domingo, 15 de julho de 2018

Clímax - Chuck Palahniuk

Esse ano, entre os meses de março e abril, o Grupo Escala realizou uma Feira do Livro no Shopping Metrô Tucuruvi em São Paulo... E lá fui eu, conferir!
Dentre as pérolas que encontrei - pela pechincha de dez reais - estava o livro do autor Chuck Palahniuk, intitulado "Clímax".
Antes de resenhar, recomendo a todos que visitem as feiras de livros itinerantes do Grupo Escala, que realiza parcerias com diversos shoppings a fim de democratizar a leitura. Parabéns a Editora Escala!!!



Penelope Harrigan, uma jovem originária do estado de Nebraska, tentava viver o sonho americano em Nova Iorque. A moça havia terminado a faculdade de Direito e tentava passar no exame da Ordem dos Advogados - enquanto isso estagiava num grande escritório de advocacia: o BB&B, onde realizava tarefas importantíssimas como comprar café para os advogados, além de organizar as cadeiras antes das reuniões da equipe.
Penny tinha uma auto-estima que não era lá essas coisas. Se achava uma garota comum e sem graça. Mas um belo dia, com os braços cheios de caixinhas com copos de café, ela tropeça e cai aos pés de Cornelius Linux Maxwell, um bilionário considerado papa da Informática.
Cornelius, apelidado de "Clímax", surpreendentemente a convida para um jantar e Penny acredita que talvez seja por pena, mas aceita. A garota passa então a viver um conto de fadas: jantares chiquérrimos, badalação, fotos no jornais, fama, vestidos e roupas de marca de graça!!! Mas como tudo na vida tem um preço, Penny vai arcar com um custo  bem alto.
Depois de um tempo de relacionamento, ela percebe que está sendo usada por Cornelius para testar produtos eróticos. Sim! Ele, como empresário, pretende lançar uma linha de apetrechos para as relações sexuais, testando-os em suas parceiras. Dolorosamente Penny chega a essa conclusão após pesquisar sobre os relacionamentos anteriores de Clímax, que duravam pouco (exatos 136 dias) e as ex-namoradas saiam completamente exauridas da relação. Com Penelope não é diferente, e após o termino da relação ela decide se vingar, processando Maxwell após o lançamento de sua linha de produtos eróticos chamada "Beautyful You".
O que Penny nota, é que os brinquedinhos sexuais, lançados exclusivamente para mulheres, as deixam viciadas - e ela percebe que após tantos testes em seu corpo, tornou-se viciada também.

A narrativa de dá em terceira pessoa (eba!) e se passa completamente no presente. Alguns flashbacks são necessários para a compreensão de situações atuais influenciadas por eventos passados.
As personagens são excêntricas, como por exemplo a velha sábia do Nepal, Baba Barba-Cinza. Essa senhora de 209 anos, possuía toda a sabedoria sexual que foi passada a Clímax para a criação de seus produtos eróticos.
Quem já leu outras obras de Chuck já está acostumado com seus enredos carregados de humor negro e ironia. No caso de "Clímax" há uma crítica implícita aos livros do estilo "mommy porn" que invadiram as livrarias e venderam milhões de cópias e servem única e exclusivamente para entreter as mamães entediadas. São narrativas que geralmente colocam a mulher numa posição inferior aos homem, quase de servidão sexual.
Em "Clímax", o primeiro capítulo mostra Penelope sendo estuprada em um tribunal, diante de uma plateia que assiste a tudo atônita e resignada, e que no final pede a Penny que se case com o seu agressor... Tal cena nos faz refletir sobre o potencial feminino de reação diante de situações como estas - afinal os homens conhecem o nosso poder, e por isso, sociedades inteiras buscam nos castrar, oprimir e controlar.
No final uma pergunta resta: o que seria do mundo se a mulher se emancipasse completamente?
Pense nisso!!!

Boa noite e boa leitura.

"Clímax"
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Páginas: 215

Avaliação: 5 estrelas

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