quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Saiba a diferença entre as quatro opções de vacinas contra o Coronavírus disponíveis para testes no Brasil.

 A população brasileira está apreensiva a respeito da vacinação contra o coronavírus. As especulações midiáticas, sobretudo as que tem viés político, não ajudam em nada a esclarecer as questões técnicas a respeito das vacinas.
Segue abaixo, uma breve resenha contendo explicações sobre as características de cada uma das vacinas que estão autorizadas pela ANVISA a realizar testes clínicos no Brasil:

Vacina da Pfizer - é uma vacina de RNA, ou seja, feita com um pedacinho do código genético do coronavírus: o trecho responsável pela codificação da proteína spike (que são esses pequenos prolongamentos, contidos na superfície do vírus) através da qual o vírus se conecta às células humanas.

Vacinas da AstraZeneca (Oxford) e da Janssen - São do tipo "vetor viral", elas usam um segundo vírus como veículo. A vacina utiliza como vetor um adenovírus que infecta chimpanzés e sofreu duas modificações em laboratório: foi enfraquecido para que não consiga se replicar no corpo humano  e ganhou a proteína spike do coronavírus. Quando a pessoa toma essa vacina, seu sistema imunológico ataca o adenovírus e cria uma memória contra o spike. Mais tarde, se ela for contaminada pelo coronavírus, o organismo irá reconhecê-lo e disparar uma resposta imunológica imediata, debelando a infecção. Pura tecnologia!

Vacina Coronavac (China) - A vacina chinesa é a mais simples, porque é a única que não se baseia em uma tecnologia nova. Trata-se de uma vacina de vírus inativado. A inativação é uma técnica dominada pela ciência há mais de 50 anos, e consiste em pegar o vírus e submetê-lo ao calor, ou a uma substância química como o formol para "matá-lo" tornando-o incapaz de infectar células humanas.



Qual vacina você tomaria? 
Se eu pudesse escolher, daria preferência as da Pfizer, da AstraZeneca ou da Janssen, por dois motivos; primeiro - possuem tecnologias que te expõe a apenas uma fração mínima do vírus e, segundo - porque sou farmacêutica e trabalho há muitos anos em contato com estes laboratórios, por isso confio muito no trabalho deles.

A fonte para essa resenha foi a Revista Super Interessante, Edição 421, de Novembro de 2020.
Caso queira obter mais informações, vale a pena lê-la!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

A Corrente - Adrian McKinty

 "A Corrente" foi a obra que me acompanhou em minha viagem de férias esse ano. Sim, férias! Porque nós profissionais de saúde não ficamos em quarentena.
Passei uma semana em Capítólio - Minas Gerais - paisagem bucólica, águas cristalinas e revitalizantes. Deitada em uma espreguiçadeira, com o Rio Grande a frente, eu devorava o livro nos finais de tarde e o fato de ser uma leitura mais densa, não tirou o prazer daqueles momentos de abstração e sossego. Foram dias que guardarei na memória para sempre!


Segue a resenha:

O dia começa como qualquer outro. Rachel Klein deixa sua filha Kylie no ponto do ônibus escolar e segue para uma consulta na oncologista, mas um telefonema desconhecido muda tudo.
Do outro lado da linha, a voz implacável de uma mulher a avisa que Kylie está no banco de trás do seu carro e que Rachel só verá a menina de novo se, além de pagar o resgate, sequestrar outra criança.
Assim como Rachel, a mulher é mãe, e também teve seu filho sequestrado. Se Rachel não fizer exatamente o que ela manda - rompendo assim o elo da "Corrente" - o menino morre e Kylie também. Agora, inevitavelmente, Rachel faz parte dessa "Corrente", um esquema aterrorizante que transforma os pais das vítimas em criminosos - e ao mesmo tempo, deixa alguém muito rico.
Rachel é uma mulher comum mas, nos dias que se seguem, será levada a extremos que ultrapassam todos os limites do aceitável. Ela será obrigada a fazer escolhas morais inconcebíveis e executar ordens terríveis. A "Corrente" é apavorante e totalmente anônima. As regras são simples: pagar o valor de resgate exigido, escolher outra vítima - que não seja próxima a policiais, políticos ou jornalistas - e cometer o ato abominável do qual, apenas vinte e quatro horas antes, você se julgaria incapaz.
As mentes sádicas e insanas por trás da "Corrente" sabem que os pais farão qualquer coisa pelos filhos. Mas dessa vez, a entidade não sabe que se deparou com uma oponente à altura. Rachel é perspicaz, determinada e uma sobrevivente do câncer!

