quarta-feira, 14 de março de 2018

Dias perfeitos - Raphael Montes

Meu primeiro contato com a obra do autor Raphael Montes, se deu através do livro "O vilarejo". Um livrinho de apenas cem páginas, que no entanto, foi capaz de me cativar como nenhum outro com seu suspense eletrizante - li em apenas dois dias.
Desde então, paulatinamente, fui tendo acesso a suas outras obras, e hoje venho orgulhosamente comentar sobre "Dias perfeitos".

Téo - o protagonista da história - é uma personagem muito interessante (de verdade!!!). Estudante de medicina, filho de uma senhora com deficiência física (sua mãe ficou paraplégica após o acidente de carro que matou seu pai) - Téo também é psicopata - incapaz de construir relações sociais. Tem como única amiga Gertrudes, o cadáver que disseca nas aulas de anatomia, a quem carinhosamente batizou.
Frio e calculista - pasmem - esse rapaz também é capaz de se apaixonar, conhece Clarice, a quem apelida de "Ratinha" e a partir de então faz coisas absurdas para tê-la ao seu lado, desenvolvendo um vertiginosa obsessão por este relacionamento, a ponto de sequestrá-la e mantê-la cativa.
Por coisas absurdas, entenda que o psicopata não age de acordo com as regras impostas pela sociedade, ou seja, não possui um freio moral a balizar suas atitudes. Este tipo de pessoa, acredita estar acima de quaisquer regras sociais, ignorando-as completamente a fim de atingir seus objetos da forma mais rápida possível.
Então, caro leitor, ao ler este livro, prepare-se para o pior!
A narrativa se dá na maior parte do tempo sob o ponto de vista distorcido de Téo. E captar a essência de uma alma tão perturbada, é tarefa que Raphael Monte executa com maestria.
Esta história me fez lembrar um pouco o suspense "Misery" de Stephen King - que resenhei a pouco tempo (você pode consultar aqui no blog). A imprevisibilidade das ações da personagem é o que traz o tempero ao enredo.
Um texto coeso e intrigante, confesso que li o suspense em uma tacada só - durante minhas férias -  de tão ansiosa que estava em conferir o desfecho desta história tão alucinante.

Será que Téo e Clarice ficam juntos no final?

Vale a pena conferir!!!




Boa leitura ; )

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Confissões do crematório - do pó viestes, ao pó retornarás.

A americana Caitlin Doughty além de possuir um canal no Youtube, chamado "Ask a mortician" onde discute com seu público uma variedade de temas funestos, também aventurou-se no campo da escrita e lançou o livro "Confissões do crematório" - título em português ou "Smoke gets in your eyes" - em inglês, através do qual compartilha várias de suas experiências ao longo da carreira de agente funerária.
Lançada no Brasil pela Darkside Books, a obra encanta pelo precioso trabalho de arte gráfica (como sempre a capa é linda!), e sobretudo, pelo conteúdo que apesar de parecer "pesado", se mostra completamente digerível e necessário.
Friso o necessário, porque de fato todos sabemos que a morte é inevitável e nossa única certeza enquanto seres viventes.
Caitlin utilizou seu livro, para transmitir também seu grande conhecimento em História (curso que frequentou), mais especificamente a história da morte, dos rituais fúnebres e das mudanças do comportamento humano frente a esta situação.
Nele, Doughty explicita que a modernidade trouxe consigo as facilidades dos serviços funerários - uma forma impessoal das famílias enterrarem seus cadáveres, o que nos estimulou a protelar para "nunca" as discussões sobre a morte.
A autora também participa da "The order of the god death", uma espécie de comunidade de estudiosos da morte, que compartilham da vontade de humanizar enterros, cremações, embalsamamentos e velórios - e torná-los algo mais natural, afinal a morte não precisa ser o tabu que a Indústria funerária criou, distanciando-nos dessa forma, de nossos mortos.
Me lembro de uma viagem que fiz para a Argentina, onde estive visitando o Cemitério da Recoleta, um patrimônio cultural da humanidade - no entanto me assustei ao ver que alguns túmulos era abertos e possuíam caixões expostos. O que me fez perguntar: Porque estes corpos em decomposição não cheiram mal???
Quanta ignorância não é mesmo... O fato é que todos aqueles cadáveres devem ter passados por embalsamamento com formol, uma prática muito comum na indústria funerária, atualmente. 

