, nua e crua, de cara limpa.
Minha leitura do mês de fevereiro vem bem de encontro ao questionamento que faço acima. Nosso país tem mazelas muito mais sérias a solucionar e não podemos fechar os olhos para isso. Uma delas é o infanticídio indígena, que ainda assola muitas de nossas tribos isoladas.

Ao ler a obra "Bom dia, Verônica", um suspense policial, escrito sob o pseudônimo "Andrea Killmore" - depois descobri que o livro na realidade foi uma parceria entre Raphael Montes e Ilana Casoy, ambos autores consagrados - me deparei com a narração de uma cena, em que a policial Verônica Torres assiste atônita a um vídeo em que uma criança indígena é enterrada viva, por possuir algum tipo de deficiência física ou mental.
Sim, em algumas tribos as crianças são enterradas vivas, e dessa forma assassinadas. Infelizmente os índios acreditam que se vivas, elas padeceriam muito mais por suas deficiências e matá-las é uma forma de compaixão, já que o espírito não terá necessidade de viver em um corpo deformado.
Segue abaixo um vídeo de um bebê índio que foi enterrado vivo, mas que graças ao bom Deus foi resgatado pelas mãos de policiais militares do Estado do Mato Grosso.
"Bom dia Verônica" é um thriller excepcional, uma daquelas leituras que você não sossega enquanto não termina. Aborda temas muito polêmicos, como o próprio infanticídio indígena, necrofilia, estelionato virtual, golpe do "Boa noite Cinderela", psicopatia, o trabalho ineficiente da policia civil... Enfim, esse livro é um prato bem cheio de polêmicas, para quem gosta delas.
Sem contar que a personagem principal, ao longo da narrativa, vai dando dicas sobre sua personalidade e o desfecho da estória, para quem prestou bem atenção ao comportamento de Verônica, não vai ser nenhuma surpresa.
Essa resenha é minha homenagem à festa da Carne!!! Enquanto o ser humano médio se esbalda sendo ser humano médio, alguns ainda resistirão e vão querer continuar a fazer a diferença.
É a vocês que desejam um mundo melhor, mais justo e mais humano que dedico minhas orações. E aos pequenos índios, verdadeiros donos dessa terra, que morrem nas mãos de seus algozes, ou melhor, nas mãos daqueles que deveriam protegê-los.
NÃO PODEMOS FICAR CALADOS. ABAIXO AO INFANTICÍDIO INDÍGENA.
Boa leitura.
ACORDA BRASIL!!!
"Bom dia Veronica"
Autor: Andrea Killmore
Editora: Dark Side
Páginas: 256
Avaliação: 5 estrelas

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