O autor irlandês, Adrian McKinty, inspirou-se em um esquema inventado pelos cartéis mexicanos, no qual membros da família podem se oferecer para trocar de lugar com uma vítima de sequestro mais vulnerável. O cartel de Jalisco, aterrorizou o México com suas estratégias macabras e McKinty, associou essa ideia a sua própria experiência de vida com "Correntes". Quando criança, recebeu uma dessas cartinhas de corrente, típicas da infância, que quando "rompida" promete causar danos irreparáveis a quem não a passar para frente.

Na minha opinião essa é uma história original, que prende a atenção e nos sensibiliza com os dramas vividos por Rachel. Além de enfrentar um câncer, ela ainda tem de lidar com o sequestro da filha - imagine o sofrimento! A demonstração de força dessa mulher é algo admirável e no final da história foi impossível conter as lágrimas de felicidade pelo destino dessa linda personagem! (Eu sou dessas que se envolvem emocionalmente com suas leituras!)



"A Corrente" 
Autor: Adrian McKinty
Editora: Record
Páginas: 373

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Tartarugas até lá embaixo - John Green

 Sabe aquele livro, que depois de ter terminado de ler, você se pergunta: Meu Deus! por que não li antes? 
Pois esse é o caso de "Tartarugas até lá embaixo", do consagrado autor americano John Green, famoso por também ter escrito "A culpa é das estrelas".
O título, um tanto estranho, foi o que me manteve distanciada da obra por algum tempo. Mas como as minhas experiências de leitura referentes a John Green haviam sido interessantes anteriormente, resolvi me arriscar e valeu a pena!


Aza Holmes é uma adolescente com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Caracterizado por pensamentos e medos irracionais que levam a comportamentos  compulsivos, o TOC de Aza está relacionado ao medo excessivo de germes, bactérias, fungos e parasitas que possam vir a ocasionar doenças e até sua morte.
Por esse motivo Aza tem medo de se relacionar afetivamente. Beijar garotos se torna um grande desafio para ela, uma vez que o receio de contrair uma infecção supera qualquer sensação agradável que um contato íntimo possa causar. Pensamentos recorrentes sobre germes crescendo e se multiplicando em suas entranhas, devido a troca de saliva e outras secreções, ocupam a mente da jovem e fica claro ao longo da narrativa que atrapalham demais suas relações interpessoais.
Apesar disso, a jovem possui uma grande amiga, Dayse, e um pretendente a par romântico - Davis Pickett - um rapaz bilionário, cujo pai está foragido da justiça acusado de fraudes e desvios de dinheiro em obras públicas. Por qualquer informação que leve a seu paradeiro, a polícia oferta U$ 100.000,00 (cem mil dólares) e a bufunfa atrai a atenção de Dayse, que incentiva Aza a acompanhá-la em uma caçada ao meliante.
A princípio Aza se empolga a até tenta bancar a detetive ao lado da amiga a fim de encontrar Russel Pickett, mas seu transtorno a impede de seguir em frente.
No decorrer da história, percebemos que a doença mental de Holmes tira dela qualquer chance de levar uma vida normal, e no final do livro, lendo os agradecimentos, descobri que "Tartarugas até lá embaixo" se trata de uma obra autobiográfica. John Green revela a imensa dificuldade que enfrentou durante sua vida em virtude de possuir TOC, e que após encontrar ajuda médica, têm conseguido superar o distúrbio e tocar sua rotina com mais leveza.
Abordando o tema com coragem e delicadeza, o autor não só expõe suas feridas como também contribui para que os jovens leitores que se identifiquem com seu caso, se sintam compelidos a procurar auxílio especializado e que acima de tudo, procurem o autoconhecimento.
Autoconhecimento e autoaceitação são fundamentais. São o pontapé inicial do tratamento para esse mal que afeta boa parte da humanidade. 

Recomendo essa leitura, para você que tem TOC. Doença mental tem tratamento, procure ajuda!

"Tartarugas até lá embaixo" 
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 269

Avaliação: 5 estrelas

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terça-feira, 15 de setembro de 2020

"Drácula" - Bram Stoker

 Como já mencionei em uma postagem anterior, "Drácula" é um romance gótico de autoria do escritor irlandês Bram Stoker. Ao contrário do que muitos pensam, a princípio não foi escrito como uma história de suspense ou terror, apesar de conter elementos desses dois gêneros literários em sua composição. 