Precisamos entender que a natureza nos empresta seus átomos para que componham este corpo material e perecível. Porém chega a hora em que temos de devolvê-los - já que o Universo é regido pela Lei da Entropia, da decomposição... É como se a organização das moléculas em estruturas mais complexas fosse um estado temporário, e não a regra da vida (leia Origem - de Dan Brown, para entender melhor).
Independente da crença religiosa, não podemos ignorar o fato de que:

NÃO PASSAMOS DE FUTUROS CADÁVERES!!!

Toda esta narrativa me fez pensar que durante o tempo que levei para escrever este texto, 3.060 (três mil e sessenta) pessoas morriam ao redor do mundo, das mais variadas formas.
Se você é fascinado pelo tema da morte, não deixe de ler este livro, e caso seja muito sensível vá com calma... Ele fala sobre suicidas, bebês mortos e outras situações difíceis de encarar - mas como salientei acima, falar sobre o tema é um bem necessário a todos nós.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Origem, Dan Brown - De onde viemos, para onde vamos?

O talento de Dan Brown é indiscutível. E sua nova obra - Origem - evidencia ainda mais sua capacidade de nos despertar para a discussão de temas tão cruciais, tal qual nossa origem e destino, como humanidade.
Deixando as superstições e crenças religiosas de lado, o assunto é desenvolvido do ponto de vista científico, e não decepciona o leitor, seja este cético ou crédulo.

"Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete abalar os alicerces de todas as religiões e mudar para sempre a face da ciência.
O anfitrião é o futurólogo e bilionário Edmond Kirsch, que se tornou conhecido por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. O brilhante ex-aluno de Langdon está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento, algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana:
DE ONDE VIEMOS? PARA ONDE VAMOS? 
Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.
Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond.
Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo onisciente cujo poder parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo.
Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo."

Em nenhum outro livro, Dan Brown abordou tantos assuntos polêmicos ao mesmo tempo. Além de Religião e História da Arte, temas como Política e Tecnologia são pano de fundo para o desenvolvimento de um enredo envolvente, que trata dos limites de cada uma destas diferentes searas da vida. Fundamentalismo religioso, Extrema direita política e Inteligência artificial são assuntos cotidianos que nos consomem, sobretudo, porque a sociedade atual é passível de sofrer em virtude dos excessos cometidos nestas áreas.

Este livro nos convida a encontrar respostas, que muitas vezes procuramos do lado de fora, mas que sempre estarão dentro de nós.

BOA LEITURA!!!


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Garotinho chinês chega congelado a escola, para não perder prova!

Essa semana fiquei comovida com a notícia do garotinho chinês de 8 anos, que enfrentou 4,8 km de caminhada sob um frio congelante, para chegar a escola.
Todos os dias o menino tem de percorrer o longo caminho para poder assistir as aulas e mesmo o rigoroso inverno da China é incapaz de impedi-lo.
Assim que chegou à aula, sua professora impressionada com a cena, registrou-a. Na foto é possível vê-lo com os cabelos, sobrancelhas e roupas congeladas.
Após divulgação, a foto viralizou na web e muitas pessoas se ofereceram através das redes sociais para colaborar com a escola, doando aquecedores, agasalhos e até mesmo dinheiro para melhorar as condições estruturais do local, para que as crianças possam permanecer confortáveis durante os estudos.
O menino foi apelidado de "Ice Boy" pelos colegas, e é considerado pela turma o "palhaço" da sala, pois apesar de sua condição, é capaz de alegrar a todos com seu bom humor e perspicácia.



Essa mensagem é dedicada especialmente àqueles que tem preguiça de estudar!
Sabemos que o nosso país não oferece as melhores condições aos alunos das escolas públicas. Entretanto, vejo a maioria do jovens desperdiçando seu tempo com banalidades e desvalorizando o bem mais precioso que podemos conquistar nesta vida: O CONHECIMENTO.
Conhecimento é a única ferramenta que não pode ser roubada de nós.

ENTÃO, TOME VERGONHA NA CARA E VÁ SE INSTRUIR. Caso contrário, não reclame da vida miserável que pode estar reservada à você, em virtude de sua indolência.
Quanto ao menino chinês citado acima, tenho certeza de que apesar da pobreza que assola sua atual realidade, temos de concordar que um futuro brilhante o espera a frente.


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Comece 2018, doando livros!!!

Letras são símbolos gráficos, que por si só nada significam. Porém se unidas em sílabas, transformam-se em palavras, que representam ideias, codificando os pensamentos através de frases.
Um texto pode falar sobre qualquer coisa, um livro pode conter as mais diversas disciplinas. Mas o fato, é que ambos são capazes de registrar conhecimento e propagá-lo através das gerações.
Saber ler é fundamental para compreender o mundo ao redor - a sua história e a dinâmica das relações humanas. É essencial para a busca do auto-conhecimento.
Uma vida sem leitura traduz-se em uma existência vazia e frustante, sem sonhos, sem paixões...
Por isso recomendo que este ano, agente comece doando LIVROS.
Doando conhecimento para os que muitas vezes não tem condições de adquiri-lo.
Com certeza você tem uma biblioteca pública em sua cidade, ou uma banca de jornal perto de casa. Então deixe seus velhos exemplares lá. 
A obra que seria lida apenas por você, sofrerá uma espécie de milagre da multiplicação, passará de mão em mão e beneficiará muitas pessoas.
Já vivi assim um dia. Não tinha dinheiro para comprar meus próprios livros e a biblioteca me salvou.
Cada livro que li, foi um tijolinho que assentei em meu paredão de competências. Minha personalidade é composta por cada um desses tijolos, pois cada leitura trouxe-me um conhecimento diferente, agregando muito valor a minha vida.
Sou muito grata aos meus opúsculos - e aos que peguei emprestado - devo tudo que sou a vocês, amigos LIVROS...

Então vamos doar!!!


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Onde cantam os pássaros - Evie Wyld

Quem nunca comprou um livro pela capa, que atire a primeira pedra! O meu exemplar de "Onde cantam os pássaros" - escrito pela autora britânica Evie Wyld - foi adquirido justamente em virtude de possuir um dos invólucros mais atraentes que já vi.
A Darkside books, possui a capacidade de realizar projetos literários completos, com designs gráficos tão sedutores quanto o conteúdo.
Você começa a devorar o livro pela capa, pois ela te atrai, assim como uma embalagem de cereal matinal faz ao aguçar nossa gula, quando a  avistamos na prateleira do mercado.