Dracula - Pandorga - Livrarias Curitiba

Só a leitura é capaz de revelar as artimanhas de Bram para nos seduzir e prender-nos a narrativa. Escrita em forma de diários, intercalando os relatos de várias personagens, além de inserir cartas, publicações em jornais e até mesmo memorandos, a trama é construída em torno do misterioso Conde Drácula, um nobre da Transilvânia, que solicita os serviços do escritório de advocacia para o qual o jovem Jonathan Harker trabalha. Interessado em adquirir imóveis na Inglaterra, o Conde convida Harker a passar uma temporada em seu castelo para tratar de negócios, porém, passado um tempo, o jovem percebe que está aprisionado dentro da fortaleza assombrosa sob o domínio de seres sobrenaturais sugadores de sangue e energia, dentre eles, o próprio Drácula. 
Depois de perceber ter sido abandonado a própria sorte no castelo e de muitas tentativas mal sucedidas de escapar dele, Jonathan finalmente consegue fugir e vai parar em um convento em Bucareste. Sua noiva Mina Murray parte ao seu encontro na Romênia e os dois se casam lá mesmo.
Contudo, durante o tempo que Harker esteve preso na castelo do Drácula, eventos estranhos aconteciam em Whitby, no norte da Inglaterra, cidade onde Mina estava hospedada na casa de sua amiga Lucy Westenra. Um barco vindo da região da Rússia aportou em Whitby trazendo caixotes de madeira cheios de terra como carga, porém, além do Capitão que jazia morto, amarrado ao leme com crucifixos em torno do pescoço, nenhum dos tripulantes restara a bordo. Da escuna, saltara um lobo negro que fugira em meio a mata do vilarejo (seria o Drácula?), deixando seus moradores apreensivos.
Após o tétrico evento, a jovem Lucy inexplicavelmente começou a definhar. Se tornando uma pessoa letárgica, pálida e anêmica. Mina, desesperada, procura ajuda e tem no noivo de Lucy - Arthur Holmwood - um aliado na busca por uma explicação para sua "doença". Em seu socorro, logo surgem os médicos John Seward e Abraham Van Helsing, além do jovem americano Quincey Morris, fiel escudeiro de Arthur.
Não só Lucy, mas um dos pacientes do Dr Seward no hospício - o excêntrico Renfiled - passa a apresentar comportamentos bizarros ao nascer e ao pôr do sol. Começa a falar de um "Mestre" que o aguarda fora dali. Seu hábito peculiar de comer insetos, evolui para um desejo de possuir animais de sangue quente, como gatos por exemplo e isso deixa Seward apreensivo.
Tantas são desgraças que se seguem à chegada de Drácula ao Reino Unido, que o grupo de jovens, encabeçado pelo experiente Van Helsing decide persegui-lo e capturá-lo, dando início a uma caçada eletrizante.
Para os preguiçosos de plantão, que preferem assistir o filme, recomendo a versão dirigida por Francis Ford Coppola, que tem como protagonistas Gary Oldman, Keanu Reeves e Winona Ryder. É uma obra-prima fiel ao texto original, mas nada se compara ao livro. No filme teremos uma versão mais galanteadora e romantizada do Drácula. O homem atravessa os séculos em busca de seu amor perdido durante as batalhas intermináveis na Valáquia. E encontra Mina Harker. Já deu para entender o que vai acontecer, não é?
Enfim, recomendo o livro de Bram, o filme de Coppola, pois são obras-primas que marcaram gerações, mantendo o mito do vampiro ainda vivo entre nós!

"Drácula" 
Autor: Bram Stoker
Editora: Pandorga
Páginas: 431

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Bram Stoker - o criador do mito literário moderno "O Conde Drácula"


Ficheiro:Bram Stoker 1906.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre
Bram Stoker

Finalmente decidi ler o romance gótico "Drácula" do escritor irlandês Bram Stoker. Antes de postar a resenha (e já adianto que a leitura está sendo uma experiência maravilhosa) quero falar um pouco mais sobre o autor e também sobre o líder romeno que o inspirou para criação de sua personagem.
Abraham Stoker nasceu em 1847 em Dublin - Irlanda. Desde cedo demonstrou grande paixão pela escrita, chegando a atuar como jornalista, diretor de peças teatrais e funcionário público. Graduou-se em matemática, mas a paixão por escrever estórias tornou-se sua principal atividade.
Já era um ensaísta maduro quando resolveu escrever seu épico "Drácula". O romance gótico foi fruto de muitas pesquisas, através das quais Bram se aprofundou nos contos do folclore europeu envolvendo o mito do vampiro.
Baseando-se no cruel Vlad Tepes, o "Empalador", escreveu uma narrativa lúgubre e sombria, de personagens fortes - como o médico holandês Van Helsing - que também foi retratado no cinema e seriados, como caçador de vampiros.
Vlad Tepes, Vlad III, ou Vlad Dracul, como queiram chamar - era conde e príncipe. No século XV governava a região da Valáquia, uma província que ocupava quase todo o sul da Romênia. Resistindo à invasão do Império Otomano, Vlad Tepes matou de forma cruel milhares de inimigos, construindo sua reputação que ecoa ao longo dos séculos.
Vlad III recebeu o apelido "Tepes" que significa "Empalador" porque simplesmente empalava sua vítimas e muitas vezes assistia sua morte lenta e dolorosa, comendo na frente delas. Empalar, significa introduzir uma estaca no ânus de uma pessoa (ou no abdome, o que é menos chocante) enquanto ela agoniza, dias a fio.
Já o título "Dracul" vem da ordem cristã (isso mesmo, cristã) romena, dos Dragões a qual seu pai Vlad II pertenceu e cuja principal função era defender a Europa cristã do Império Otomano. Drácula, significa filho do dragão, mas dependendo da tradução pode também significar filho do diabo - isso se explica porque em romeno atual, dracul, significa diabo.
Após anos de batalha contra os otomanos, Vlad III sucumbiu e foi aprisionado por estes. Mas sua morte foi um mistério.
Quanto a lenda de que Vlad teria voltado dos mortos, boatos diziam que em uma de suas lutas teria batido a cabeça e entrado em coma. Porém, do dia para noite ele acordou e como se nada tivesse acontecido, voltou a guerrear.
Entre os romenos é considerado um herói de seu povo. Mas para os povos europeus, entrou para o rol dos mitológicos vampiros - seres sedentos por sangue.
Com maestria Bram uniu a figura histórica ao mito popular transformando-o num clássico, através de sua escrita soturna, porém poética.

Vale lembrar, que para os espiritualistas, vampiros existem, mas não sugam sangue e não são mortos vivos. São na realidade espíritos desencarnados que sugam a energia vital de seus obsediados. Para afastar tais espíritos, a fé em Cristo (o uso do crucifixo) e os banhos com ervas para limpar a aura (com casca de alho por exemplo) são antídotos essenciais.

Enfim, recomendo a leitura dessa obra sensacional! Sem dúvida alguma, Drácula é a personagem mais conhecida e explorada pela literatura, pelo cinema, e elevou o mito do vampiro a algo que transcende as mais diversas culturas!
 
Conde Drácula será um vampiro bissexual na nova série da Netflix

A resenha chega em breve!

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

De que são feitas as coisas - Mark Miodownik

 Passeando pela extinta Saraiva Megastore, do Shopping Center Norte em São Paulo, encontrei em uma de suas prateleiras essa preciosidade literária. Premiado pela "Royal Society" Britânica, e pela Communication Awards National Academies of Sciences, Engineering and Medicine como melhor livro de 2015, essa obra explica questões, tais quais: como é feito o concreto? Por que o chocolate fica com manchas brancas na superfície se é aquecido e depois resfriado? Ou, o que faz o diamante e o grafite , ambos feitos de carbono, serem tão diferentes?

De que são feitas as coisas: As curiosas histórias dos ...