A história até que é interessante, e de cara me apaixonei pela protagonista, a criadora de ovelhas Jake Whyte. No início a narrativa não linear me deixou um pouco confusa, não por que intercala capítulos que falam de presente, com outros que tratam do passado, mas por não possuir muita coesão entre eles. Demora um pouco pra estória engatar a segunda marcha, mas com paciência, é possível compreender sua dinâmica.
Jake vive em uma fazenda, criando ovelhas. Seu objetivo inicial é descobrir o que está por trás das mortes violentas de seus animais, que começam a aparecer dilacerados.
Sua propriedade fica em uma ilha da Grã-Bretanha, mas Jake é australiana, e por isso  a maior parte da narrativa se concentra em situações vivenciadas por ela, lá pelas bandas do hemisfério sul.
Jake se prostituiu. Encontrou um homem muito mais velho, que decidiu resgatá-la desta vida. Então, resolveu fugir para o deserto australiano, onde aprendeu a tosquiar ovelhas com estranhos, e enfim - não sei como - se mudou para a Inglaterra para criar seu próprio rebanho.
Já na Grã-Bretanha, em sua propriedade (adquirida ou arrendada, não dá para entender direito) surge o bêbado errante Lloyd, que ela encontra dormindo em seu galpão de tosquia e a partir daí, os dois desenvolvem uma relação estranha. Jake permite que ele vá ficando na fazenda, creio que, por se sentir mais segura com um homem ao lado.
Flashbacks do passado de Jake, trazem a tona seus mistérios, como o fato de que ela possui uma família que abandonou na Austrália, e explicam muito de sua personalidade arredia. 
Devo confessar que apesar da simpatia que nutri por Jake, as pontas soltas deixadas pela autora frustraram meu intento de obter respostas e conclusões para as dúvidas que surgiram ao longo do suspense.
Evie Wyld é uma autora premiada, mas acredito que esta obra, infelizmente, não está a altura de seu talento.
Entretanto, a firmeza da personalidade de Jake, do meu ponto de vista, foi o que salvou a história. Uma mulher forte, cheia de cicatrizes profundas nas costas - a explicação sobre elas ocorre nos últimos capítulos - e na alma sofrida. Sua capacidade de superação é admirável e a resiliência fica como lição principal.
Muitas foram as críticas negativas que li sobre a obra de Evie, porém, recomendo a leitura mesmo assim, já que sempre é possível extrair algo positivo de um livro, seja ele qual for.

Leia sempre!
Boa noite e boa leitura ; )



quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Extraordinário - R J Palacio - Um manifesto contra o Bullying

Recentemente, assistindo aos noticiários de TV, deparei-me com a triste notícia da morte de dois estudantes de 14 anos, assassinados a tiros por um colega de classe, na cidade de Goiânia-GO.
A motivação para o crime: a constante prática do bullying dentro de sala de aula. Uma das vítimas ofendia continuamente o atirador através de agressões verbais, com o intuito de humilhá-lo perante os outros alunos.
Tal prática é muito frequente, e todos nós de alguma forma, já fomos vítimas ou executores deste tipo de ato.

Por coincidência, na mesma época, eu lia o livro "Extraordinário - Wonder (em inglês) - da autora R J Palacio, que trata deste delicado tema de uma forma encantadora.
A prática de bullying não possui nada de encantador - eu sei. Porém a forma como lidamos com a situação, principalmente quando somos as vítimas, é o grande enfoque desta emocionante estória.
O pequeno August Pullman nasceu com deformidades crânio-faciais, decorrentes de um problema genético. Isso o tornava diferente das outras crianças, não somente com relação a aparência que possuía, mas também a respeito dos desafios que desde a terna idade teve de enfrentar.
Muitas cirurgias, um entra e sai de hospitais, a saúde frágil e o zelo com que a família o tratava, permearam os anos seguintes de sua vida, até que Auggie adquiriu a resistência física de que necessitava para finalmente encarar o mundo - e as pessoas.
Os pais cuidadosos, com medo da reação das outras crianças à aparência de Auggie e da possível repercussão negativa que isto poderia causar sobre a personalidade do menino, a princípio recearam sua ida a escola, mas acabaram por incentivá-lo, afinal.
É fato que as crianças podem ser cruéis, o que desconstrói o mito da pureza e bondade inatas do ser humano, sob meu ponto de vista. O homem é o lobo do homem e ponto final.
Mas há esperança, claro. E o manisfesto à gentileza, escrito por Palacio, nos estimula a acreditar nisso.
Auggie nos prova a cada página que é possível driblar o preconceito e o desrespeito de maneira inteligente e bem humorada. Os alicerces de seu comportamento, com certeza foram construídos na convivência amorosa com os pais e a irmã, que amavam-no e demonstravam isso a cada minuto, porém sem deixar de dialogar a respeito de sua delicada situação e dos desafios que teria de enfrentar.

Você vai rir, chorar e talvez se torne, assim como eu, um militante contra a prática do bullying nas escolas.

Pra quem tem preguiça de ler, o filme será lançado agora em Dezembro de 2017 aqui no Brasil - segue abaixo o trailer:


Boa noite, boa leitura!!!