Mark Miodownik, engenheiro de materiais, responde a essas e tantas outras perguntas, relatando suas experiências pessoais com cada um dos materiais. Miodownik ensina química o suficiente para explicar como são feitas as coisas mais importantes do mundo, mas fala de ciência de um modo acessível para todos.
Como farmacêutica hospitalar, adquiro muitos produtos para saúde de variadas composições - de plásticos a aço carbono - e nunca antes, uma leitura "não didática" me agregou tanto profissionalmente quanto essa. 
Esse livro, repassa nosso mundo material em uma tentativa de mostrar que, apesar de os materiais ao nosso redor poderem parecer bolhas de matéria com cores diferentes, são, na verdade, muito mais do que isso: são expressões complexas das necessidade e desejos humanos. E para criar esses materiais - para satisfazer nossa necessidade por coisas como abrigo e roupas, nosso desejo por chocolate e cinema - tivemos que fazer algo bastante incrível: dominar a complexidade de suas estruturas internas. Essa forma de compreender o mundo é chamada ciência de materiais e tem milhares de anos.
Uma das estruturas materiais mais fundamentais é o átomo. Sobre a Terra, existem naturalmente 94 tipos de átomos, mas oito deles formam 98,8% da massa da Terra: ferro, oxigênio, silício, magnésio, enxofre, níquel, cálcio e alumínio. O resto são, tecnicamente, elementos-traço, incluindo o carbono. 
Átomos, combinados de acordo com as regras da mecânica quântica, são expressões de muitas ondas de probabilidades e dessa forma, podem manifestar-se como condutores elétricos por exemplo, como é o caso do grafite que é constituído de carbono. Mas como explicar então, que o diamante, sendo composto exatamente pelo mesmo tipo de átomo (carbono) não possua a mesma propriedade de condutividade elétrica? É o que Mark explica nesse livro.

Com certeza essa obra vai permanecer em minha biblioteca particular. Recomendo essa encantadora leitura, a você que possui uma sede insaciável de conhecimento!

"De que são feitas as coisas" 
Autor: Mark Miodownik
Editora: Blucher
Páginas: 307

Avaliação: 5 estrelas

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quarta-feira, 29 de julho de 2020

Os filhos do Imperador - Claire Messud

Descobri esse livro em uma simpática feirinha que encontrei no Shopping D, em São Paulo, dessas que você paga R$ 10,00 por qualquer livro - e o melhor de tudo - você mesmo paga, não há vendedores ou caixas, apenas uma maquininha para pagar com cartão ou uma caixinha para depositar o dinheiro. Tudo na base da confiança. Sem câmeras, nem ninguém para vigiar. 
É esse o mundo que eu quero!!!

Os Filhos do Imperador - Saraiva

A obra escrita pela autora americana Claire Messud, retrata um fato que marcou toda a humanidade, no início do milênio. O ataque às torres gêmeas, alterou a dinâmica da vida dos americanos e consequentemente do planeta.
Atualmente estamos passando por algo parecido - a pandemia do coronavírus. Esta provocou um isolamento e distanciamento social, antes nunca vistos.
Esse é um livro interessantíssimo, sobretudo para se ler nesse momento.
Com estilo de escrita rebuscado, porém extremamente atraente, Claire Messud redigiu uma narrativa para pessoas já amadurecidas na leitura - ou seja - essa não é uma leitura para iniciantes.
Como única crítica, deixo claro, que a obra sofre com uma certa "encheção de linguiça", no meu ponto de vista não precisaria ter quase 500 páginas - poderia ter menos - ainda assim, ela é muito interessante.

Marina, Julius e Danielle eram amigos desde a faculdade e tocavam suas vidas fúteis em meio a elite de Manhattan. 
Murray Thwaite, o pai de Marina, era um intelectual bajulado no meio midiático e isso mantinha os três jovens orbitando ao seu redor, em busca de destaque e ascensão.
Rodeados por falsos admiradores, a rotina dessas pessoas é repentinamente quebrada pela chegada de Frederick Tubb - vulgo Bootie - sobrinho de Murray, que é o único capaz de enxergar e ter a coragem de dizer a verdade a respeito do vazio que é a vida daquelas pessoas e do "embuste" que é seu tio.
Bootie é o cara capaz de dizer a todos que "os filhos de Imperador estão nus".
Narrado num lapso de tempo que compreende os meses que antecedem ao ataque no 11 de setembro, e os meses subsequentes, esse livro te faz pensar sobre as coisas que realmente importam na vida. Seriam as aparências? Vale a pena viver uma vida de mentira? Estamos vivendo para sermos felizes ou para impressionarmos e agradarmos os outros?
O momento é propício para tais reflexões e por isso recomendo essa leitura.
Se essa pandemia e seus desdobramentos não estão sendo capazes de te fazer pensar e mudar de vida... Essa obra é um belo empurrão para tal!

Boa leitura! E aproveite para refletir.

"Os filhos do Imperador" 
Autor: Claire Messud
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 478

Avaliação: 5 estrelas

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